quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Fé na humanidade

Acesso um site noticioso e uma notícia chama-me a atenção. Um pedreiro achou uma bolsa com R$ 30 mil. E devolveu ao dono. O dinheiro fora roubado de uma distribuidora de bebidas numa cidade do interior de Minas Gerais, a quase 500 km de Belo Horizonte.

Segundo a reportagem, o pedreiro de 44 anos não teria hesitado em devolver o dinheiro porque a quantia não pertencia a ele e quem o "perdera", provavelmente precisaria daquele montante. O dinheiro era para o pagamento dos funcionários da empresa.

Atitudes como essa me fazem restaurar a fé na humanidade. Chega a emocionar e imagino, ao ler a notícia, a voz grave de Ana Carolina, cantarolando o refrão de "Brasil Corrupção - Unimultiplicidade".

E como começo de caminho
Quero a multiplicidade
Onde cada homem é sozinho
A casa da humanidade
Onde cada homem é sozinho
A casa da humanidade


No embalo da trilha sonora, a memória enseja outro episódio semelhante. Aquele em que o casal de moradores de rua, Rejaniel e Sandra, encontra uma sacola com cerca de R$ 20 mil, num ponto de ônibus de São Paulo e entrega à polícia. O dono? Um proprietário de um restaurante.

Por uns instantes, mergulho num sentimento sadio e aplaudo a honestidade. Contemplo o bom caráter. Reverencio a probidade. Saúdo o decoro. Admiro a integridade. Dou vivas à dignidade. Como é bonita e singela a atitude do pedreiro e dos moradores de rua. Honestidade não pede explicação. Não precisa de justificativa.

Suspiro longamente... e volto à leitura do site.

Motorista embriagado atropela e mata mãe e filha
Deputados são acusados de desviar dinheiro da merenda escolar
Jovem mata o pai com 37 facadas e se suicida
Polícia federal prende políticos e juízes por desvio de recursos

As manchetes são um soco na honestidade, no bom caráter, na probidade, no decoro, na integridade, na dignidade. A serenidade da contemplação à honestidade cede lugar ao azedume cotidiano. A fé na humanidade durou pouco.

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