quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Prefeitura ou CNBB?

Candidatus Municipalis vai concorrer ao cargo de prefeito e ele tem muitos projetos para a cidade, mas tem um passado de defesa de suas ideias. Ele é favorável ao aborto, à união de pessoas do mesmo sexo, defende a reforma agrária e a pílula do dia seguinte na rede pública.

Definitivamente esse é o problema de Candidatus. Na sua coligação há siglas que vão de espectros da esquerda, à direita passando pelos fantasmagóricos. Como assim? Alguns partidos que o apoiam estão mortos, mas não sabem disso. E nem interessa porque o importante é o apoio partidário para aumentar o tempo de TV. Afinal, o show midiático não pode parar.

Na primeira coletiva, para anunciar a chapa, Candidatus Municipalis pôde perceber o tom do jogo da campanha. Jornalistas de primeira viagem e outros de cabelos brancos não perderam a veia - digamos - investigativa.

__O senhor já disse ser favorável ao aborto. O senhor mantém essa posição?
__E sobre o casamento gay, o senhor continua defendendo?
__O MST não é um grupo que promove o terror no campo?
__A pílula do dia seguinte é condenada pela Igreja. O senhor não teme perder apoio de importantes segmentos religiosos.


A Creide, que acompanhou a coletiva pelo noticiário da TV, não aguentou. __Ué, mas essa é uma campanha para a prefeitura ou para a presidência da CNBB. Pois é Creide, ainda bem que o estado é laico, imaginou se não fosse?

Esses são detalhes. Os especialistas estão aí para amenizar o impacto da sinceridade. Importa mais a imagem. Importam menos os projetos. Por isso, Marketérius Políticus foi contratado - a peso de ouro - para construir a imagem de Candidatus, ou melhor, para desconstruir a imagem passada dele.

Uma trilha sonora lacrimejantemente impactante, um terno novo, a barba bem feita, um cenário que inspira trabalho e resolutividade, imagens de Candidatus com crianças, bebês, gestantes, idosos, em reuniões com empresários, padres e pastores.

__E os projetos para a cidade?  A Creide não perde a oportunidade de fazer pergunta difícil. Eita! __É... parece que o eleitor vota mais na imagem do candidato do que nele próprio.

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