sábado, 29 de setembro de 2012

Oportunismo e incoerência

Pelas ruas da cidade, adesivos, panfletos e cavaletes ajudam a divulgar os candidatos ao cargo de vereador.  No material de divulgação, muitos não revelem o nome - nem o número - nem o partido - do candidato a prefeito da sua chapa. Publicam apenas o nome da coligação e os partidos num cantinho qualquer do material, impossível de serem lidos. 

O candidato a vereador que esconde o candidato a prefeito da sua chapa revela oportunismo e falta de coerência política. Não é apenas estrelismo. É sintoma de que alguma coisa está errada nas relações políticas. Se eleitos, o vereador será base de apoio e de sustentação do prefeito na Câmara.

Ou ele acredita ser independente? Ou ele acredita que o partido não vai cobrar a conta e o alinhamento aos projetos do Executivo? Em uma primeira análise, esses solitários candidatos não defendem um projeto de governo. Afinal, se defendessem divulgariam o nome do candidato a prefeito que representa esse projeto. Mas quantos candidatos a vereador você conhece que defende um projeto municipal? E que projeto é esse? Quantos estão candidatos pelo interesse coletivo? A resposta é óbvia.

Podem esses candidatos a vereador não concordar com o nome cabeça da chapa? Podem esses candidatos serem adversários do candidato a prefeito? Sim, mas se foram voto vencido no período de composição, o mínimo que se espera é que tenham coerência para defender a própria coligação. E muitos ainda usam slogans que remetem à seriedade, à honestidade e ao comprometimento. Imagine, então, se não tivessem tais características que adoram dar publicidade.

O vereador é mais importante que apenas ser base de apoio para o Executivo e suas propostas. Ele é um agente fiscalizador e deve ter posições claras, mas se ele nem chegou à Câmara e adota medidas conforme suas conveniências, imagine o que fará depois de eleito. Por isso, desconfie dos candidatos a vereador que se apresentam sem os postulantes ao cargo de prefeito.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Militontice eleitoral

Durante o período eleitoral, ele está de volta, ou seja, a cada dois anos, eles estão de volta. Não são apenas os candidatos que retornam e - muitos - para assombrar. Se não são os candidatos, quem são? Os militontos.

Frei Betto já definiu o militonto, como "aquele que se gaba de estar em tudo, participar de todos os  eventos e movimentos, atuar em todas as frentes. Sua linguagem é repleta de chavões e os efeitos de sua ação são superficiais." 

No texto de Frei Betto, o militonto é originalmente um cidadão integrado aos movimentos sociais da esquerda. Diferentemente do militante, que luta por justiça e uma vida melhor. Neste, as ações são práticas e necessárias. As virtudes são maiores.
E a militontice atinge seu ápice durantes as eleições, com o militonto eleitoral, aquele eleitor especialista em tudo: debate político, tendência política, análise de conjuntura, programas partidários e, principalmente, caráter dos adversários, a quem ataca sem o menor compromisso com a verdade.

O militonto eleitoral age com paixão, como se tivesse numa final de Copa do Mundo, ou num desses clássicos de futebol cujas organizadas se pegam no porrete antes, durante e após o apito final. 

O militonto eleitoral não está preocupado com a vida anterior do candidato, não se importa se tem militância em alguma área.

O militonto eleitoral acusa o outro de ser ideológico, quando é tão ou mais ideológico. E pior, como se isso fosse problema.

O militonto eleitoral não aguenta o diálogo, aliás foge sempre que pode e lança mão de acusações.

O militonto eleitoral não debate. Ele apenas rotula os outros eleitores que defendem outros candidatos que não os seus.

O militonto eleitoral acha que todos os candidatos e partidos são iguais e que ninguém tem projeto.

Enfim... o militonto eleitoral vai descansar depois do segundo turno; na maioria das cidades brasileiras, depois do primeiro mesmo. Não se preocupe, eles voltam daqui a dois anos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Sobre corrupção e corruptos

Relator e revisor. No Supremo Tribunal Federal (STF), os ministros que atuam como relator e revisor de um processo têm funções específicas. As atribuições de cada um estão definidas no Regimento Interno do STF. No caso do relator, nos artigos 21 e 22; e o revisor, nos artigos 23 a 25.

Ao relator cabe, conforme o artigo 21 - inciso I - "ordenar e dirigir o processo". Conforme o artigo 25, inciso II, ao revisor cabe "confirmar, completar ou retificar o relatório." Retificar significa, entre as possibilidades encontradas no Dicionário da Língua Portuguesa, "corrigir, emendar, endireitar, acertar". Isso significa que o relator não é dono da verdade - nem o revisor - mas o segundo pode sim corrigir o primeiro.

Esses são aspectos técnicos do papel dos ministros do STF, que no julgamento da Ação Penal 470, rotulada de mensalão do PT, são apenas detalhes do juridiquês. Na prática, o traçado lembra um roteiro ficcional. Assim fica melhor para a mídia que aposta mais no entretenimento do que na informação. E o espectador, acostumado ao espetáculo, pode saborear mais um drama da vida real.

Joaquim Barbosa, o ministro negro do STF, agora é o mocinho, o herói de um script aplaudido pela elite do país, a mesma que o desqualificava e que afirmava ser supremo pelas mãos de nove dedos do então presidente cotista Luiz Inácio Lula da Silva. Barbosa assume, neste contexto, o papel de combatente da corrupção, condena sem piedade, distribui penas aos condenados. Para os corruptos do PT e seus aliados. 

A elite brasileira vai ao orgasmo. É preciso mandar os dirceus, os cunhas, os delúbios para a cadeia. Nos autos constam provas cabais ou tênues? Para que discutir? Enquanto isso, o mensalão do PSDB, o mensalão minerin, tramita em águas judiciais calmas - sem holofotes - das primeiras instâncias, no processo devidamente remetido pelo STF. Simples assim. 

O ministro Ricardo Lewandowski cumpre no julgamento o papel do vilão. O revisor representa o mal - encarnado nos petistas - quando apresenta seu voto. Se condena um por um crime e inocenta o mesmo em outro crime, o ministro é desqualificado perante a opinião publicada. Atende aos interesses dos corruptos. Simples assim.

Enquanto isso... o resto da Corte é coadjuvante num roteiro escrito coletivamente por um país que diz defender o combate à corrupção.  Na prática, não é bem assim. Há uma parte da sociedade, que inclui gente inocente, bem-intencionada e mal-intencionada, que defende o combate à corrupção do grupo político oposto. E isso não é combater a corrupção, é combater os corruptos dos outros.

Que o PT não é inocente nesta história, isso não é mesmo. Mas o mensalão vai além de julgar os crimes de petistas corruptos. É a oportunidade que muitos encontraram para condenar a política desenvolvida no governo Lula, aquela que tirou milhões da pobreza, que levou milhares ao ensino superior, que devolveu a autoestima do país junto à comunidade internacional. Tudo isso, capitaneado por um ex-operário "analfabeto". Quanta ousadia! 

O combate à corrupção é saudável e necessário, mas combater apenas os corruptos de um grupo político, escondendo e patrocinando a corrupção de outros, além de hipócrita, é um atentado à democracia. E também à inteligência de quem pensa além do que é veiculado por meia dúzia de veículos de comunicação que alimentam o pensamento único.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A vingança do prófi


O professor chega para a aula e metade da turma está lá fora.
Enquanto ele arruma o material sobre a mesa, a turma do fundão chega e vai acomodar-se no fundão.
O conteúdo - muito interessante - aborda a implicação das novas tecnologias no relacionamento humano.

Ele começa a aula e - o grupinho de sempre - navega por iPad, iPod, notebooks, celulares.
Até parece que o professor combinou com a turma.
Enquanto ele fala sobre as novas tecnologias, os alunos mostram na prática como a coisa funciona.

__Então pessoal... o que vocês pensam sobre isso?
Depois de alguns eternos segundos...
__Sobre o que prófi?
Antes que o professor responda, alguém intervém.
__Professor, é mais fácil a gente se relacionar com quem está longe.
__Por que? Pergunta o professor interessado.
__Porque assim a gente não se envolve.
__É mesmo?
__É! e quando incomoda é só ficar off line...

Pena que eu não posso fazer o mesmo.
Pensamento do professor.


__É que tem muita gente que gosta de ficar falando de problemas, de coisas ruins. Mó saco! Diz  outro. 
__Mas vocês não são amigos? Vocês não discutem os problemas para resolver? Questiona o professor.
__Amizade de rede social, prófi, pode terminar quando cair a conexão. Arrisca certeiramente outro.

Ideias vêm. Ideias vão. E o debate segue com os mesmos conectados... conectados.
E o professor fecha a discussão, anunciando uma avaliação dissertativa para a próxima aula.
Neste instante, os conectados desconcetam-se.
__Como assim prófi? Qual conteúdo?
__O que a gente conversou hoje, até agora.
__Mas o que foi falado?

Neste momento, o prófi vinga-se do fundão.

__Então, sugiro que vocês liguem os seus iPads, iPods, notebooks, celulares na modalidade HD no recurso repetição. Até semana que vem.

sábado, 22 de setembro de 2012

Inquietudes (137) do Rei

Londrina: 1997-2000. Prefeito preso. Preso e afastado. Prefeito cassado. Cidade envergonhada.
Londrina: 2009-2012. Prefeito acusado. Prefeito cassado. Prefeito preso. Cidade sem prefeito. Cidade envergonhada. 
Eleições 2012. Quem lidera as pesquisas? Cidade desavergonhada.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Inquietudes (136) do Rei

Na edição do Jornal de Londrina, de hoje, o prefeito Joaquim Ribeiro fala em extensa entrevista. Questionado se se considera corrupto, ele disse "corrupto é quando você negocia e não fui eu que negociei." A negociação refere-se ao recebimento, que ele admite, de R$ 150 mil em propina quando era aliado do prefeito Barbosa Neto, para quem teria repassado o dinheiro, no escândalo dos uniformes escolares. Interessante o ponto de vista do prefeito. Com base nesta linha de raciocínio, uma prostituta - com todo o respeito - pode não se considerar prostituta por não gozar quando atende seus clientes.

De Barbosa a Ribeiro

A  confissão ao Ministério Público, do prefeito de Londrina Joaquim Ribeiro, de que teria recebido R$ 150 mil de propina quando ainda era aliado de Barbosa Neto na administração deste, tem causado rebuliço. Os ânimos estão exaltados no meio político, no processo eleitoral e assanha eleitores, inclusive aqueles que batem cartão na urna uma vez a cada dois anos; e uma semana depois esquecem em quem votaram.

A cassação de Barbosa Neto e o iminente afastamento (ou cassação) de Joaquim Ribeiro traz muita reflexão aos envolvidos e, principalmente, a Londrina, uma cidade acostumada a frequentar as páginas policiais da política. Arrisco algumas considerações.

O espanto de alguns segmentos com a confissão de Ribeiro soa falso. Afinal, Ribeiro era vice de Barbosa Neto. Uma chapa é composta por afinidades. Barbosa já era investigado na Operação Gafanhoto. Não era novidade para ninguém.

A pressão de entidades como OAB, Acil, Sociedade Rural para a renúncia de Ribeiro soa oportunista. Afinal, essas mesmas entidades não se juntaram ao Movimento Popular contra a Corrupção: Por Amor a Londrina, que mobilizou segmentos populares e sindicais. Esse movimento ajudou na pressão que cassou Barbosa. Onde estavam as indignadas entidades?

A indignação dos londrinenses para o trato com a coisa pública soa hipócrita. Basta lembra que essa cidade elegeu Antonio Belinati três vezes prefeito. Ele só não assumiu a quarta vez porque sua candidatura foi impugnada pela lerda Justiça Eleitoral, depois de eleito no segundo turno de 2008. Isso aí, mesmo depois de ter sido alvo de quase 100 ações do Ministério Público no chamado escândalo AMA/Comurb.

Espanto. Pressão. Indignação. Parecem ingredientes de uma receita indigesta. E são, mas uma indigestão passageira. Basta ver o cenário das eleições 2012. A preferência do eleitorado caminha para Belinati, o sobrinho. Gostaria de discutir as qualidades do candidato e seus feitos para a cidade. E o que fez Marcelo Belinati enquanto vereador?

Puxo pela memória, fuço nas lembranças, recorro às recordações. Não me lembro de um único projeto significante para a cidade, o que não quer dizer que eles não existam. Neste contexto, espanto, pressão e indignação têm prazo de validade, conforme o interesse dos envolvidos e a falta de vontade de discutir e fazer política da maioria.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Que dia é amanhã?

Amanhã é 7 de Setembro.
Verde, amarelo, azul e branco.
A Bandeira representa riqueza.
Riqueza devidamente concentrada.


Amanhã é 7 de Setembro.
Que venha o progresso!
Desmatamento não importa.

Fazenda improdutiva não importa.
Trabalho escravo em terras griladas não importa.


Amanhã é 7 de Setembro.
Que venha a ordem!
Invadir terra ociosa é crime.
Roubar para comer é crime.


Amanhã é 7 de Setembro.
Subemprego não importa.
Submoradias não importam.
Subalimentação não importa


Amanhã é 7 de Setembro
A educação anda mal educada.
A saúde anda doente.
A segurança anda insegura.


Amanhã é 7 de setembro.
Feriado prolongado.
Sol, cerveja, churrasco.
Que venha 7 de setembro.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Candidato sem noção

A Creide está horrorizada com o que vê - dos candidatos a vereador - durante o horário político eleitoral.
__Não acredito no que ouço e vejo todos os dias.

É que a maioria dos candidatos promete o que não vai conseguir realizar.
__Pior! É por falta de conhecimento da atuação do vereador.

Uns dizem que vão construir mais casas populares.
Alguns prometem acabar com a violência.
Outros garantem que vão aumentar as vagas nas creches. 
Há aqueles que afirmam que vão trazer indústrias para a cidade. 

__Até parece que são candidatos a prefeito. Oh! gente sem noção!

sábado, 1 de setembro de 2012

Inquietudes (135) do Rei

O sucesso é o resultado do esforço individual, é uma conquista pessoal. Esse conceito prevalece em uma sociedade fragmentada que enaltece o individualismo. É por isso que quando alguém fracassa, torna-se o único responsável pelo seu infortúnio. É a velha mania da humanidade de, inclusive, culpar a vítima pelo crime que sofreu.

Semelhanças