quarta-feira, 12 de setembro de 2012

De Barbosa a Ribeiro

A  confissão ao Ministério Público, do prefeito de Londrina Joaquim Ribeiro, de que teria recebido R$ 150 mil de propina quando ainda era aliado de Barbosa Neto na administração deste, tem causado rebuliço. Os ânimos estão exaltados no meio político, no processo eleitoral e assanha eleitores, inclusive aqueles que batem cartão na urna uma vez a cada dois anos; e uma semana depois esquecem em quem votaram.

A cassação de Barbosa Neto e o iminente afastamento (ou cassação) de Joaquim Ribeiro traz muita reflexão aos envolvidos e, principalmente, a Londrina, uma cidade acostumada a frequentar as páginas policiais da política. Arrisco algumas considerações.

O espanto de alguns segmentos com a confissão de Ribeiro soa falso. Afinal, Ribeiro era vice de Barbosa Neto. Uma chapa é composta por afinidades. Barbosa já era investigado na Operação Gafanhoto. Não era novidade para ninguém.

A pressão de entidades como OAB, Acil, Sociedade Rural para a renúncia de Ribeiro soa oportunista. Afinal, essas mesmas entidades não se juntaram ao Movimento Popular contra a Corrupção: Por Amor a Londrina, que mobilizou segmentos populares e sindicais. Esse movimento ajudou na pressão que cassou Barbosa. Onde estavam as indignadas entidades?

A indignação dos londrinenses para o trato com a coisa pública soa hipócrita. Basta lembra que essa cidade elegeu Antonio Belinati três vezes prefeito. Ele só não assumiu a quarta vez porque sua candidatura foi impugnada pela lerda Justiça Eleitoral, depois de eleito no segundo turno de 2008. Isso aí, mesmo depois de ter sido alvo de quase 100 ações do Ministério Público no chamado escândalo AMA/Comurb.

Espanto. Pressão. Indignação. Parecem ingredientes de uma receita indigesta. E são, mas uma indigestão passageira. Basta ver o cenário das eleições 2012. A preferência do eleitorado caminha para Belinati, o sobrinho. Gostaria de discutir as qualidades do candidato e seus feitos para a cidade. E o que fez Marcelo Belinati enquanto vereador?

Puxo pela memória, fuço nas lembranças, recorro às recordações. Não me lembro de um único projeto significante para a cidade, o que não quer dizer que eles não existam. Neste contexto, espanto, pressão e indignação têm prazo de validade, conforme o interesse dos envolvidos e a falta de vontade de discutir e fazer política da maioria.

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