sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Língua humana

Ela é um "órgão oblongo, achatado, musculoso e móvel, da cavidade bucal e que é o órgão principal da deglutição, do gosto e, no homem, da articulação das palavras."

As papilas arreganham-se com o doce, o amargo, o azedo, o salgado, o picante, o adstringente. A língua promove sensações, resgata lembranças, acaricia as memórias, provoca os sentimentos.

Todo elemento no universo é dual. Duplos que se completam. Aspectos dobrados.  É na articulação das palavras que a língua revela seu potencial de maldade, sua capacidade destrutiva. 

A língua fere.
A língua discrimina.
A língua rotula.
A língua machuca.
A língua exclui.


Em períodos de conflito, em episódios de tensão, em épocas difíceis, a língua se revela: ferina, comprida, suja, linguaruda.

A língua calunia.
A língua difama.
A língua mente.
A língua destrata.
A língua inventa.


A língua é boa e ruim.
Mas apenas cumpre ordens.
As nossas.

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