segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Londrina 2º turno, algumas considerações

As eleições 2012 em Londrina terminaram bem diferente da forma que começaram. Em sã consciência, duvido que alguém imaginava Alexandre Kireeff (PSD), 3% alguns meses atrás, prefeito eleito da cidade.
Nem os mais otimistas marketeiros da campanha. Marcelo Belinati (PP), vereador por dois mandatos, parecia eleito no primeiro turno com margem folgada, já que liderava as pesquisas desde o início. Arrisco algumas considerações sobre o pleito deste ano, não necessariamente na ordem apresentada.

1) O sobrenome famoso Belinati, do tio Antonio - prefeito três vezes, eleito sem assumir uma quarta, afastado, cassado e preso - é amado e odiado. O sobrenome mais atrapalhou que ajudou Marcelo, na reta final, que deixa a vida pública, pelo menos nos dois próximos anos. 

2) Marcelo Belinati também padeceu do salto alto. A coordenação da campanha - que se achava vencedora no primeiro turno - deve ter acreditado que a diferença de votos elegeria o sobrinho do tio famoso. O candidato mostrou-se inapto a angariar a maioria dos votos que poderia fazer a diferença. Menos de 3 mil votos. Faltaram esforços da campanha? Faltou competência para dizer que o sobrinho não era o tio? Enfim, são questões que devem estar atormentando o alto escalão da campanha nesta segunda-feira quente, úmida e abafada.

2) Alexandre Kireeff foi catapultado ao segundo turno, como uma terceira via. Os eleitores que provocaram o segundo turno não queriam os de sempre: o PT da Márcia Lopes, o PDT do Barbosa e o PMDB do Cheida. A aposta foi no desconhecido, que os cientistas políticos teimam em chamar de renovação. O que não deixa de ser uma meia verdade.

3) Alexandre Kireeff aposta numa tal gestão técnica, deve ser a chamada eficiência empresarial, da qual tanto conhece, como se não houvesse desperdício, corrupção ou incompetência nas empresas, mas enfim... Quando um técnico, sinônimo de alguém que nunca assumiu um cargo público, chefia uma secretaria municipal ou uma diretoria precisa de sustentação política. Necessita do político para dar guarita as suas medidas. E não há nada de mal nisso. A gestão deve ser política. E das boas.   

4) Os votos nulos ou brancos ou as abstenções ajudam quem está à frente. Pura balela. Quem não vota ou anula não pode reclamar depois. Pura balela 2. O voto, nessas circunstâncias, é legítimo se for a expressão da vontade consciente do eleitor.

5) Os votos nulos ou brancos ou as abstenções são uma forma de protesto, caso o eleitor entenda que não há porque escolher entre o ruim e o pior, contrapondo à frágil argumentação da grande maioria dos que defenderam o voto em Kireeff, por exemplo, nas redes sociais. Muitos votaram no candidato, não por suas qualidades, mas por causa dos defeitos e da herança do belinatismo.

6) A internet que é terra de ninguém e, por isso mesmo, de todo mundo, mostrou-se um verdadeiro laboratório de ensaio para iniciar ou apagar incêndios. As campanhas eleitorais não podem mais se dar ao luxo de ignorar a palavra internética dos navegantes. Mais que palavras, essas expressam sentidos e vontades, sentimentos e desejos. Por isso, é uma fonte inesgotável de aprendizado tanto para os candidatos quanto para os seus marketeiros.

7) Passadas as eleições, a cidade espera ter no comando alguém que possa executar as propostas e as promessas feitas. Kireeff diz que quer uma forma diferente de fazer política. No entanto, o sistema político não mudou e, nesta perspectiva, estão a composição dos nomes para o primeiro escalão, o relacionamento com a Câmara Municipal, a relação com a sociedade e, principalmente, com o eleitor londrinense. Todos os eleitores e não apenas os que votaram nele. 

Nenhum comentário: