terça-feira, 20 de novembro de 2012

Periquita recauchutada

Leio na Folha de Londrina, na seção Folha Saúde, desta segunda-feira (dia 19), uma matéria instigante. Com o sugestivo título "Cresce adesão ao 'rejuvenescimento' íntimo", a matéria aborda a "técnica que utiliza laser (e) melhora esteticamente a vagina".

"A questão estética da vagina interfere de forma inconsciente na vida sexual das mulheres", afirmou o ginecologista Carlos Miranda à repórter Michelle Aligleri.

Os especialistas recomendam que as mulheres recorram à técnica quando houver necessidade fisiológica. Claro que a recomendação fisiológica não vai ser seguida. Por que esperar quando se pode dar uma calibrada na danada e deixá-la mais bonita e atraente? 

Pior, as periquitas esteticamente renovadas não vão desfilar por aí para darmos um parecer sobre o resultado da operação. Que graça tem isso? Esses médicos criam obras de arte com novos padrões estéticos para a vagina  e poucos (ou poucas) verão.

Que tal exposições fotográficas com o antes e o depois? Seria um instrumento didático para democratizar o acesso às perseguidas renovadas e funcionaria como um catálogo. __Amorzinho que tal essa daqui? Acho que ficaria ótima pra você. 

Numa sociedade que valoriza excessivamente o corpo e os padrões estéticos é  até compreensível que mulheres busquem transformar a perseguida numa Angelina Jolie. Já imaginaram os grandes lábios (da boca) da atriz numa periquita recauchutada?

No mercado, profissionais e indústria andam de mãos dadas, criando necessidades, muitas vezes, desnecessárias. Usam até a genitália alheia para ganhar dinheiro. Ops! Usar a genitália para ganhar dinheiro não seria um tipo de prostituição? 

E o público consumidor, que adora uma novidade, arrisca a própria saúde para satisfazer desejos e vontades criadas por terceiros. Vai às compras e escolhe peitos novos, levanta as nádegas, injeta gordura na boca, corta aqui, espicha ali. Tudo em nome da beleza, se ficar com saúde, melhor ainda. 

Claro que existem vantagens nesse processo. A sexagenária que se veste como menininha vai poder dizer. __Tenho 60 anos e uma periquita de 25. Se a Hebe tivesse viva, diria: __Que gracinha!

Não se trata de negar os avanços da tecnologia, da medicina e da indústria. Devemos fazer com eles nos sirvam e não o contrário. Viver em função da aparência é viver de aparências. Simples assim.

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