domingo, 16 de dezembro de 2012

Cerca elétrica

Cultivo à violência

A agressão aos direitos humanos é milenar e, talvez, hoje tenhamos um dos períodos mais tranquilos da história da humanidade.

Jogar cristãos aos leões e queimar mulheres acusadas de bruxaria não são contos de fadas. 

A sociedade cultiva a violência porque gosta dela. 

E nesse culto, a cultura midiática é pródiga na produção e na difusão da violência.

sábado, 15 de dezembro de 2012

A novela do mensalão

No julgamento da Ação Penal 470, o Supremo Tribunal Federal (STF) cumpriu um roteiro próximo ao de uma novela.

O ministro relator Joaquim Barbosa cumpriu o papel do protagonista, o mocinho - primeiro ministro negro - e foi alçado à  condição de vingador.

O ministro relator Ricardo Lewandowsk vestiu o figurino do vilão, defendendo os bandidos acusados.

Outros ministros disputaram o papel de coadjuvante, num script cumprido ora por Gilmar, ora por Celso, ora por Rosa, ora... por quem mesmo?

A imprensa atiçou o julgamento reportando a velha pauta midiática no horário da manhã, do início da tarde, da tarde, da noite e da madrugada. 

O domínio do fato caiu na boca da audiência como o sapato da protagonista, o conjuntinho da vilã ou os acessórios da bandida.

E por falar em audiência, o brasileiro também seguiu a risca o script formal  da dramaturgia do julgamento, esquecendo-se da trama e substituindo os personagens por outros. 

Reza a tradição que antes do fim de uma trama, o início de outra seduz ainda mais os telespectadores. Afinal, o espetáculo não pode parar.

Voluntário já foi militante

E o militante virou voluntário. 

Isso mesmo, voluntário, aquele que realiza alguma coisa de forma espontânea, sem obrigação, por amor. 

Mas voluntário tem compromisso... de voluntário. 

Sabe aquela festa junina de colégio de classe média alta cujos estudantes vão ao asilo?

E aí, a menina de 15 anos dá entrevista para o jornal e diz que "o grupo veio trazer um pouco de alegria para os velhinhos". 

Quanto idoso sortudo!

Um dia de felicidade e 364 dias de tristeza.

Isso que é voluntariado, se fossem militantes, as ações eram permanentes.

Inquietudes (150) do Rei

As redes sociais são o palco perfeito para os simulacros e as simulações conceituadas por Jean Baudrillard. Afinal, no mundo virtual, com vidas tão profundas quanto um monitor LCD, "dissimular é fingir não ter o que se tem. Simular é fingir ter o que não se tem." 

Inquietudes (149) do Rei

A Folha de S.Paulo que, durante a semana toda, deu destaque às novas acusações velhas a Lula, publicou - sem ênfase - que as procuradoras que tomaram o depoimento de Marcos Valério não confiam no depoimento do operador do mensalão. 

As procuradoras não confiam no depoimento do acusado condenado pelo STF a algumas décadas de cadeia, mas o teor do documento, sob responsabilidade da Procuradoria Geral da República, vazou e a imprensa publicou muitas manchetes com as acusações a Lula. 

Chamaria isso de contradição, se não fosse calhordice.