sábado, 15 de dezembro de 2012

A novela do mensalão

No julgamento da Ação Penal 470, o Supremo Tribunal Federal (STF) cumpriu um roteiro próximo ao de uma novela.

O ministro relator Joaquim Barbosa cumpriu o papel do protagonista, o mocinho - primeiro ministro negro - e foi alçado à  condição de vingador.

O ministro relator Ricardo Lewandowsk vestiu o figurino do vilão, defendendo os bandidos acusados.

Outros ministros disputaram o papel de coadjuvante, num script cumprido ora por Gilmar, ora por Celso, ora por Rosa, ora... por quem mesmo?

A imprensa atiçou o julgamento reportando a velha pauta midiática no horário da manhã, do início da tarde, da tarde, da noite e da madrugada. 

O domínio do fato caiu na boca da audiência como o sapato da protagonista, o conjuntinho da vilã ou os acessórios da bandida.

E por falar em audiência, o brasileiro também seguiu a risca o script formal  da dramaturgia do julgamento, esquecendo-se da trama e substituindo os personagens por outros. 

Reza a tradição que antes do fim de uma trama, o início de outra seduz ainda mais os telespectadores. Afinal, o espetáculo não pode parar.

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