quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O diagnóstico

Ele recebeu o diagnóstico em 2003. Prolapso da Válvula Mitral. O tal prolapso é conhecido popularmente como sopro no coração. Alguns têm um soprinho e vão ter uma vida normal sem que seja atormentado. Outros terão um sopro moderado, talvez com algumas restrições, mas viverão bem também. Outros passarão de sopro para ventania e vão, necessariamente, precisar de uma cirurgia. Este é o caso dele, segundo o cardiologista.

__Mais cedo ou mais tarde, vamos precisar abrir o seu coração para corrigir essa anormalidade. 

A Sociedade Brasileira de Cardiologia explica que "a válvula mitral normal compõe-se em dois finos folhetos localizados entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo. [...] Quando o ventrículo se contrai, os folhetos da válvula mitral se ajustam perfeitamente, prevenindo o refluxo de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo. Quando os ventrículos se relaxam as válvulas se abrem permitindo que o sangue oxigenado dos pulmões encha o ventrículo esquerdo." 

No caso dele, a anormalidade da mitral é congênita, de nascença mesmo. Eita, já nasceu com o coração soprando ou como diria sua mãe: assoprando. E não está errado! A Língua Portuguesa aceita as duas versões. Quem tem um sopro no coração pode dizer - sem medo de errar - que tem um assopro.   

Nos pacientes que tiveram o diagnóstico de prolapso ou sopro, a válvula mitral não funciona como o descrito tecnicamente acima. A mesma Sociedade Brasileira de Cardiologia explica que "o aparelho mitral (valvas e cordoalhas) é acometido por um processo chamado degeneração mixomatosa, onde a estrutura protéica do colágeno, o tecido que compõe as valvas, leva ao espessamento, alargamento e redundância dos folhetos e cordoalhas."

A explicação técnico-científica abusa de uma linguagem sofisticada para rotular o que pode, popularmente, ser definido como: válvula frouxa. Isso mesmo, espessamento, alargamento são sinônimos, neste caso, de frouxidão, de dilatação, de extensão, enfim... de moleza. Tudo bem, ainda é preferível falar ou ouvir que se tem um prolapso na válvula mitral a falar ou ouvir que se tem uma válvula cardíaca frouxa. 

O problema do prolapso valvar, outra expressão sofisticada - ainda bem! - é que "quando o ventrículo se contrai, os folhetos redundantes projetam-se (prolapsam) para o átrio esquerdo, chegando às vezes a permitir a regurgitação do sangue para dentro do átrio esquerdo. Quando importante, a regurgitação mitral pode levar à insuficiência cardíaca e à anormalidades do ritmo do coração."

Em letras crônicas, isso significa dizer que a válvula não fecha totalmente, permitindo que o sangue volte, podendo inchar o coração até que isso comprometa suas funções, levando a problemas ainda mais sérios. Portanto, o paciente diagnosticado com tal anormalidade - não é uma doença - precisa tomar cuidados - aí sim - para evitar enfermidades.

A profilaxia antes de procedimentos odontológicos é obrigatória. Em letras crônicas, a profilaxia consiste em tomar antibióticos para evitar infecções que podem causar doenças do coração, como a endocardite, "uma doença grave, que resulta usualmente da invasão de microorganismos (bactéria ou fungo) em tecido endocárdico ou material protético do coração." 

Geralmente, os diagnosticados com prolapso da válvula mitral não apresentam sintomas e é aí que pode dar merda. Quando os sintomas aparecem pode ser tarde demais. Por isso, quanto antes realizar o diagnóstico, melhor para o portador do tal prolapso.

Ele é um paciente assintomático, ou seja, não apresenta os sintomas que já podem comprometer as funções do seu coração. E para corrigir tal anormalidade, somente uma cirurgia. Tema para o próximo texto.  

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