domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sobre partidos e políticos

Marina Silva, a candidata a presidenta que fez quase 20% de votos nas eleições de 2010, acaba de lançar seu partido. O nome da nova sigla será Rede e a ex-petista e ex-verde quer contar com o apoio dos ambientalistas.

Se quiser ser candidata em 2014, à Presidência da República, Marina terá que correr para oficializar a tal Rede, porque tem de cumprir prazos rígidos da Justiça Eleitoral.O lançamento deste novo partido suscita algumas questões interessantes para reflexão. Arrisco alguns pitacos.

1) As siglas são tratadas como meio de viabilização para projetos que passam pela decisão de suas estrelas. Marina Silva é apenas um exemplo. Saiu do PT foi para o PV, se desentendeu e cria outra sigla. Outro exemplo recente e ruidoso de sobrevida partidária é o do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que deixou o DEM para cacifar o PSD. DEM já foi PFL, que já foi PDS, que já foi Arena. Lula, por exemplo, tirou da manga, uma desconhecida. Dilma foi eleita sem ter cumprido um único mandato eletivo.

2) A troca de partidos políticos ou a mudança para novas agremiações não é uma medida saudável, apesar de democrática, para a criação e o fortalecimento da cultura política do país. Existe no Brasil, uma tendência de criminalizar a política e essas atitudes reforçam o caráter de que “político não presta”, afastando principalmente os jovens.

3) Um partido é a somatória das suas disputas internas. E vence aquele com maior poder de persuasão. Se fosse simples assim, seria um fator para ovacionar a democracia, no entanto, o dinheiro fala mais alto e vence quem tem mais poder. Que o digam todas as estrelas dos nossos partidos.

4) O alinhamento federal dos partidos políticos não se repete obrigatoriamente nas instâncias estaduais e municipais. Além disso, esse alinhamento é mais por ocasião do que por diretriz programática ou ideológica. É por isso que há cidades e estados governos por alianças entre PT e PSDB; DEM e PV. Isso para citar apenas dois casos emblemáticos.

5) Corre por baixo na esteira das coligações o financiamento eleitoral. As atuais regras, apesar de mais rígidas se comparadas à outrora, ainda não são suficientes para coibir abusos econômicos de partidos e candidatos. Muitos empresários vêem na contribuição partidária uma forma de amarrar seus preferidos, para ter destaque em licitações. O Ministério Público está aí para provar tal promiscuidade. O financiamento público de campanha precisa ser debatido com seriedade.

É por esses e muitos outros motivos, que o Brasil precisa urgentemente de sua reforma política. Uma reforma que seja capaz de dar coerência ao partidarismo e à atuação de seus políticos. Se o bom senso foge aos que querem fazer política, que as regras eleitorais possam ser o freio em suas más intenções, mesmo que travestidas de bom mocismo. E que a definição dessas regras tenham participação popular efetiva. Do contrário, qualquer mudança vai continuar beneficiando os beneficiados de sempre.

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