sábado, 23 de fevereiro de 2013

Somos tolerantes demais

O pedido nesta semana do presidente da Sociedade Rural do Paraná, em Londrina, Moacir Sgarioni, para que a polícia seja tolerante na fiscalização da lei seca durante os dias da Expo 2013, é absurdo mas não chega a causar surpresas.

Somos tolerantes a maior parte do tempo.

Nossa sociedade, ou parte importante dela, tolera a violência contra a mulher e ainda justifica que ninguém deve meter a colher.

Nossa sociedade, ou parte importante dela, tolera o trabalho infantil e muitos ainda promovem a exploração sexual de crianças e adolescentes.

Nossa sociedade, ou parte importante dela, tolera a corrupção de políticos e de empresários justificando que isso faz parte da cultura do país.

Nossa sociedade, ou parte importante dela, tolera a violação dos direitos do trabalhador e muitos ainda comemoram brindando em colunas sociais. 

Nossa sociedade, ou parte importante dela, tolera a violência policial, quando o alvo é um jovem negro da periferia. O mesmo não acontece quando o alvo (raro, claro!) é um jovem branco filho da classe média ou alta.

Nossa sociedade, ou parte importante dela, tolera o estado de caos da saúde pública e da educação e fica feliz com o meio fio pintado e com as rotatórias coloridas de florzinhas.

Nossa sociedade, ou parte importante dela, tolera o preconceito e a discriminação e ainda culpa as vítimas argumentando que são responsáveis diretas por seus infortúnios. 

Nossa sociedade, ou parte importante dela, tolera os problemas sociais até quando não se sente prejudicada. Você já viu algum estudante atacando as cotas porque não passou no sistema universal?

Nossa sociedade, ou parte importante dela, é tolerante demais principalmente quando é beneficiada. A intolerância nasce quando ela perde vantagens e privilégios, mas esses diferem de direitos e conquistas legítimas.

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