sábado, 30 de março de 2013

Judas modernos

Judas foi o homem que traiu Jesus Cristo com um beijo. Teria sido ele um traidor mesmo? Ou o homem que cumpriu o papel para que Jesus fosse o Cristo e morresse pela humanidade? Crucificado. Morto. Sepultado. Ressuscitado.

A história não costuma amenizar para os que são considerados traidores e, no Sábado de Aleluia, a tarefa é malhar o Judas. Quanto mais pancada, melhor. Um boneco cumpre o papel do apóstolo traidor. Uma surra. Um ritual. Uma tradição. 

A malhação do Judas, no Sábado de Aleluia, perdeu o encanto para muitas comunidades, assim como se perderem tantas outras tradições. Malhar, além de levantar peso para secar o abdômen (academia é um poucos lugares que barriga vira abdômen) tem outros significados.
  
Malhar é sinônimo também de escarnecer, zombar de, falar mal de... E na sociedade da internet, as tradições mudam o foco mas mantêm o mesmo procedimento: a malhação, agora cibernética que produzem judas modernos, merecedores ou não das pancadas que levam.

Os judas modernos são políticos, celebridades, subcelebridades, atletas, empresários, protagonistas ou coadjuvantes de acontecimentos chocantes, gente comum. A web corre em rastro como pólvora acesa. A web escarnece, zomba, fala mal. 

Humilhação. Injúria. Calúnia. Difamação. Malhação pública. Por que? O ser continua tão humano quanto no tempo de Judas Iscariotes, mas a tradição do Sábado de Aleluia vai sendo trocada pela malhação cibernética de todo santo dia.

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