sábado, 2 de março de 2013

Quanta cafonice!

Fazia muito tempo que não ouvia a palavra cafona. Nesta semana, uma amiga caracterizou um sujeito. E ela tem razão.

__Nossa! como ele é cafona!

Ela referia-se à roupa do elemento e seus cabelos tingidamente escovados. Realmente ter dinheiro não é sinônimo de vestir-se bem.

Há muito rico cafonamente vestido e muito pobre elegantemente trajado. Exagero e simplicidade. Atributos da cafonice e da elegância.

Dicionários da Língua Portuguesa associam o sentido da cafonice ao mau gosto, principalmente, para escolher e usar roupas.

No entanto, a cafonice pode deixar o guarda-roupa e aderir a outras situações. Tomada como sinônimo de mau gosto pode-se verificar que a cafonice domina muitos cenários.

Em política, por exemplo, um grupo ideológico desqualifica a ideologia do outro, achando-se melhor e acima de suspeitas.

A passagem da blogueira Yoani Sanches pelo Brasil fez emergir, nas manifestações contra a cubana, termos que muitos acreditavam enterrados.

Há quem classifique de cafonas expressões do tipo imperialista, ianque, estadunidense e burguês.

A tentativa de desqualificar esses termos também revela uma cafonice. Afinal é de muito mau gosto não respeitar o universo alheio.

No Brasil atual, há uma explícita criminalização da política. Segmentos importantes taxam de cafonas os políticos e os partidos.

No entanto, parte desses segmentos esconde ou ameniza o mau gosto de empresários corruptores e sonegadores.

Como se vê a cafonice é uma via de mão dupla. Afinal corruptos e corruptores são os dois lados do mau gosto dos desvios de recursos públicos.

Ainda associando a cafonice ao mau gosto, pode-se tomar outros exemplos.

Cafona é explorar mão-de-obra infantil.
Cafona é comprar produtos de empresas acusadas de trabalho escravo.
Cafona é votar em político ficha-suja.
Cafona é destilar preconceito e promover a discriminação. De qualquer tipo.
Cafona é atacar os benefícios dos outros quando se está sentado em muitos privilégios.
Cafona é não respeitar o gosto dos outros, achando elegantes os próprios gostos. 


Enfim, a cafonice é mais recorrente do que imaginamos e gostaríamos.

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