quarta-feira, 24 de abril de 2013

A primeira pedra

A aprovação do casamento gay pelo Parlamento francês ontem (dia 23) provocou a ira dos contrários à medida. Alguns extremistas (sim porque chegaram ao extremo) provocaram manifestações violentas contra a aprovação da proposta.

Tanto cá quanto lá, a ladainha (substantivo bastante apropriado para o caso em virtude do viés religioso) bate na iniciativa que – dizem – ataca a família. Isso leva a uma inquietude óbvia. Gay não é fruto de famílias também? Gay não tem pai, mãe ou irmãos?

No caso francês, o ódio à medida é ampliado porque na votação de ontem, os casais gays poderão adotar crianças. Os contrários à proposta recorrem à bola de cristal para atestar que filhos de pais gays sofrerão preconceito e discriminação. Deles próprios, certo!

Coitadas dessas crianças! Serão vítimas de perseguição na escola, na faculdade e na vida, mas tudo bem! poderão unir-se aos gordos, aos magrelos, aos feios, aos pobres, aos deficientes, às vadias e tantos outros seres que não fazem parte do grupo seleto do padrão social. E quem faz mesmo? 

E o pior da história é ler e ouvir argumentos que passam pelo crivo de Deus. Sim, porque muitos justificam seus preconceitos recorrendo à Bíblia, naturalmente aos trechos que lhe são convenientemente convenientes.

Alguma coisa está errada quando as pessoas usam Deus para justificar seus preconceitos e corroborar suas atitudes. Aquela história de que é necessário amar o pecador, mas odiar o pecado, não convence por ser superficial. Porque, na prática, quem discrimina odeia aquele que considera ser pecador. Portanto, atire a primeira pedra e todos sairão machucados.

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