quinta-feira, 4 de abril de 2013

Bolsa-Socorro-Empresário

Notinha de hoje (04/04) da colunista do conservador diário Estadão - Dora Kramer - cujos textos são reproduzidos por muitos jornais regionais Brasil afora, é reveladora.

“Nem pensar
A presidente Dilma Rousseff ouviu, e negou socorro do governo ao empresário Eike Batista. Da reunião-apelo participaram representantes do BNDES, Itaú, Bradesco, BGT-Pactual e o próprio Eike, em dificuldades para honrar as dívidas com todos eles. Dilma ainda alertou que, se algo de pior vier a acontecer aos negócios do empresário símbolo (pelo jeito com pés de barro) da prosperidade nacional, isso afetará ainda mais a disposição interna e externa do setor privado para investir no Brasil.”


O temor é que o empresário Eike Batista não consiga honrar seus compromissos. Os credores de Batista andam atormentados com essa possibilidade. Tanto que representantes de bancos privados – como Bradesco e Itaú - participaram de reunião com a presidenta. Além disso, os empréstimos do BNDES ao empresário chegam a R$ 10 bilhões.

Segundo o jornal Valor Econômico, a Standard & Poor’s, empresa que pesquisa e analisa valores e títulos na Bolsa de Valores, “rebaixou a nota de crédito da OGX [empresa de Eike Batista] de B para B-“. Na prática, isso significa queda no poder da empresa de Eike Batista de pagar suas dívidas. O risco Eike Batista pode contaminar toda a economia brasileira.

Conforme o Valor, “segundo a agência, o principal fator por trás do rebaixamento foi o desempenho operacional pior que o esperado no ano passado. A principal frustração veio com a produção e a produtividade por poço abaixo do esperado.” De forma mais explícita é que Eike prometeu muitos empreendimentos que não vão dar o retorno prometido.

Essa situação suscita algumas considerações sobre o modelo de desenvolvimento apoiado na promessa de lucro fácil.

1) O empresário neoliberal, aquele que não quer que o estado regule o mercado, deixa essa condição quando tem prejuízo e recorre ao Bolsa-Socorro-Empresário. Para esses, o estado não deve se meter quando o mercado lucra, apenas quando tem prejuízo.

2) Muitos empresários e investidores são contra os programas de transferência de renda. Para os pobres. Regar dinheiro público nas empresas de Eike Batista não é uma forma de transferência de recurso público?

3) Bancos privados não querem perder seus lucros e pressionam o governo para despejar dinheiro nas empresas de Batista, para que possam receber seus empréstimos.

4) O mundo das ações e das bolsas de valores é construído sobre um terreno pantanoso: o investimento especulativo. Quando uma grande empresa ou banco quebra, arrasta junto a economia de um país, quando não do mundo todo.

5) Muitas vezes, o mercado vende a imagem de uma eficiência que não tem. A publicidade é realmente a alma do negócio, mesmo que o negócio seja instável.

6) O sistema capitalista do jeito que se apresenta – alta concentração de ricos e pobres – mostra-se incapaz de resolver questões básicas da maioria da população.

7) Qual o melhor modelo de desenvolvimento de uma nação? Qual o papel do estado nesse desenvolvimento? Quais os limites da relação ente estado e mercado? Enfim, esse é um tema com muitas perguntas, cujas respostas não agradam muita gente.

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