sexta-feira, 17 de maio de 2013

A internet é plural

Dados de uma pesquisa, divulgada nesta semana, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o acesso à internet no Brasil teve crescimento de 144% entre os anos de 2005 e 2011. Em 2005, 20,9% dos brasileiros tinham acesso à web; em 2011, esse número saltou para 46,5%, ou seja quase a metade do Brasil acessa atualmente a rede mundial de computadores.

A internet desenvolveu-se de forma mais rápida e conquistou seus públicos em menos tempo do que os jornais impressos, as emissoras de rádio e de televisão. Gerações estão deixando os meios tradicionais para aderir aos domínios www. Afinal conforme o IBGE, todas as faixas etárias e classes sociais registraram aumento no acesso à internet. De pobre a rico; de jovem a idoso. 

E quais os fatores que levaram a esse aumento? Quais as causas que facilitaram a adoção da internet como meio de informação e entretenimento? Com a palavra economistas e sociólogos cujas explicações tentam captar o fenômeno do ponto de vista econômico, social e cultural. Afinal, essa situação revela mudança no comportamento do expectador, que - com a internet - deixou de ser mero consumidor para produzir conteúdos. Se com qualidade, é outra história.

O que chama a atenção na explosão de acessos à web é uma característica que incomoda os meios tradicionais de comunicação: a diversidade. A internet é plural e, por isso, movimenta ideias em todos os sentidos, produzindo significados diferentes para os segmentos que a experimentam. A pluralidade da web é potencializada pela interatividade. O espaço de comentários é alçado à condição de elogio, crítica, repreensão; um lugar para declarações de amor e de ódio.

Além dos espaços de comentários, é com as ferramentas desenvolvidas pela internet, como as redes sociais, que o cidadão comum pode falar e, principalmente, ser ouvido. Ele encontra terreno para discutir ideias; exibir  fotos; publicar vídeos; compartilhar textos e/ou imagens; debater ou brigar com famosos e/ou autoridades. A internet é um meio que permite ao cidadão sair da condição de comum e sentir-se especial porque é ouvido. Se com qualidade, é outra história.

A internet é plural porque cabem nela o amor e o ódio a Lula e ao PT e porque cabem também o amor e o ódio a FHC e ao PSDB. Cabem também a simpatia e a antipatia aos outros partidos e políticos, satélites na polarização tucano-petista.

A internet é plural porque cabem nela reclamações contra empresas que se mostram mais ágeis para resolver os problemas publicados por seus clientes. A internet vai engolir o telefônico 0800.

A internet é plural porque cabem nela os projetos dos ruralistas e seus movimentos e porque cabem também as denúncias e as ações dos ecologistas.

A internet é plural porque cabem nela o combate ao preconceito, a discriminação e os preconceituosos, o apoio e o ataque aos direitos humanos. 

A internet é plural porque cabe nela o orgulho de ser negro, de ser branco, de ser gay, de ser hetero, até de ser nazista, de ser católico, de ser evangélico, de ser espírita, de ser umbandista, de ser budista, de ser candomblecista, de ser ateu.

A internet ganhou espaço e conquista milhões de acessos diariamente exatamente porque é plural. Se com qualidade é outra história. Mas é bom que continue assim. Afinal, parafraseando a presidenta Dilma, é melhor o barulho da internet ao silêncio do pensamento único da mídia tradicional.

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