quarta-feira, 1 de maio de 2013

Beto, o excomungado

O padre Roberto Francisco Daniel, o Beto, do interior paulista (Bauru), ganhou notoriedade nos últimos dias. Em vídeo, o padre admite a possibilidade de amor entre pessoas do mesmo sexo, incluindo bissexuais.

Por conta dos questionamentos aos dogmas da Igreja Católica, o padre recebeu um prazo da Diocese de Bauru para "confessar o erro", por suas polêmicas declarações que ganharam o mundo, por meio da internet. 

Certo de suas convicções, o padre não confessou o erro e ainda reafirmou suas crenças desafiou a Cúpula Católica. Em missa, conforme o jornal Folha de S.Paulo, Roberto Francisco Daniel disse que para "Jesus Cristo não existia preconceito". E foi além. "Jesus amava os seres humanos independentemente da condição social, da raça e da sexualidade."

O desafio foi aceito pela igreja. O padre foi pedir o desligamento de seus ofícios e funções, que não foi aceito. Ele foi informado que estava excomungado. A razão de tal procedimento foi contestar "dogmas e princípios morais conservadores da Igreja."

Conforme a Folha de S.Paulo, "em comunicado, a diocese [ de Bauru] diz que Beto cometeu "gravíssimo delito de heresia" e traiu o 'compromisso de fidelidade à Igreja a qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal'".

Na missa de despedida, realizada no final da semana passada, padre Beto contou com a presença de mais de 1.000 pessoas, de crianças a idosos, emocionados com o episódio. O que representa o apoio dessa comunidade ao padre excomungado? Moradores da paróquia preparam um protesto em apoio ao religioso. 

Serão os fiéis também excomungados por seguir um padre que questiona alguns dos dogmas católicos mais preciosos? Para a Igreja, o dogma, como valor absoluto a ser perseguido, não pode ser questionado, mas a realidade atropela valores seculares que não representam mais os próprios fiéis e suas vidas. 

Vai ver que é por isso que bispos e padres falam cada vez mais para menos fiéis. A redução, ano a ano, no número de católicos não é um mero sintoma. É uma consequência prática do efeito dogmático na vida das pessoas. Dogmas que geram preconceito e promovem a exclusão. Afinal, as pessoas continuam odiando aqueles que consideram pecadores em vez de odiar o que seria pecado.

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