domingo, 30 de junho de 2013

Ecos de junho

As manifestações de junho ganharam as ruas brasileiras. O pavio aceso foi o da redução das tarifas do transporte coletivo em São Paulo. A truculência da política militar do tucano Geraldo Alckmin fez com que os protestos ecoassem Brasil afora. Junto à pauta do transporte coletivo, reivindicações de toda a ordem. Acreditem vocês até por mudanças no sistema político.

A grande imprensa, que inicialmente atacou os manifestantes - Arnaldo Jabor disse o que a maioria dos veículos queria dizer - viu a possibilidade de incutir nos manifestos seus próprios desejos. De inimiga, a imprensa passou a ser incentivadora. E quanto mais pancada no governo Dilma, melhor. Não se enganem os incautos. Não existe inocência quando se trata de política e de seus apoiadores. 

Dilma, inicialmente, foi acusada de omissão. Fez o primeiro discurso e continuou sendo acusada. Disse nada. Propôs nada. Fez nada. E a oposição fez o seu papel de oposição. Atacou. Atacou. E atacou. Um certo instituto de pesquisa foi à avenida (Paulista) para medir os ânimos dos eleitores. Época bastante propícia para detonar os adversários e tentar alçar os aliados. 

Joaquim Barbosa, o herói de uma parte do Brasil dividido, venceria até Marina Silva, a que deixou o PT, foi para o PV e agora equilibra-se numa tal de Rede, sempre com apoio do grande empresariado. Um dos donos da Natura foi seu candidato a vice-presidente em 2010 e, hoje, uma grande apoiadora da ex-vermelha, ex-verde, atual não-sei-o-que, é a herdeira do Banco Itaú.

Dilma não aparece entre os favoritos. Vive um inferno astral sem precedentes, de deixar formador de opinião sem opinião. Tendo batido todos os recordes de aprovação dos presidentes desde a redemocratização do país em 1985, despencou de 60 e poucos % de ótimo e bom, em março deste ano, para 30%. Essa não se reelege mais. A comemoração vem daquela parte do Brasil dividido.

E essa parte tem nome e sobrenome: Classe Média. Em 17 de junho escrevi sobre o tema e arrisquei a dizer que a grande massa era exatamente a que fica no meio da pirâmide dos beneficiados pelas políticas públicas; as de transferência de renda para os pobres com suas bolsas e as de desenvolvimento econômico para os ricos, via recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

"E no meio a classe média. Essa paga imposto para financiar a educação e a saúde públicas e, como as vagas não são suficientes para atender toda a demanda, mantém filho na escola privada e plano para a própria saúde. Linhas de financiamento, por exemplo, para a casa própria existem, mas as taxas não são tão atraentes quanto as disponibilizadas para quem está na parte inferior da pirâmide. 

Se no início estava confuso, agora não está mais. As ruas foram tomadas principalmente pelo segmento da classe média, num esforço por mudanças. Diga-se um esforço legítimo. Ao mesmo tempo que é legítimo, também é contraditório. Sim, porque esse mesmo movimento também prega política sem políticos e partidos; estado mínimo com avanço das políticas públicas; menos impostos e mais serviços.

Pois bem, a classe média pediu mudanças e a presidente Dilma respondeu com a proposta do plebiscito, inicialmente com uma Constituinte para elaborar o projeto da Reforma Política. Ao que tudo indica, a presidente recuou da Constituinte, mas não abre mão da consulta popular. Dilma é acusada mais uma vez. Agora de usar as ruas para propor algo que pode levar ao totalitarismo. 

Os contrários ao plebiscito, que serviria para orientar o projeto da Reforma Política, querem um referendo. E o que é isso? O Congresso Nacional, a quem cabe elaborar leis, ficaria responsável por fazer as regras e submeteria seu texto à aprovação popular, ou seja, ao referendo. Essa proposta ganha força, a cada dia, entre os partidos da oposição - a tríade DEM/PSDB/PPS - e recebe louros inclusive em editoriais dos grandes jornalões.

O Congresso Nacional, ou seja, os políticos de sempre, quer para si o direito e o dever de reformar todo o sistema político-eleitoral brasileiro. É isso aí, o mesmo Congresso que está sentado sobre o projeto da reforma há várias décadas. Sim, os políticos querem mudança, desde que eles possam dizer quais, como, onde e quando. 

O jornalista Antonio Martins lista em sua conta no Twitter cinco perguntas perigosas que podem ser feitas ao povo num plebiscito e que, naturalmente, apavoram os mandatários atuais, principalmente, deputados federais e estaduais, senadores e vereadores, que parecem vitalícios em seus cargos. 

1. Você concorda que as empresas devem ser proibidas de financiar políticos e partidos?

2. Você considera que a Lei 9.709 deve ser alterada, de modo a facilitar a convocação de Plebiscitos e Referendos (inclusive por iniciativa dos cidadãos), e a ampliar os mecanismos de democracia direta, inclusive por meio da Internet?

3. Você é a favor de limitar as reeleições, para todos os postos dos poderes Executivo e Legislativo a dois mandatos?

4. Você considera que as eleições brasileiras, para os poderes Executivo e Legislativo, devem admitir candidaturas de pessoas não ligadas a partidos políticos?

5. Você concorda com a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte voltada para a reforma do sistema político?


As manifestações no país devem exigir sim políticos e políticas melhores, mas não será despolitizando o debate que o Brasil vai alcançar esse objetivo. Ao final do texto, referenciado acima, eu escrevi que o "projeto político que conseguir captar esse momento convulsivo e traduzir isso em mudanças reais - e não somente promessas - poderá ter um apoio expressivo nas urnas em 2014."

Isso mesmo, nas eleições do ano que vem tudo pode acontecer. Pela convulsão das ruas, hoje não há um nome super favorito entre os que estão em campanha nos bastidores. Todos os políticos e partidos perderam. Uns mais outros menos. Dilma despencou, mas Aécio não foi catapultado. Eduardo Campos continua tendo o que sempre teve: pouca coisa. E Marina não teve crescimento significativo. Por isso continua a máxima de que governo é governo e campanha é campanha. Por isso mesmo os ecos de junho de 2013 serão ouvidos ainda por um bom tempo.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Ruas soberanas

No começo era a redução da tarifa do transporte coletivo em São Paulo.
As bombas de efeito moral e os cassetetes da PM paulista fizeram as manifestações crescer para o Brasil todo.
O gigante acordou.
As redes sociais viraram arma.
Rusgas entre simpatizantes.
Brigas entre adversários.
Amizades virtuais desfeitas.
Amizades reais abaladas.

O país tem pressa.
Quer mudança.
As manifestações aumentam e varrem o solo brasileiro.
De um lado, uma multidão pacífica pede de tudo.
De outro, uma minoria instrumentalizada quebra, depreda e incendeia.
Povo exaltado.
Governos temerários
Políticos acuados.
Formadores de opinião sem opinião.

As ruas são ouvidas.
Tarifas reduzidas.
PEC 037 derrubada.
Corrupção vira crime hediondo.
A presidente Dilma propõe Reforma Política.
Quer plebiscito.
A oposição reage.
Para uns, a proposta é complexa demais.
Para outros, populismo.
Não atender as ruas é omissão.
Atender é populismo.

Política se faz fazendo política.
Governo é governo e oposição é oposição.
Quem quer realmente mudanças?
As ruas são soberanas.
As ruas devem decidir.
As ruas devem reformar.
Que as ruas não deixem o gigante voltar a dormir.

sábado, 22 de junho de 2013

Apartidários políticos

Apartidário é aquele “que não segue um partido”. Apolítico é aquele “que não é político”. Isso significa que todo apolítico é apartidário, mas o apartidário não é obrigatoriamente apolítico. Portanto, o apartidário também faz política e mesmo sem partido político, toma partido, de forma pacífica ou violenta.

As manifestações das últimas semanas Brasil afora são o exemplo real de apartidarismo político. O cidadão vai às ruas e grita que não tem partido, mas toma – consciente ou não – partido de alguma causa. Ele é partidário da educação, da saúde, contra a copa, contra Feliciano, da democracia, da ditadura militar. Enfim, ele é partidário e faz política.

As frases que fazem sentido, as que não fazem sentido, os gritos de guerra, as palavras de ordem são os partidos tomados nas ruas e avenidas. A mudança ocorre por pressão. E a pressão das ruas ajuda a apressar as mudanças. Quais e como ocorrerão são outra história.

Exemplos de partidos das ruas e avenidas? Muitos. Alguns engraçados. Alguns sem graça. Outros criativos. Outros sem criatividade. E o que fica claro? Que os apartidários tomam partido, mesmo quando acham que não são partidários.

__A vida sem catracas.
__Desculpe o transtorno. Estamos mudando o Brasil.
__O gigante acordou.
__Manifestação contra a corrupção. Liberdade de expressão.
__O povo não deve temer o governo. O governo deve temer o povo.
__O povo unido não precisa de partido.
__Queremos hospitais padrão Fifa.
__ Mais educação. Mais saúde.
__Não À PEC 37. Fora corruPTos.
__Dilma acabou a farra. Lascou-se
__Feliciano, você será o próximo a ser destronado.
__Meu cu é laico.
__Chefe acordei gay hoje, não vou trabalhar.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A juventude é bela

O jovem protesta, diz que político nenhum presta, que partido é um atraso para os avanços da sociedade.
Arranca a bandeira do partido nanico das mãos do cidadão que está na mesma avenida.
Nas ruas, pinta a cara, para o trânsito, pede desculpas pelo transtorno, diz que está mudando o Brasil.
Seu movimento é pelo país, não tem cor partidária.
Sua música é o hino brasileiro.
Cansou de ficar “deitado eternamente em berço esplêndido”.
Agora veremos “que um filho teu não foge à luta”.
Ele pede e faz uma manifestação pacífica, canta, grita palavras de ordem.
Condena os vândalos que encostaram no movimento para quebrar, queimar e saquear.
Quer mudar o mundo.
As ruas são a sua voz.
A juventude é bela e tem de ser estimulada, respeitada.
O Brasil acordou.
O jovem conseguiu reduzir a tarifa do ônibus em muitas cidades, sendo várias capitais.
Reivindicação. Mobilização. Conquista.
Os governos foram surpreendidos.
As vozes das ruas não foram apenas ouvidas.
Foram enfiadas tímpano adentro.
Que os governantes aprendam a lição.
Mas ele quer mais; muito mais. 
Quer ser representante desse segmento insatisfeito, explorado pelos políticos corruptos, pelos partidos de mentirinha e pelo poder público ineficiente.
Vai fazer a revolução que nenhum partido ou político fez.

__Bem, em qual partido você vai se filiar para ser candidato no ano que vem?

terça-feira, 18 de junho de 2013

Amizade é coisa séria

Elas são profissionais de saúde. Médicas. Enfermeiras. Psicólogas. Sociólogas. Trabalharam juntas num serviço regional. Além de construírem um projeto de melhoria do acesso ao usuário da saúde pública, criaram laços. E até hoje cativam esses laços. Afinal, os relacionamentos precisam de cuidado.

Os gestores mudaram. As prioridades são outras. As chefias foram substituídas. O projeto de saúde não é mais o mesmo. Logo após a mudança, os encontros do grupo eram regados ao desconforto da substituição, feita legitimamente por quem venceu as urnas.

__Você viu quem assumiu a diretoria tal?
__E a presidência?
__Nosso projeto vai acabar.
__Nosso projeto foi derrotado e isso faz parte da política.


O mal-estar era indisfarçável. Umas rogavam praga. Outras tentavam, em vão, desejar sucesso. E a vida seguiu seu rumo. Cada uma  em seu setor. Nada como o tempo para curar as dores da troca, a angústia da substituição. O tempo tira o peso dos acontecimentos, torna mais leve a existência.

E hoje é assim. Elas estão mais leves, estão livres e, por isso mesmo, mais cheias de si. Agora, se encontram para colocar as gargalhadas em dia. E como gargalham. Todas juntas. Ainda bem que o espaço gourmet de uma tem isolamento acústico e que a outra não tem vizinhos próximos.

Feijoada. Lasanhas de vários tipos. Costelinha alho e óleo. Vinho. Cerveja. Refrigerante. Tudo é pretexto para o encontro. Bateu a saudade, o e-mail de alguém convida para o encontro. Afinal, amizade e comida combinam muito e tudo regado a um bom entusiasmo.

E como são entusiasmadas! Elas falam. Falam muito. Falam alto. Muitas ao mesmo tempo. Dramatizam a fala. Caras e bocas marcam a cadência das palavras. No relato, as histórias ganham cores que não tinham no acontecimento acontecido. De fora, podem até achar que se trata de briga, mas é apenas um encontro de amigas espontaneamente barulhentas.

No cardápio do encontro, sempre muita alegria. Muita mesmo. A frustração dos primeiros encontros foi substituída. E foi tarde. O grupo não celebra a vontade de voltar a dirigir o mesmo serviço, apesar de depositar respeito ao trabalho da época. Para a maioria, isso é passado. Foi bom. Foi necessário. E passou.

Hoje elas brindam a vida e a amizade. Uns vínculos são mais fortes que outros, mas o respeito norteia a convivência e a reunião de todas. Beber. Gargalhar. Comer. Gargalhar. Contar um causo. Gargalhar. Soltar uma piada. Gargalhar. Elas gargalham de si mesmas. Elas gargalham umas das outras. Porque isso é amizade. E amizade é coisa séria.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Protestos e projetos políticos

Toda manifestação é política e traz, em sua essência, princípios ideológicos. Relegar esse processo a uma questão meramente técnica é desconsiderar a importância de se fazer política e lutar por melhorias. Os protestos na cidade de São Paulo que começaram por causa do aumento de 20 centavos na tarifa do ônibus cresceram e, pelo visto, nem os organizadores sabem agora pelo que lutam os milhares de manifestantes.

Isso mesmo. Lutar por melhoria na educação, querer um SUS melhor, lutar pelo fim da corrupção de políticos e cidadãos aproveitadores são bandeiras justas e necessárias. No entanto, para que as mudanças sejam efetivadas as cobranças têm de ser endereçadas. Não basta ter o remetente. Sem destinatário, as reivindicações vão se perder nas boas intenções das ruas e avenidas tomadas.

E ainda sobre protesto, é legítima a manifestação dos contrários à realização da Copa do Mundo no Brasil, assim como é legítimo o governo federal ter pleiteado a realização dos jogos e, agora, cumprir o cronograma de obras para a realização do campeonato. Se a idoneidade na execução dos empreendimentos é questionável, que a sociedade se organize para participar da fiscalização do cumprimento do programa. Parar tudo neste momento é jogar bilhões de recursos públicos que já foram investidos nas cidades sedes.

Os indicadores sociais dos últimos 10 anos mostram que os mais pobres melhoraram de vida. A ascensão da tal classe C e a melhoria do rendimento escolar dos alunos que têm bolsa família são apenas dois exemplos. No entanto, há um fenômeno não captado pelos partidos e projetos políticos. A classe média de sempre sente-se órfã das políticas públicas. Esse segmento pode ser definido como aquele que paga na fonte os impostos que serão destinados aos programas de transferência de renda e os grandes investimentos para o empresariado no dito setor produtivo.

Isso mesmo, a classe média não é rica e também não é pobre e vê o dinheiro público – aos bilhões – ser destinado aos extremos da pirâmide social. Numa ponta, pobres têm “Minha Casa Minha Vida”, na outra, empresários e industriais têm linhas de financiamento específicas para suas atividades pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Isso sem contar, que prefeituras e estados costumam doar terrenos e isentar de impostos o empresariado por algumas décadas.

E no meio a classe média. Essa paga imposto para financiar a educação e a saúde públicas e, como as vagas não são suficientes para atender toda a demanda, mantém filho na escola privada e plano para a própria saúde. Linhas de financiamento, por exemplo, para a casa própria existem, mas as taxas não são tão atraentes quanto as disponibilizadas para quem está na parte inferior da pirâmide.

Essa realidade, aqui traçada sem grande aprofundamento, revela o desgosto que esse segmento tem por se sentir abandonado pelos projetos políticos. Talvez isso explique a quantidade de gente bem vestida e bem nutrida (como assinalaram preconceituosamente alguns colunistas conservadores) que protestavam contra o aumento da tarifa do ônibus na capital paulista, para tirar desses o direito ao protesto.

A sensação de abandono da classe média, que também paga a conta da corrupção e da transferência de renda, é legítimo e pode explicar – em parte – os movimentos da semana passada que foram reprimidos com violência policial e ignorância política. Agora não são apenas os 20 centavos que estão em jogo. É um sentimento de abandono que pode sim se alastrar para outros segmentos.

O fato de 2013 ser um ano pré-eleitoral pode complicar ainda mais esse cenário, visto que as forças políticas – sejam da oposição sejam do governo sejam da base aliada infiel do governo – também se movimentam de olho nas Eleições do ano que vem. Portanto, o projeto político que conseguir captar esse momento convulsivo e traduzir isso em mudanças reais - e não somente promessas - poderá ter um apoio expressivo nas urnas em 2014.

sábado, 15 de junho de 2013

Inquietudes (168) do Rei

A Creide acordou disposta hoje.
Disposta a rezar pelas almas atormentadas.
Mas ela admite a dificuldade.

__Ai Jesus me ajuda! Como é difícil desejar o bem para quem nos atormenta. Mesmo assim, desejo a esses seres muita paz, muita saúde, muita felicidade. E também muita distância, por favor.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Falida. Minguada. Quebrada.

Entre os sinônimos de falir, aceitos pelos dicionários da Língua Portuguesa, estão minguar e quebrar. Esses três verbos são bastante atuais e estão à altura das relações do poder público com a sociedade e da sociedade para com os segmentos que a compõem.

Falida é a capacidade do estado de dialogar com os manifestantes, cidadãos que se manifestam e protestam contra o poder público. Os episódios recentes em São Paulo, dos contrários ao aumento da tarifa do transporte coletivo, são apenas um exemplo. Extremo. Triste. Real.

Minguada é a capacidade da Polícia de se relacionar com manifestantes, ativistas ou baderneiros conforme a ideologia do falante. Balas de borracha, bombas de efeito moral, cassetetes, escudos não são exceções. Tornam-se regra numa corporação violenta, formada na disciplina da violência hierárquica.

Quebrada é a capacidade de segmentos da sociedade em refletir sobre suas próprias responsabilidades. Esses gostam de transferir a culpa, de apontar o dedo para o outro, de agredir quem lhe tira da normalidade e do seu conforto. Afinal, muitos querem chegar logo em casa para sentar-se em frente à TV.

Falir. Minguar. Quebrar. Mais que verbos, esses parecem ser o status da realidade dos diferentes segmentos que compõem a vida em comum, mas essa não é uma condição exclusiva da sociedade atual. O mundo sempre foi assim. Então qual a diferença? Atualmente conseguimos, por muitos motivos, enxergar tudo isso.

Luzes

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Inquietudes (167) do Rei

Muitos defendem a vida e são radicalmente contra o aborto.
Em todas as opções.
Nas legais e nas não previstas em lei.
__Devemos defender a vida dos inocentes.
Isso mesmo, dos inocentes porque - para muitos desses muitos - bandido bom é bandido morto.
__Direitos humanos apenas para os humanos, costumam arrotar.
Quando a sociedade estabelece dois pesos e duas medidas para a vida, todos perdem.
Vida é vida.
O resto é preconceito.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Autoridade fala como autoridade

"Estou há 2 horas tentando voltar para casa mas tem um bando de bugios revoltados parando a avenida Faria Lima e a Marginal Pinheiros. Por favor, alguém poderia avisar a Tropa de Choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da puta eu arquivarei o inquérito policial. Petistas de merda. Filhos da puta. Vão fazer protesto na puta que os pariu... Que saudades da época em que esse tipo de coisa era resolvida com borrachada nas costas dos medras..."

 As declarações são do promotor público Rogério Zagallo, na semana passada, em sua conta no Facebook. O promotor reagiu dessa forma por causa de protestos promovidos pelo Movimento Passe Livre, contrário ao aumento da tarifa do transporte público em São Paulo. 
 

"A debilidade mais grave do Congresso brasileiro é que ele é inteiramente dominado pelo Poder Executivo. (...) O Congresso não foi criado para única e exclusivamente deliberar sobre o Poder Executivo. Cabe a ele a iniciativa da lei. Temos um órgão de representação que não exerce em sua plenitude o poder que a Constituição lhe atribui, que é o poder de legislar. (...) Nós temos partidos de mentirinha. Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais. Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos."
 
As opiniões agressivas – que podem ser considerados ataques – sobre o Congresso Nacional, os partidos políticos e a política brasileira, são do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, durante palestra no dia 20 de maio, em faculdade de Brasília. 
  
Preocupado com a repercussão das declarações, o promotor público Rogério Zagallo disse que não falava enquanto representante do Ministério Público, mas como cidadão que teve o direito de ir e vir afetado por causa da manifestação contra o aumento da tarifa. Explicação dada. Não cola.
 
Preocupado com a repercussão? Joaquim Barbosa, por meio de sua assessoria, disse a fala foi feita em “um exercício intelectual feito em um ambiente acadêmico e teve como objetivo traçar um panorama das atividades dos três Poderes da República ao longo da nossa história republicana. Justificativa dada. Não cola.
 
O significado de autoridade, segundo Dicionários da Língua Portuguesa, comporta conteúdo expressivo: agente ou delegado do poder público; pessoa que tem reputação de grande conhecimento em determinado assunto; direito ou poder de mandar; influência intelectual, prestígio, crédito, renome. Neste sentido, promotor público e presidente do STF encaixam-se perfeitamente nas descrições.
 
Quando os rogérios e os joaquins abrem a boca não falam senão como as autoridades que são. Portanto, que aprendam a conviver com as responsabilidades e as funções dos cargos que ocupam. E se fossem meros cidadãos – mesmo assim – teriam de tomar cuidado com as palavras. Se autoridade não fala como cidadão, gente comum também não pode cometer crimes através da língua.
 
Lembram-se da estudante Mayara Petruso – uma reles mortal – que postou mensagens preconceituosas contra nordestinos nas eleições presidenciais de 2010? Depois que a petista Dilma Rousseff venceu, com grande diferença no Nordeste, o tucano José Serra, a estudante escreveu no Twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado”. 
  
A estudante foi condenada pela Justiça Federal de São Paulo, a um ano, cinco meses e 15 dias de reclusão. A pena foi transformada em prestação de serviço comunitário e pagamento de multa.
 
A internet transformou gente comum em protagonista, deixando para trás o anonimato. Ela também lançou as autoridades um degrau acima dos mortais. Exatamente por causa do poder de repercussão que a web tem. A palavra tem poder e quem tem o poder da palavra deve cuidar bem do que diz.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Aprendizado diário


União. Contrato. Matrimônio. Enlace. Parceria. Casamento. O que está em jogo não é o nome, não é uma expressão linguística. Isso é o que menos importa. Importa mais a construção da convivência a dois. Avançar. Retroceder. Dar. Receber.  

Um casal é feito de expectativas individuais e coletivas. Individuais são as vontades de cada um. As coletivas são as dos filhos e dos parentes. E sem transparência, a interferência excessiva pode levar a relação, primeiro à concordata e, por fim, à falência. O the end, neste caso, costuma ser traumático.

Qual a receita para um relacionamento duradouro? Se existisse um manual com todas as respostas definitivas, não haveria divórcio, mas a chave pode estar num único sentimento: querer que seja duradouro. É o primeiro passo para que as coisas não sejam tão efêmeras e a relação se consolide.

Todos sabem que, no início, o fogo brota em qualquer cômodo. Na sala. Na cozinha. No quarto. No corredor. Fora da casa. Qualquer coisa é pretexto. Um cheiro. Uma roupa ou a ausência dela. Um gesto. Um olhar. A sintonia é imediata. Os reflexos, muitas vezes, automáticos.

E, com o passar do tempo, o fogo acaba? Não! Ele se transforma. A quantidade é substituída pela qualidade. A impulsividade é trocada pela serenidade. O ímpeto pela suavidade. Ao desejo, deve ser adicionado o cuidado. Não há relação que sobreviva se um não cuidar do outro.

A rotina é uma das armadilhas mais perigosas para a duração de um relacionamento. As atribuições domésticas rotineiras. As contas que não fecham usualmente. As vontades de um suplantadas pelas do outro periodicamente. Por isso, ao repertório do casal uma chave deve abrir os problemas de sempre: negociação. Devem ser negociadas as atribuições domésticas; as partes de cada um nas contas; as vontades a serem supridas. 

Hoje – 11 de junho – Reinaldo e Marlene – Marlene e Reinaldo – completam 18 anos de u
nião, de contrato, de matrimônio, de enlace, de parceria, de casamento. A maioridade da relação do casal é composta por diálogos e monólogos; brigas e reconciliações; sussurros e gritos. Não há uma fórmula secreta. Não há receita infalível. E os pontos positivos são muitos. 

Os negativos também existem e não são negligenciados, não são empurrados para trás da estante. São evidenciados porque – quando desmascarados – perdem força, deixam de ser importantes. A vida segue e Marlene e Reinaldo – Reinaldo e Marlene, mesmo depois de 18 anos, sabem que a convivência é um aprendizado diário.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

As putas merecem a felicidade

“O Brasil conseguiu uma boa resposta à aids graças à combinação de ações afirmativas – como defesa de direitos civis, combate ao preconceito, aumento da autoestima das populações afetadas — com ações de saúde pública — distribuição de preservativos, acesso ao teste de HIV e tratamento com remédios antirretrovirais.” Professor Mario Scheffer, presidente do Grupo Pela Vidda de São Paulo.


“É totalmente inaceitável a proibição do Padilha. (...) “É violação de direitos pelo Estado, inclusive do direito à saúde.” (...) “É negligência na promoção e proteção do direito à não discriminação.”  Vera Paiva, professora e pesquisadora do Núcleo de Pesquisas em Aids da Faculdade de Psicologia da USP.

“O exército de crentes e carolas que hoje manda nas grandes decisões nacionais se insurgiu contra a campanha, acionou seus lobistas de plantão e, outra vez, colocou o governo de joelhos.” Jornalista Leandro Fortes.

As declarações acima constam de reportagem de Conceição Lemes, para o blog Viomundo e  repercutem a censura do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a material de divulgação sobre a aids, voltado para prostitutas, considerando o dia internacional delas, em 2 de junho.

Conforme Conceição Lemes, “com o tema “Sem vergonha de usar camisinha”, o objetivo é reduzir o estigma da prostituição associada à infecção pelo HIV e aids. O material da ação – banners e vídeos – foi feito a partir de uma Oficina de Comunicação em Saúde para Profissionais do Sexo, realizada em João Pessoa (PB), de 11 a14 de março.”

A jornalista afirma também que “as peças da campanha trazem mensagens contra o preconceito, sobre a necessidade de prevenção da infecção pelo HIV e demais doenças sexualmente transmissíveis e a vontade de as prostitutas serem respeitadas. Médicos e especialistas na prevenção de DST-Aids elogiaram o material.”

À mídia, Alexandre Padilha, conforme a reportagem do Viomundo, afirmou:

“Enquanto eu for ministro, não acho que essa tem que ser uma mensagem passada pelo ministério. Nós teremos mensagens restritas à orientação sobre a prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis. O papel do Ministério da Saúde é estimular a prevenção das DSTs. Não existirá nenhum material assinado pelo Ministério da Saúde que não seja material restrito às orientações de como se prevenir das DSTs.”

A orientação em campanhas de conscientização não é estanque. Censurar as peças por fazer alusão à autoestima e à felicidade das prostituas é ignorar o humano como um ser integral, que tem desejos, direitos e deveres. E o pior, é alimentar o senso comum, regando os estereótipos que fazem crescer o preconceito e a discriminação.

Por exemplo, se existem operadores do mercado financeiro infelizes, por que não podem existir prostitutas felizes? Se existem professores tristes, por que não podem haver putas contentes? Se existem médicos com baixa autoestima, por que não podem existir michês com autoestima alta?

A trajetória do vírus HIV e da aids no Brasil é permeada sim pelo preconceito, assim como no restante do mundo. Nascida em guetos, a aids disseminou-se pelo planeta deixando os tais grupos e comportamento de risco, sendo democratizada a todos os segmentos. 

A doença pode atingir qualquer pessoa, independentemente de sexo, de orientação sexual, de cor, de classe social e de idade. A prevenção é a medida mais eficaz para evitar a doença, mas para isso tem de transpor obstáculos sociais importantes, como o moralismo (seria falso?) que domina as políticas públicas.

O conservadorismo pode levar à calamidade pública na saúde. Os organismos públicos sempre atuam com grupos para quem direcionam as campanhas de prevenção.  Ignorar os trabalhadores do sexo, sejam prostitutas, sejam travestis, sejam garotos de programa é jogar um contingente à margem da sociedade, incluindo os e as clientes. 

O Ministério da Saúde, por pressão de segmentos religiosos (aquele mesmo que tem pastores estupradores e padres pedófilos), já suspendeu a distribuição do chamado kit gay para as escolas públicas e uma peça voltada para homossexuais no carnaval de 2012.  A suspensão, é claro, seguiu determinação da presidenta Dilma, combativa em muitas áreas, covarde em outras. Afinal chega a hora em que as alianças políticas com setores retrógrados da sociedade cobram o preço pelo seu apoio.

As ações devem ser elaboradas conforme os segmentos envolvidos e o moralismo não pode ser o parâmetro para o estabelecimento de ações para os diversos grupos sociais atendidos pela saúde pública. Se esse for o ponto de partida, os organismos governamentais estarão oficializando cidadãos de primeira e de segunda classe, que merecem tratamentos diferentes por seu status. Portanto, o moralismo definitivamente não é o melhor companheiro na elaboração das políticas públicas.

Dia santo

O coração de Jesus é sagrado.
Mas não só o coração.

Seu corpo é pão.
“Tomai, todos, e comei:
isto é o meu Corpo
que será entregue por vós”.


Seu sangue é vinho.
"Tomai, todos, e bebei:
este é o cálice do meu Sangue,
o Sangue da nova e eterna aliança,
que será derramado por vós e por todos,
para remissão dos pecados.
Fazei isto em memória de Mim".


O coração de Jesus é sagrado.
Em Londrina, ele é o padroeiro.
Por isso é reverenciado.
De seu amor, é pregoeiro.
E dia 7 de junho é feriado.

Ironia hipócrita

Recentemente, o juiz Vilmar José Barreto Pinheiro - aquele que ordenou a prisão dos músicos da banda Planet Hemp, em 1997, por apologia às drogas, foi aposentado compulsoriamente.
A aposentadoria forçada é a condenação do magistrado por ter recebido propina de um traficante, um molha-bolso de R$ 40 mil.

Político criminoso é preso e esculhambado.
Juiz criminoso é compulsoriamente aposentado.

Ai que saudades de Cazuza.
Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...