terça-feira, 30 de julho de 2013

Intenções mascaradas

Sexo com imagens de santos, depredação do patrimônio público e privado, violência são efeitos colaterais de uma sociedade intolerante

Quando a religião interfere nas ações dos governos e dos legislativos,
quando a intolerância às diferenças dita relacionamento com o outro,
quando o fundamentalismo causa terror e as regras não são obedecidas,
toda a sociedade perde.

Os ecos de junho têm deixado muita gente perplexa.
Os bem-intencionados foram protestar contra uma coisa ou um monte delas.
A falta de acesso a direitos básicos.
A corrupção que corrói as instituições em todos os poderes.

As lutas diversas se encontraram nas esquinas do Brasil.
Em muitos lugares, em vez de soma, divisão.
Afinal a minha luta é não a sua e vice-versa, certo?


Logo, os mal-intencionados assumiram a cena.
Com infiltração ou não, destruíram, quebraram, vandalizaram.
Exclamarão que se trata de uma minoria numa manifestação pacífica.
Mas o foco não são os pacíficos, são os violentos.


Eles ganham visibilidade e têm horas de transmissão no horário nobre.
Recebem capas e manchetes escandalosas, entopem o feed das notícias.

A notoriedade aumenta mais a violência.
Querem a cabeça de quem considera corrupto.
Sem vencer nas urnas, tentam arrancar à força o eleito.
Pedem respeito à democracia, mas não gostam de respeitar suas regras.


No combate aos intolerantes, a intolerância domina os protestos.
Se a igreja é homofóbica, o protesto tem de ser santofóbico.
As vadias quebram imagens sacras, fazem sexo com a santa e o crucifixo em praça pública.
A fotografia de Murilo Rezende, da Agência Estado, escandaliza.
A vadiagem deixou de ser sadia.
A legitimidade da luta do movimento é questionada.
A maioria pacífica das vadias vai pagar o preço imposto pela minoria terrorista.


Na avenida,
o grito de guerra é substituído pelo porrete.
O protesto é substituído pela depredação
A cara pintada agora fica escondida.
A disputa de ideias e o convencimento cedem espaço ao confronto direto, à violência.
A fotografia de Dario Oliveira, Futura Press, também choca.


Os mascarados mascaram suas reais intenções
O choque das imagens causa indignação.
A indignação leva à repulsa.
A repulsa tira o apoio à causa.
A manifestação legítima torna-se ilegítima.

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