sábado, 27 de julho de 2013

Os santos e as vadias

A foto de Marcelo Tasso/AFP que circula em publicações on-line hoje, em que manifestantes da Marcha das Vadias quebram imagens de santos no Rio de Janeiro, em protesto à Igreja Católica, é chocante.

Os manifestantes - no legítimo direito de protestar contra o que consideram discriminação por parte da igreja - quando quebram imagens sacras repetem a truculência dos dogmas dos quais se dizem vítimas.

Quando a intolerância da Igreja em relação às mulheres, ao aborto, à homossexualidade, é combatida com a intolerância da vadias, as lutas acabam revelando que os dois são lados iguais e suas intenções repousam sobre um manto de preconceito e ignorância.

Já escrevi nas Letras Crônicas que "a vadiagem das vadias é sadia."
E é sadia por muitos motivos.

"Porque estabelece a igualdade de gêneros, dividindo o poder.
Porque luta pelos direitos humanos.
Porque aponta o preconceito e a discriminação contra as mulheres.
Porque é um movimento legítimo contra a opressão.
Porque incomoda aqueles que não gostam de mudanças."


No entanto, ao quebrar imagens de santos católicos em evento da Jornada Mundial da Juventude, as vadias revelam o mesmo preconceito que dizem combater.

Se o objetivo do protesto foi chamar a atenção, as vadias que destruíram as imagens conseguiram o que queriam, mas no fundo mostraram que não diferem muito daqueles que discriminam em nome de Deus.

Um comentário:

Norberto disse...

Salve o Rei... Acho até que você pegou leve... A marcha das vadias parece, pra mim, quando faz um ato destes - destruir símbolos de uma religião - demonstra falta de respeito, não pela igreja ou sua liderança, mas pelos que creem. Se querem mudanças, deveriam mostrar que são diferentes, e não agir da mesma forma que aqueles que criticam (ou afrontam?)... Apesar que nunca vi padres ou religiosos destruindo algum símbolo, seja lá do que for (pelo menos não neste século)