sábado, 6 de julho de 2013

Político é tudo igual?

Os protestos de junho evidenciaram, entre tantas coisas, a ojeriza de certos segmentos sociais aos políticos brasileiros. Esse é o resultado da judicialização da política promovida pela caça aos políticos corruptos. Com a uniformização da cobertura midiática, associada naturalmente ao comportamento dos representantes do povo brasileiro, o país tem a certeza de que todo político é igual. De certo modo não deixam de ser. 

Os presidentes do Senado, Renan Calheiros; da Câmara dos Deputados, Henrique Alves; do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa; o ministro da Previdência, Garibaldi Alves; e o governador do Paraná, Beto Richa, são efeitos colaterais recentes do poder. Do poder que têm para abusar das prerrogativas do cargo e mandar a conta de compromissos não oficiais ao contribuinte pagar. 

Renan Calheiros usou avião das Forças Aéreas Brasileiras (FAB) para ir a um casamento na Bahia. Henrique Alves e Garibaldi Alves, que são primos, também usaram aviões da FAB, mas dessa vez para acompanhar a final da Copa das Confederações, no dia 30 de junho. Assim como Beto Richa usou avião do Governo do Paraná para ver a final de Brasil e Espanha. Já Joaquim Barbosa, o herói do mensalão - que já tinha gastado R$ 90 mil na reforma de um banheiro de sua residência oficial, usou dinheiro público para ver o amistoso entre Brasil e Inglaterra, no dia 2 de junho. 

Na concepção primeira do cargo, Joaquim Barbosa não é político porque não foi eleito pelo voto do eleitor para o cargo. Mesmo assim, comporta-se como político e faz igual ao que já criticou em outros poderes. Aliás, o Judiciário – de longe o poder menos vigiado pelo brasileiro – tem seus joanetes que costumam reclamar. Um desses é o tratamento dispensado a magistrados corruptos. Ganham aposentadoria compulsória. Isso mesmo, pego em flagrante favorecendo aliados ou amigos em sentenças, são aposentados com dinheiro público. Em termos de impunidade e acesso a regalias, o Judiciário também chafurda na lama.

E os brasileiros  - os bem e os mal-intencionados – são divididos pela estratégia lançada pela presidente Dilma Rousseff: o plebiscito para nortear a Reforma  Política. A proposta tem argumentos contrários e favoráveis, mas não forem eles os responsáveis por emperrar a iniciativa. É simples. O Congresso Nacional, seja a oposição seja a base aliada opositora, não quer reformar sistema algum. Esses defendem mudanças pelo referendo para manter tudo como está. 

Como resultado desse processo, independentemente de quem sai mais queimado, aumenta a descrença dos manifestantes bem-intencionados que clamaram por mudanças. E esses vão reforçar, repetindo incansavelmente o mantra, de que todo político é igual e ninguém presta. Se isso for verdade, os eleitores tucanos podem votar normalmente nos petistas e os petistas normalmente nos tucanos, certo? 

Errado. Quem tem suas convicções políticas e ideológicas, ou seja, é politizado, não vota no candidato adversário. E isso mostra que os políticos não são todos iguais. Essa regra também vale para os despolitizados que, mesmo sem conhecer os programas partidários, alimentam suas preferências, sejam baseadas em informações, estereótipos ou distorções que comprou como verdadeiras. 

Como se vê, mudanças na política exigem muito esforço – e boa vontade – pela complexidade que envolve o tema. E enquanto o eleitor repetir o mantra “todo político é igual” a mudança efetiva será apenas um sonho acalentado. Isso mesmo, esse discurso reforça as estruturas atuais e quem ganha são os políticos de sempre. Neste sentido, iguais ou diferentes, tudo vai continuar como está. 

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