sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Atriz devassa


A atriz Alinne Moraes empresta seu belo corpo e rosto para uma campanha de cerveja, a Devassa.
O mote da campanha é “E você, tá esperando o que para ter sua primeira vez com uma devassa?”

Devassa é um substantivo e seu verbo devassar, entre os significados da Língua Portuguesa, aceita “prostituir(-se), tornar(-se) devasso”.

Neste sentido a cerveja convida o consumidor a beber Devassa pela primeira vez e associa também o ato à primeira vez no sexo e à primeira vez com um copo de bebida alcoólica.
Alinne Moraes se dá conta de que incentiva o sexo desprotegido, ou seja, devasso, e a beber cada vez mais cedo?


A peça é um exemplo genuíno do estereótipo da mulher objeto, que vende muito mais que seu corpo; ela vende sua dignidade.
O estímulo à primeira vez com uma devassa não é novo.
Muitos homens tiveram sua primeira vez com uma prostituta, a devassa das zonas de antigamente.
O machismo é perpetuado sob o pretexto de se vender uma marca de cerveja.


Os que acham que se pode tudo numa sociedade capitalista vão dizer que esses questionamentos são da patrulha ideológica da turma do politicamente correto.
E são mesmo, sem pudor nenhum.

Basta checar os índices de gravidez na adolescência e ainda os de jovens com problemas com o álcool.

Estudo do Ministério da Saúde, divulgado em janeiro deste ano, mostra que “70% dos brasileiros entre 13 e 15 anos já experimentou alguma bebida alcoólica”.
Segundo a
Organização Mundial da Saúde 22% dos adolescentes transam, pela primeira vez, aos 15 anos.

As consequências de se beber e transar cada vez mais cedo estão aí e atinge toda a sociedade.
Adolescentes bêbados ao volante, acidentes de trânsito, mortos e sequelados; gravidez e doenças sexualmente transmissíveis não são efeitos colaterais.
São consequências de uma sociedade que se permite a primeira vez com devassidão.
E o mais irônico é que os anúncios publicitários de bebida alcoólica advertem: façam isso, “com moderação”.


Na Língua Portuguesa, devassidão tem como sinônimos a libertinagem, a depravação e a corrupção.
Ou seja, cada sociedade se transforma naquilo que construiu para si.
Nem mais.
Nem menos.

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