segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Ex-vermelha. Ex-verde. Igual aos outros.

Marina Silva (foto: página oficial de Marina no Facebook) é a grande vencedora dos protestos de junho.
Ela conseguiu aumentar muitos pontos percentuais nas intenções de voto, antes de junho para agora, e conforme pesquisa divulgada no final de semana pelo Datafolha tem 26%.


A ex-candidata à Presidência da República, de quase 20 milhões de votos, em 2010, é neste momento o nome mais forte para enfrentar Dilma Rousseff, que tentará a reeleição.
A presidente, ou presidenta como queiram, recuperou vários pontos percentuais, indo para 35% das intenções de voto.
José Serra e Aécio Neves se bicam no ninho tucano; e Eduardo Campos... quem é mesmo?


Marina Silva tem uma bonita história ligada ao meio ambiente.
Seus mandatos sempre foram de defesa aos povos das florestas e às causas ecológicas.
De origem humilde, chegou ao posto de senadora da República.

Mas em termos de pragmatismo político deve nada a muitos caciques da cena política brasileira.

A ex-senadora pelo PT deixou o partido para se aventurar à corrida presidencial de 2010 pelo PV.
Seu vice, o empresário Guilherme Leal, dono da Natura.

Para quem sempre combateu o mal do capital floresta adentro, é emblemático ter um grande empresário como vice.
Mas a Natura aposta na sustentabilidade! podem repetir muitos marineiros.
Com certeza, mas não deixa de ser emblemático.
E ponto.


Nem bem terminaram as Eleições de 2010, a ex-petista também virou ex-verde e tenta, agora, viabilizar a tal Rede Sustentabilidade para concorrer novamente à presidência.
Um dos nomes que ajudam a angariar recursos para viabilizar o novo partido de Marina, é de Maria Alice Setubal, herdeira do Banco Itaú.
Não é que o jornal O Globo chega a chamar Maria Alice de fada madrinha de Marina Silva!

Para quem nega até o nome de partido – usando o rótulo Rede – Marina repete os expedientes de sempre.

Se o dono da Natura era emblemático na campanha do Partido Verde, a herdeira de uma grande instituição financeira é ainda mais.
Não que a futura dona do bilionário banco, que enriquece com juros altos igualmente a todos os outros bancos, não seja bem-intencionada.
É que a relação de políticos e empresários costuma custar caro para os cofres públicos.
Petistas mensaleiros e tucanos privateiros são a mesma face dessa moeda e não são efeitos colaterais.


Soa estranho Marina ter angariado parte expressiva dos votos que vêm dos protestos de junho contra os políticos e a política brasileira.
E deixa de soar estranho, se contextualizarmos o apartidarismo do movimento que protestou contra tudo e contra todos.
Para um pedaço do gigante acordado, Marina não é a política tradicional.
Ingenuidade ou falta de senso crítico, visto que Marina repete o mesmo pragmatismo tão combatido nas manifestações do final do semestre passado.


Se Marina Silva cultiva o hábito de pular de partido em partido para se viabilizar que mudança ela representaria no sistema político brasileiro?
Se Marina Silva cultiva vínculos com o grande empresariado que mudança ela representaria no sistema político brasileiro?

Uma das formas para eliminar as relações promíscuas entre políticos e empresários é o financiamento público de campanha.
A proibição de doações de empresas privadas para candidatos causa urticária na maioria dos políticos e partidos.
Não é à toa que a maioria das siglas rejeitou a proposta de Plebiscito para consultar o eleitor sobre as mudanças no sistema político-eleitoral.


Marina Silva, viabilizada pela causa do meio ambiente e financiada pelo empresariado, se mostra mais igual aos outros candidatos que a maioria dos eleitores pode imaginar.

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