quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Patrocinadores da doença

Em sua chegada ao Brasil, muitos médicos cubanos disseram não estar no país pelo dinheiro, mas por solidariedade ao povo brasileiro. Depois de dizer que os cubanos não tinham qualificação, que não teriam infraestrutura de atendimento, parte da sociedade brasileira agora centra suas forças no argumento do trabalho escravo. 

Como pode um profissional trabalhar e o governo do país dele ficar com a maior parte do salário? Os 40% que os médicos de Cuba vão receber pelo acordo com o governo federal é maior, muito maior, do que a maioria dos brasileiros ganha e, mesmo assim, muitos atacam a proposta. Como é possível alguém trabalhar por solidariedade e não por dinheiro e status profissional?

Na prática, estamos querendo que os médicos cubanos se moldem ao nosso pensamento, quando nos recusamos a raciocinar como eles, até porque nunca vamos entender a lógica - irracional para uma sociedade que consome em excesso e desnecessariamente - de trabalhar por solidariedade. 

O que espanta nesse pântano de preconceito e violência contra os médicos cubanos, é ver tanta gente que se diz do bem, contra o aborto, a favor da vida, ser contrário ao atendimento pelos profissionais de Cuba em localidades onde os médicos brasileiros se recusam a atender.

Quem pensa e age assim ajuda a patrocinar a doença e, portanto, a morte.

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