terça-feira, 24 de setembro de 2013

Narcisos modernos

Narciso era um jovem conhecido por sua beleza e orgulho. Uia! Até parece receita de revista de celebridade, de subcelebridade e de aspirantes a celebridade ou sub, mas enfim... continuemos a história.

Narciso, o autoadmirador , era amado por uma bela ninfa – Eco, mas seu amor era em vão. __Eca! Narciso não dava (as) bolas para a moçoila.  Ele se achava um Deus por causa de sua beleza – tipo padrão global.

Narciso se comparava a um Apolo, a um Dionísio e rejeitou o amor de Eco. Coitadinha, sofreu, amargurou e definhou por causa da rejeição de Narciso. Isso faz tempo e essa mulherada não aprendeu até hoje, mas enfim... continuemos a história.

A deusa Némesis resolveu dar uma lição no moçoilo autoadmirador e aspirante à capa de Caras. Narciso foi julgado e os juízes nem precisaram da teoria do Domínio do Fato. Havia provas materiais da rejeição do amor de Eco.

Narciso foi condenado a apaixonar-se pela própria imagem. Agora passa dias e dias embelezando-se às margens da lagoa. Não come mais. Não bebe mais. Não vive mais. Perde a Sessão da Tarde, todos os telejornais e as novelas da noite.

Ele também acabou definhando. Sua beleza esvaiu-se, desgraçou-se todo. No lugar onde caiu o belo (esse não canta pagode) nasceu uma florzinha. Isso mesmo, narciso virou flor, o narciso, mas ele não morreu. Ele vive.

Vive em nosso narcisismo de cada dia, potencializado pelas redes sociais. Na imagem preparada pelo fotoshop, que elimina rugas, apaga manchas, levanta lábio caído, preenche bigode chinês e suga papadas. As lagoas da vaidade foram universalizadas. 

Narciso não morreu. Ele vive. Vive na foto que nossos internautas fazem do celular na frente do espelho. Uma leitura on-line dos reflexos da lagoa. Narciso não morreu. Ele vive em nosso narcisismo de todo dia.

Imagem: "Narciso" (1594-1596), Caravaggio.

Um comentário:

Cibele Porto disse...

Vale deixar claro que a flor, chamada Narciso, ao contrario de muitas flores, não é cheirosa. É um cheiro desagradavél e enjoativo. Assim como o próprio era. Bju Rei!!!


Cibele Porto