quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Brasil sem educação

1978 é um ano significativo. É o ano que entrei na escola e já sabia escrever meu próprio nome. Se escrever o nome é sinônimo de ser alfabetizado, posso dizer que fui, então, alfabetizado pela minha mãe. 

Lembro-me claramente da dona Iracy pegando minha mão e me ajudando a desenhar cada letra de Reinaldo César Zanardi. Minha mãe, minha primeira professora, é professora na minha vida até hoje. 

Na escola formal, minha primeira professora é a dona Rosa Abe. Nome de flor. Quando me recordo dela me ocorrem lembranças boas. Ela – sem saber, afinal tinha tantos alunos – me incentivou a gostar de estudar, de ter prazer de aprender. Ela me ensinou a respeitar quem educa.

Não sei se por missão ou picuinha do destino, me tornei também professor. Por isso, respeito ainda mais os do ensino fundamental e médio. Se ensinar uma técnica profissional é difícil, imagina educar. Faço essa distinção porque na faculdade, pegamos os alunos educados. Bem ou mal educados, é outra história.

A educação se faz na primeira escola, tanto que esse período é chamado de educação básica, dividida em educação infantil, ensino fundamental e médio. Como educar o Brasil se o professor apanha da polícia quando reivindica melhores salários e condições de trabalho? 

A violência contra os professores no Rio de Janeiro (foto acima) não é um sintoma isolado. Sérgio Cabral e sua polícia militar são reflexo do mando e do desmando institucionalizado, mas os professores resistem. Educar é assim. O spray de pimenta aumenta a resistência. Em 1988, outro governador soltou os cavalos da PM em cima dos professores. Este caso ocorreu no Paraná e o então governador atende pelo nome de Álvaro Dias. 

Exemplos de violência contra professores são diários. O professor apanha da polícia e também do aluno na sala de aula. Quando o professor apanha, nossa a sociedade afirma que o passado vale nada, reafirma que o presente é mero casuísmo e confirma que não há expectativa de futuro.

Não sei quantos anos tem hoje, a minha primeira professora, a que tem nome de flor. Dia desses fiquei sabendo que ela anda firme e forte. Aposentada, curte merecido descanso. Aos seus colegas de profissão da ativa resta lutar para que o Brasil não seja sem educação. 
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Imagem: Marcos de Paula/Estadão Conteúdo.

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