quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Efeito colateral

Gerações lutaram e muitos morreram em nome da liberdade de expressão. Gritaram por liberdade e foram massacrados. Reivindicaram expressão e foram reprimidos, oprimidos. Os regimes autoritários não fazem concessão e a liberdade é a primeira a sofrer baixas.

A memória dos tempos de truculência militar no Brasil – diga-se com o apoio moral e logístico de muitos setores da sociedade brasileira, incluindo a mídia – ainda está fresca. Rasga a lembrança a violência militar institucionalizada. Esbofeteia a face o desrespeito às garantias individuais.

Não por acaso, o medo da censura tolhe qualquer tentativa de democratização dos meios de comunicação. Falar em controle social, para muitos, é ditar regras para impor o silêncio. Como se esse não existisse em tempos democráticos, direcionado pelos interesses econômicos, políticos e ideológicos, não necessariamente nesta ordem.

Depois de 21 anos de ditadura militar, o brasileiro reconquistou o direito de falar de tudo e de todos. A liberdade de expressão deixou o plano dos desejos e das vontades, da teoria e das leis, e virou realidade, de tal forma que permite e incentiva o exercício livre da expressão.

Mas a liberdade de expressão, quem diria, tem efeito colateral. A luta de muitos pela liberdade é manchada, diariamente, pelo racismo em forma de expressão; pelo preconceito travestido de opinião; pela discriminação fantasiada de informação.

O sintoma é objetivo e a causa é um mal muito conhecido: a intolerância. Alguém poderia argumentar que a informação é o medicamento para a cura, mas se ela chega contaminada, vai deixar ainda pior o enfermo que se considera saudável. 

Assim, a liberdade de expressão é transposta a outro patamar. Não basta apenas a liberdade e a oportunidade para se expressar. É preciso fazer com respeito e responsabilidade, ou seja, esse é um objetivo e um desafio. E, por isso mesmo, um aprendizado diário e muito difícil. 

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