quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O mendigo e a ração para peixe

__Mendigo não tem de votar. Não faz nada na vida. Não tem de tomar atitude nenhuma. Aliás, acho até que deveria virar ração para peixe.
__ A gente trabalhando feito maluco. Não dou nada pra mendigo. Se quiser, vai trabalhar.
__Todo mundo tem de trabalhar. Eu levanto cedo. Por que mendigo tem de votar? Não tem de votar mesmo, não.
__As novelas passam gente transando escandalosamente na frente das crianças. Não se pode liberar tudo.
 __É ridículo acabar com a censura. Lógico que não a censura como existia, falar do jeito que pensa.

As declarações são do vereador José Paulo Carvalho de Oliveira, o Russo (PTdoB), do município de Piraí, no Rio de Janeiro, e foram feitas – pasmem – durante sessão comemorativa dos 25 anos da Constituição.

O que falar sobre esse tipo de declaração vinda de um representante eleito para defender a população? 
O que falar de um representante eleito que destila ódio, defendendo a censura e a pena de morte?
O que falar de um representante eleito que sugere transformar morador de rua em ração para peixe?

O absurdo das declarações não reside somente nelas, mas na repercussão que o poder dessas palavras têm.
Afinal, esse vereador representa não somente os que votaram nele, mas muita gente que pensa e age igual a ele Brasil afora.

José Paulo Carvalho de Oliveira é o sintoma de uma parte da sociedade que se caracteriza pelo individualismo, quando associa sucesso com esforço unicamente pessoal.
Para esses, os direitos humanos devem ser direcionados aos humanos direitos, numa perspectiva maniqueísta, que – inclusive – abusa do teor religioso.

Neste caso, não adianta o discurso de que é necessário escolher melhor os próprios representantes. 
Afinal, esses representam seus eleitores porque tiveram os votos para isso.
O representante do povo é representa apenas; é a extensão de quem os escolheu. 

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