segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Outra Carta para Deus

Senhor há algumas semanas escrevi para o senhor uma Carta (pode ser lida aqui novamente, caso tenha um tempinho) na qual eu demostrava minha decepção com a sua obra. O ser humano, eita! Senhor, anda aprontando demais. Mortes, assaltos, estupros, enfim... um rol de atrocidades capaz de atormentar qualquer cidadão de bem.

E eles existem Senhor. O cidadão do bem. São pessoas que fazem o seu melhor e não olham para quem. Depois que escrevi aquela carta senhor, vi uma reportagem que, em Pernambuco, umas câmeras montadas no Recife para captar problemas, têm registrado o que ficou conhecido como “flagrantes do bem”. Gente comum que ajuda velhinhos e pessoas com deficiência a atravessar a rua; cidadão anônimo que socorre quem se acidenta no trânsito. Coisa bonita de se ver.

Outro exemplo bonito eu li no jornal, um casal que não podia gerar filhos fez uma opção de extremo desapego e amor ao próximo. Eles se candidataram a pais sociais num abrigo mantido com recursos públicos. Tanto o pai quanto a mãe ajudam na casa que tem mais de 10 crianças de todos os tamanhos. A relação deles é muito linda Senhor. Com tantos filhos precisando de pais, esse casal deu um exemplo para o mundo todo.

Senhor, é muito fácil amar quem é igual à gente, mas como é difícil amar e pedir o bem de gente diferente de nós! Pior ainda quando se trata de bandido. Por isso, acho que o trabalho que as pessoas da Pastoral Carcerária fazem é excepcional. Lutar pelos direitos de quem está jogado no fundo de uma cela cheia não é para qualquer um Senhor. Tem que amar o próximo mesmo. E muito. Isso é inspirador. 

Senhor, na semana passada eu estava de carro na marginal de uma rodovia e, mesmo o tanque marcando, acabou minha gasolina. Estava escuro, meu celular sem bateria. E ainda ameaçava um temporal. O Senhor não vai acreditar, mas passou um motoqueiro e perguntou se eu precisava de ajuda. Claro que precisava, né Senhor.

Não é que o motoqueiro foi até um posto uns três km à frente e me trouxe dois litros de gasolina! Quis pagar a ajuda, mas ele não aceitou e disse para eu seguir o meu caminho em paz. Só pode ser um anjo andando de motocicleta Senhor! Quem, hoje em dia, para no escuro ameaçando um temporal e oferece ajuda sem pedir nada em troca?

Senhor, eu disse na outra Carta que estava difícil manter a fé na humanidade, que era muita desgraceira e que isso desacorçoa. Lembra que eu pedi para o Senhor continuar nutrindo-me de fé? Então, quero dizer que o Senhor atendeu o meu pedido. Esses exemplos são para mostrar que é preciso ter fé na humanidade. A sua obra vale a pena, Senhor.

Outro forte abraço!

Um comentário:

Guilherme Palma disse...

É isso aí professor. Fé!