terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A marca de um ano

Há um ano, ele entrava em uma cirurgia cardíaca para resolver um tal de prolapso da válvula mitral.  Ele enfrentou algumas horas no centro cirúrgico.

Na intervenção, descobriram uma comunicação entre os átrios, ou seja, um furo escorria o sangue pelo lugar errado. Prolapso e comunicação entre os átrios corrigidos.

O peito foi cortado e os ossos serrados. Depois de terminada a operação, o esterno foi juntado com fio de aço e a pele colada. Quatro dias de UTI. Muito medicamento: antiarrítmico, betabloqueador e analgésico. 

Ele desenvolveu um trombo, um coágulo na válvula recém-trocada. Mais medicamento: junta-se aos outros o anticoagulante.

A recuperação foi lenta. Nos primeiros meses dormiu de barriga para cima. Levantou e sentou somente com ajuda. Evitou esforços físicos e fez sessões diárias de fisioterapia respiratória.

Voltou ao trabalho, sempre levado e buscado pela esposa até a autorização médica para dirigir. Começou a fazer caminhadas leves. Respirava cada vez melhor.

A dedicação da família, o carinho dos amigos e a preocupação dos colegas fizeram-no recuperar-se cada vez mais rápido. O cuidado tem poder de cura.

A fé em Deus e os pedidos à Nossa Senhora Aparecida não o deixaram desanimar. Ele sentia que receberia a graça. E recebeu.

O trombo - se tivesse se soltado – teria lhe tirado a vida. Descoberto a tempo foi dissolvido por doses generosas de anticoagulante.

Ele chamou essa experiência de uma aventura cardíaca e teve histórias para contar. Em seu blog, falou sobre O diagnóstico; A indicação cirúrgica; A cirurgia; A transferência para a UTI; As 97 horas na UTI – parte I e parte II; O quarto; A febre e a febrícola; A Rainha; O ex-coração peludo?

E o que mudou com essa experiência? Afinal não é todo dia que alguém tem o coração aberto, cortado, remendado e fechado.

A aventura cardíaca reforçou suas características. Ele luta ainda mais pelo que e em quem acredita, não mede esforços para defender.  

E ele não perde mais tempo com o que e quem não valem a pena. É melhor deixar essas (situações e pessoas) bem longe.

A vida segue seu rumo e ele está - definitivamente - marcado por essa experiência que começou há um ano.

Ele comemora esse aniversário com gratidão e muita alegria, afinal a cicatriz no meio do peito é mais que um sinal na carne. É a marca de um ano a mais de vida.

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