domingo, 29 de dezembro de 2013

Sociedade espetacular!

A TV glamuriza a nudez feminina e masculina. O público deleita-se com coxas, peitos e bundas. Trata-se do mesmo público que, vez em quando, se escandaliza com a erotização precoce e com a gravidez na adolescência.

A TV glamuriza o sexo e a prática sexual. O público excita-se entre a sensualidade, a vulgaridade e a pornografia. Trata-se do mesmo público que, geralmente, ignora o sexo seguro e a prevenção às doenças sexualmente transmissíveis.

A TV glamuriza a biscatice. Na ficção, o público entra em júbilo com a vilã da novela e suas perversidades. Trata-se do mesmo público que, geralmente, abomina na realidade as vadias e suas marchas pelos direitos da mulher.

A TV glamuriza a homossexualidade. Na ficção, o público torce pelo final feliz do casal do mesmo sexo. Trata-se do mesmo público que, geralmente, nega cotidianamente o direito de dois homens casarem ou duas mulheres adotarem.

Na sociedade do espetáculo (salve! Guy Debord) a televisão é soberana. A normalidade vira reality show. O anônimo transforma-se em celebridade. A celebridade ascende ao Olimpo. Zeus ganha concorrentes.

Enquanto isso... na sociedade dos mortais, os direitos humanos não são glamurizados. São constantemente negligenciados. O essencial não integra o espetáculo, afinal o show não pode deixar de ser uma mera ilusão.

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