quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Prometo nada

Para 2015 vou renovar promessa nenhuma.
Não cumpri o que prometi em 31 de dezembro de 2014, de 2013, de 2012...

Por isso, não prometo coisa alguma.

Não prometo fazer mais exercício físico,
não prometo emagrecer,
não prometo parar de beber,
não prometo trabalhar menos,
não prometo parar de ser crica,
não prometo estudar mais,
não prometo não falar o que vem à cabeça,
não prometo parar de entrar em discussão - à toa - sobre política.

Ano novo termina no dia 2 de janeiro, quando tudo volta ao normal.
Posso prometer nada, mas quero que 2015 seja melhor,
mesmo que você não faça exercício físico,
mesmo que você engorde,
mesmo que você não pare de beber,
mesmo que você trabalhe demais,
mesmo que você seja crica,
mesmo que você não estude mais,
mesmo que você fale tudo o que vem à cabeça,
mesmo que você entre em discussão - à toa - sobre política.

Ninguém muda de uma hora para outra só porque janeiro chegou mais uma vez.
A mudança é para valer somente quando algo nos incomoda demais.
E isso pode acontecer em qualquer época do ano.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Se a moda pega... ou já pegou?

No Brasil, onde muitos querem levar vantagem,
no Brasil, onde desonesto é sempre o outro,
no Brasil, onde você precisa saber com quem está falando,
no Brasil, onde autoridades deveriam ser exemplo,
o juiz Marcelo Testa Baldochi e um tenente da Aeronáutica podem fazer escola. 

Ambos perderem o voo e deram voz de prisão a funcionários da companhia aérea.
Por isso, não se espante se ler algum dia coisas do tipo.

- Aluno tira zero na prova e dá voz de prisão ao professor.

- Filho dá voz de prisão à mãe que o mandou arrumar o quarto.

- Namorado dá voz de prisão à namorada que demorou para se vestir.

- Motorista infrator dá voz de prisão ao policial que não aceitou propina para não registrar a multa.

Como diz um meme que corre a internet, o errado é errado mesmo que ninguém veja.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Aí, o emprego

Aí, a minha conhecida - que é trabalhadora - disse.

__O empregado tem de levantar as mãos para o céu, agradecer pelo seu emprego e abençoar o seu local de trabalho por dar o seu pão de cada dia.

Eu tive de complementar.

__É verdade! E o patrão também tem de levantar as mãos para o céu, agradecer pelos seus empregados que ajudam a dar o seu lucro de cada dia.

Será que é por isso que chamamos de relações trabalhistas?

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Aí, a homofobia

Aí, o meu conhecido diz que detesta o deputado Jair Bolsonaro porque ele é homofóbico.

__É uma falta de respeito e de tolerância. Bolsonaro odeia os gays. Acho que ele deve ser um viado enrustido, isso sim. É uma bichona.

Eu tive de perguntar.

__Por que você ataca o Bolsonaro afirmando que ele é homofóbico e você usa adjetivos homofóbicos para desqualificá-lo?

sábado, 13 de dezembro de 2014

Aí, o machismo

Aí, o meu conhecido diz que não é machista. E começamos a falar do episódio que envolveu o deputado Jair Bolsonaro e a deputada Maria do Rosário.

__Um absurdo. Ela provocou o deputado e não aguentou o tranco. É feia, não merece mesmo ser estuprada. Uma vagabunda.

Eu tive de responder.

__Além de machista, você comete o mesmo crime do Bolsonaro, faz apologia ao estupro. E você sabe por que Bolsonaro faz tanto sucesso?

Ele responde entre a arrogância e o escárnio.

__Não! Não sei.
__Porque existe muita gente igual a ele. Um exemplo é você.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Inquietudes (239) do Rei

Chamar uma mulher de vagabunda - defendo - é um ato machista, pelo fato de se usar a condição de gênero de forma pejorativa para degradar uma mulher. Há outros adjetivos do mesmo calibre: vaca, biscate, puta, rameira. Está implícito nesses adjetivos a depreciação a partir do gênero.

No entanto, chamar um homem de vagabundo não é feminismo porque você estaria fazendo uma espécie de machismo às avessas. E isso, para mim, não existe. Mas chamar um homem de viado é machismo exatamente porque está na conta da depreciação pela orientação sexual. 

O macho é superior às vagabundas e aos viados? Portanto, esses são xingamentos machistas. E esse machismo pode ser tanto de homens quanto de mulheres. Aliás, existe muita mulher machista por aí.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Bolsonaro, estupro e dedos


“Eu estupraria Mª do Rosário... mas com os dedos, pq c/aquele cara, #nemcomviagranaveia.”

Esse é o tipo de atitude que o nada nobre deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) desperta quando afirma, do alto da tribuna do Congresso, que não estupra a também deputada Maria do Rosário (PT/RS) porque ela “não merece”.

Então mulher feia deve ser estuprada com os dedos? E mulher bonita deve ser estuprada com o pênis? Ou com cabo de vassoura e outras armas? Sim, estuprador faz do próprio pinto e outros objetos uma arma. Por isso, é que se trata de uma violência contra as mulheres. 

Aliás, uma violência tipificada como crime. Não se iludam! Há quem argumente que esse tipo de frase é uma brincadeira, liberdade de expressão. Não é! É crime e deve ser punido. O autor da frase acima, postada com foto e tudo no Facebook, deve ser processado. 

Para variar, o perfil já foi apagado. Muitos vão tentar dizer que a repercussão negativa - a tal patrulha politicamente correta nas redes sociais - tem esse poder e - acuado - o dono do perfil saiu da rede. 

Nada disso. O perfil foi apagado também pela pressão e, talvez, porque o autor, se não sabia - já sabe, fez apologia ao crime. Portanto, evita com isso que se caracterize o fato em si. Ainda bem que a patrulha politicamente correta fez o print antes. A prova está aí.

Esse comentário é também reflexo da cultura do estupro que se perpetua por causa do machismo incrustado em todas as classes sociais. Numas mais, noutras menos, mas o fato é que o machismo é pai de muitos filhos. Além do estupro, da violência física, da violência psicológica e do assassinato. Sim, o machismo mata.

Jair Bolsonaro desperta em milhares o que há de pior no ser humano. Ele não agride apenas as mulheres; agride também os homens que lutam por uma sociedade mais justa, menos racista, menos sexista, menos homofóbica. Cassar o mandato de Jair Bolsonaro é uma atitude que o Congresso Nacional deve ao Brasil. Pelo menos à parte do Brasil que respeita e aceita o próximo.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Bolsonaro, mais uma vez

O deputado Jair Bolsonaro, do PP do Rio de Janeiro, disse do alto da tribuna da Câmara, hoje (dia 9), que não estuprava a colega deputada Maria do Rosário, do PT do Rio Grande do Sul, porque ela “não merece”. Vale perguntar se Bolsonaro já estuprou alguma mulher que merecesse. Se estuprou, cometeu um crime grave.

A agressão de hoje foi a resposta do deputado machista, racista e homofóbico ao discurso da gaúcha que criticou os movimentos que pedem a volta da ditadura militar, a qual classificou de “vergonha absoluta”. Bolsonaro é militar da reserva. O pior é que o deputado já havia agredido Maria do Rosário, em 2003, a quem chamou de "vagabunda".

Jair Bolsonaro protagonizou muitos episódios que condenariam qualquer cidadão comum e, pelo visto, continua transgredindo as regras da democracia como um bom militar que atuou durante o regime militar; o mesmo regime que torturou, matou e escondeu brasileiros país afora.

Ao não punir Jair Bolsonaro, o Congresso Nacional torna-se não apenas conivente com as suas agressões, mas seu cúmplice. A imagem de deputados e senadores - que não é boa - piora cada vez mais. 

Nas eleições de 2014, Bolsonaro foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro. Ele foi reeleito para o 7º mandato, com mais de 464 mil votos. Sim. O deputado Jair Bolsonaro, entre polêmicas e agressões, faz muito sucesso. Infelizmente, existe no Brasil muita gente como ele.

Crédito da imagem: Carlos Latuff.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Aí, o aborto

Aí... a minha conhecida diz que é contra o aborto e a favor da vida.

__Se o aborto fosse legalizado, um Mahatma Gandhi poderia não ter nascido.
Escuto. Depois emendo.
__É verdade! E se o aborto fosse legalizado, um Hitler também poderia 
não ter nascido.

Argumento fraco se combate com argumento fraco.

Aí, a ditadura

Aí... o meu conhecido diz que votou contra o PT porque não quer que o partido se perpetue no poder.

__O Brasil vai virar uma Venezuela! Não pode se perpetuar no poder. Isso é ruim.
__Então é simples... apresente um projeto melhor, convença e mobilize a maioria dos eleitores e vença na urnas.

Simples não?

Saudades (II)


sábado, 6 de dezembro de 2014

Inquietudes (237) do Rei

O Brasil está acostumado a uma sociedade de privilégios, que ataca – impiedosamente – os direitos básicos do outro. Muitos que defendem auxílio-isso, auxílio-aquilo para si mesmo berra contra o bolsa-isso e o bolsa-aquilo. Auxílio-isso é direito. Bolsa-isso é esmola. Auxílio-aquilo é prêmio para desempenho pessoal. Bolsa-aquilo é estímulo à acomodação. Como se vê, persistem os dois pesos e as duas medidas, dependendo dos interesses e dos envolvidos. Enquanto o brasileiro achar que tem mais direito que o outro, os privilégios e as regalias nunca deixarão de existir. 

Inquietudes (236) do Rei

Bebida não é senha para violência sexual. Abusar de uma pessoa embriagada mostra o caráter (mal e mau) do abusador, que aproveita da situação para satisfazer seus desejos mais primitivos e, ainda, colocar a culpa na vítima.

Sexo, internet e suicídio


Um vereador de uma cidade do interior do Rio Grande do Norte do Norte foi flagrado fazendo sexo com outro homem em um banheiro. O caso ganhou repercussão em blogs e sites do nordeste, que exibiram a imagem do ato sexual. 


Algumas publicações divulgaram que o cidadão teria se suicidado por não ter aguentado a pressão por causa da divulgação das imagens. Outros dizem que ele tentou o suicídio, mas não teria tido êxito. De qualquer forma, o vereador virou chacota na cidade e caiu no mundo obscuro das redes sociais. O episódio suscita algumas reflexões. Arrisco algumas.

1) Com ou sem suicídio, a repercussão do caso ainda fica centrada no fato do cidadão ter feito sexo com outro homem. A discussão é moral e muita gente condena não o ato não sexual, mas homossexual. Se fosse flagrada uma relação hetero, para a maioria certamente o homem seria pegador e a mulher vagabunda. Isso revela muito sobre os preconceitos e os preconceituosos. 

2)  A exposição on-line levou o vereador a tentar o suicídio. Isso é fato. Se ele conseguiu se matar ou não, pouco importa. A pessoa que fez as imagens e as divulgou é responsável por isso, assim como quem reproduziu em seus blogs e sites. A responsabilidade deve ser compartilhada por quem ajudou a propagar o episódio.

3) No imaginário coletivo da cultura machista – aquela mesma em que a mulher dona de seu nariz é vadia -  viado é o homem que faz sexo passivo, ou seja, o que dá. O homem que come é macho, mesmo comendo outro homem. Na repercussão desse caso, o homossexual ativo nem é citado. Na internet, você percebe o nível dessa realidade nos comentários de leitores dos blogs e sites, que reproduziram as imagens do banheiro indiscreto.

4) A intimidade de uma pessoa interessa somente a ela e a quem faz parte da sua intimidade. Se o vereador – como pessoa pública - não patrocinou sexo com dinheiro público, o fato de transar com outro homem interessa a ninguém. Se a amante de uma autoridade não é notícia, porque está na esfera privada, também não são notícia as preferências sexuais de um vereador. Essa percepção é reforçada pelo fato de o cidadão ser vereador em Janduís e a cidade onde foi feita a imagem de sexo no banheiro ser outra: Caraúbas. O vereador não estava em missão oficial da Casa que representa.

5) Ninguém nasce preconceituoso. As pessoas aprendem a discriminar. E se aprendem a discriminar podem também a aprender a aceitar as diferenças. Isso se chama educação, mas como educar para a diversidade se pais, mães, outros familiares e também a igreja e a escola oprimem e reprimem as minorias?

6) A violência contra homossexuais é gritante. Em 2013, segundo pesquisa do Grupo Gay da Bahia, um homossexual/lésbica/travesti foi assassinado a cada 28 horas no Brasil. O que isso tem a ver com o vereador que se suicidou no RN? Gravar a intimidade um homem fazendo sexo com outro homem e expor na rede não é uma violência que o levou ao suicídio?

7) A onda conservadora que tomou conta do Brasil, impulsionada pela radicalização política nas campanhas presidenciais de 2010 e 2014, revela a violência contra esses grupos. Todo mundo sabe quem são os políticos, os religiosos e as autoridades/celebridades homofóbicas. O
país tem a obrigação moral de criminalizar a homofobia. E o governo Dilma tem a obrigação política de gestionar para que esse projeto seja aprovado no Congresso Nacional.

A sexualidade humana é muito mais complexa do que gostariam os rótulos simplistas dos preconceituosos de plantão. A repercussão de um episódio como esse, que para a maioria foge às regras da “normalidade”, mostra como as pessoas lidam com a sexualidade alheia e, principalmente, com a sua própria sexualidade.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Inquietudes (235) do Rei

As decepções não seriam grandes se as expectativas tivessem o tamanho que deveriam ter. Ao cevar nossas expectativas podemos engordar decepções futuras. E o pior, sempre transferimos a responsabilidade.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Fim e começo


A sexta é preta


A friday é black e o consumo é excessivamente consumista.

Mesmo precisando de nada, muitos vão às compras comprar.
O consumidor enlouquece e o vendedor as vendas aquece.
Na loja, os clientes se estapeiam por causa de um... de uma....
Do que mesmo?

Física ou onlinemente, a ordem é gastar, gastar muito, gastar sem ter, gastar para ter.
Televisão, home theater, iPad, pode?
Pode. Pode celular. Pode perfume. Pode sapato. Pode roupa.
Descontos de até 80%?

Comerciante esperto adere à friday black mesmo se aumentou o preço às vésperas.
A propaganda é a arma do negócio.
O desconto é real. 
Só que não.

Da última edição da Black Friday, o sapato ainda está na caixa.
Aquelas sete blusinhas ainda ostentam a etiqueta pretinha.
O multiprocessador virou porta-pão.
A esteira, cabide do roupão.

A friday é black e o consumo é excessivamente consumista.

Foto: Reprodução: Marco Ankosqui/Folhapress.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Inquietudes (234) do Rei

A prisão - histórica - de grandes empresários e executivos brasileiros prova que a corrupção não é uma invenção petista nem tucana; nem de esquerda nem de direita, nem na Petrobrás nem no metrô de São Paulo. É uma atividade humana - desprezível. Combater a corrupção é uma tarefa mais árdua do que combater apenas alguns grupos de corruptos. E o Brasil quer mesmo enfrentar esse problema?

sábado, 22 de novembro de 2014

Gravidez


Corrupção Brasil


A corrupção – para existir – precisa de dois elementos fundamentais. O corrupto e o corruptor. O primeiro recebe dinheiro ilegal. O segundo paga dinheiro ilegal. No Brasil, os políticos são tidos como corruptos e, normalmente, quem paga propina é visto como vítima do agente público mauzinho.

Pego em delito flagrante, empresário corruptor costuma fazer-se de vítima e afirma que foi extorquido, que foi ameaçado de ser prejudicado em seus negócios se não pagasse propina a agentes públicos corruptos. Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia, entre outros encarcerados na Lava Jato, seguem à risca tal cartilha.

O diretor da construtora pagou propina ao ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa e ao doleiro Alberto Youssef. O jornal Folha de S.Paulo afirma que “de acordo com Fonseca, o pagamento foi realizado depois de ameaças feitas por Costa e Youssef. Eles teriam afirmado que, se não fossem atendidos, a empresa seria prejudicada pela Petrobrás nos contratos em andamento.”

Não se duvida que bandidos-réus-confessos-delatores-premiados ameacem empresários a pagar propina para manter seus esquemas criminosos. O que se deve questionar é porquê empresários honestos se submetem ao pagamento de propina.

Fossem honestos pagariam mesmo? Fossem honestos não denunciaram o esquema às autoridades competentes? Fossem honestos não dariam um jeito de registrar a extorsão, a ameaça? Pagar propina e fazer pose de vítima são coisa de gente honesta?

A presidenta Dilma disse que em seu governo não abafa investigação alguma e que não vai ficar pedra sobre pedra. Independentemente do que a presidenta quis dizer, o fato é que parte dos deputados e senadores está apavorada com o rumo das investigações, porque também atingem o Congresso Nacional.

O esquema de corrupção da estatal, além, de irrigar partidos do governo e da base aliada (PT, PMDB, PP entre tantos) irrigou a oposição em outros tempos, como PSDB e o PSB. A sangria não é nova e mexe com a estrutura político-partidária do país.

Infelizmente o combate à corrupção no Brasil é seletivo. As instituições combatem os corruptos dos quais não gostam. Basta ver o tratamento dado ao tema pela Polícia Federal e pela
 imprensa.

O tratamento seletivo da PF e da justiça mostra que delegados da Polícia Federal no Paraná que comandam as investigações da Lava Jato, durante as eleições, atacaram o PT e Dilma, enaltecendo Aécio.

Isso coloca em xeque a credibilidade das investigações e reforçam as suspeitas do vazamento de informações durante o primeiro e o segundo turnos das eleições para beneficiar a campanha do tucano em detrimento da campanha petista. Tanto que – antes tarde do que nunca – o juiz Sérgio Moro quebrou o sigilo da investigação para conter os vazamentos seletivos.

O vazamento de informações por conveniência teria sido operado por um ex-tucano e ex-delegado da PF, o atual deputado paranaense Fernando Francischini. O advogado de Youssef tem estreitas ligações com o PSDB do Paraná. Antonio Figueiredo Basto foi indicado pelo governador tucano Beto Richa para o conselho da Sanepar.

"O advogado [Antonio Figueiredo Basto] começou a vazar coisa seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar (...) Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação." As afirmações são de ninguém menos que Rodrigo Janot, procurador-geral da República.

A imprensa

A imprensa tradicional – de modo geral – também não combate a corrupção, mas apenas os corruptos dos quais não gosta. Pesquise, por exemplo, a diferença editorial entre os mensalões do PT e do PSDB; o trensalão que investiga os desvios de dinheiro público nos trens e metrôs de São Paulo, sob a supremacia tucana há 20 anos.


Análise pertinente vem do jornalista Fernando Brito. Ele discute como a Folha de S.Paulo trata crimes iguais. Em manchete do último dia 20, o jornal escreveu na capa "Doações de investigadas na Lava Jato priorizam PP, PMDB, PT e oposição". Ou seja, o governo tem partido e a oposição não. 

A Folha, quando pode, esconde as siglas PSDB e DEM das investigações. À medida que as investigações implicam os tucanos, membros do partido silenciam sobre o escândalo, até então usado como arma contra os petistas na disputa eleitoral. Por onde anda Aécio Neves, que discursava fervorosamente contra Dilma?

Sim, meu caro internauta, você pode apontar que esse texto tem vários links da mídia tradicional. E tem mesmo. A mídia publica denúncias contra os tucanos, mas amplifica e martela as acusações de corrupção contra o PT, minimiza e suaviza as dos PSDB. 

Neste sentido, o herói atual da imprensa contra o governo vem da base aliada, rachada, mas aliada e atende pelo nome de Eduardo Cunha, deputado federal pelo Rio de Janeiro. Ele cumpre agora o papel que foi de Joaquim Barbosa nas críticas ao governo e, convenientemente, a mídia – por enquanto – não publica com destaque a biografia dele, por estar ao lado dos donos dos grandes veículos de comunicação.

Eduardo Cunha concorre ao posto de presidente da Câmara de Deputados e, mesmo sendo da base do governo, é um nome propício para enfrentar o governo federal. Cunha promete que se for eleito, projeto algum de regulamentação da mídia passará. Como se sabe, a regulação econômica é uma proposta da presidenta para seu segundo mandato.

O homem que promete não deixar projeto de regulação da mídia passar, se for presidente da Câmara, é o mesmo que moveu cerca de 50 processos contra jornalistas e veículos de comunicação. Como se vê, a liberdade de expressão – para Eduardo Cunha – tem conceitos bastante elásticos.

A corrupção não é uma invenção petista nem tucana; nem de esquerda nem de direita, nem na Petrobrás nem no metrô de São Paulo. É uma atividade humana - desprezível. Combater a corrupção é uma tarefa mais árdua do que combater apenas alguns grupos de corruptos. E o Brasil quer mesmo enfrentar esse problema?

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Tem dono sim!


“Violências sexuais, trotes violentos, castigos físicos, humilhações, machismo, racismo e discriminação social.“ Esse é o ambiente descrito em uma das mais tradicionais escolas de Medicina do país, a Faculdade de Medicina da USP. 

A reportagem, que desnuda a violência praticada por alunos veteranos e abafada pela direção da instituição, é assinada por Tatiana Merlino, Igor Ojeda, Caio Palazzo/Vídeos e Rafael Bonifácio, no site Ponte.

“As violências se tornam rituais que se repetem a partir de uma ideia de tradição que querem manter, que não é exatamente do curso, mas uma tradição de algumas festas e instituições que se torna escandalosa”, afirmou - ao site Ponte - Heloísa Buarque de Almeida, coordenadora do programa USP Diversidade.

Para se ter uma ideia da gravidade da situação, em que estupro é registrado em festas organizadas por entidades de estudantes da faculdade, o grito de guerra de muitos estudantes revela-se abjeto.

– Buceta! Buceta! Buceta eu como a seco! No cu eu passo cuspe! Medicina é só na USP!

Espanta o grau de violência sexual e discriminação social cometidas por futuros médicos, os mesmos que cuidarão da minha e da sua saúde em pouco tempo. Serão profissionais da saúde pública e conveniados aos planos de saúde. Como lidarão com a violência contra a mulher, por exemplo?

Tão vil quanto a violência praticada por universitários, cuja formação profissional é paga com dinheiro público, é a tentativa de muitos e muitas machistas em explicar o comportamento predador, colocando a responsabilidade nas vítimas.

Há quem justifique tal brutalidade apenas como consequência das meninas que não se valorizam; das meninas que usam roupas “provocantes”; das garotas que não se dão ao respeito; das garotas que participam dessas festas; daquelas que se embebedam. Ao contrário do que muitos predadores gostariam, cu de bêbado tem dono sim. 

Bebida não é senha para violência sexual. Abusar de uma pessoa nessas circunstâncias mostra o caráter (mal e mau) do abusador, que aproveita da situação para satisfazer seus desejos mais primitivos e, ainda, colocar a culpa na vítima.

O processo de culpabilização da vítima é duplamente amargo. Primeiro, está explícito, porque culpa a estuprada pelo acontecimento. Segundo, porque é expressão de uma sociedade machista que avaliza o homem a seguir seus instintos, mesmo que criminosos, e determina o "recato" à mulher.

Ninguém tem o direito de violar o corpo de ninguém. E sexo consensual é muito diferente de sexo forçado. O combate à violência sexual passa pelo combate ao machismo e às técnicas para livrar os machistas das suas responsabilidades, mas nossa sociedade quer fazer isso?

sábado, 15 de novembro de 2014

Inquietudes (233) do Rei

Enquanto o brasileiro achar que tem mais direito que o outro, os privilégios e as regalias nunca deixarão de existir.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Desinformação e preconceito

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
As urnas do Sul e do Sudeste mostram a cara de quem vota com o estômago, mas recriminam quem vota com o estômago no Norte e no Nordeste.

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
Bolsa Família é coisa de vagabundo, mas bolsa científica é auxílio para a produção do conhecimento.

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
Movimento social que reúne pobre e trabalhador é coisa de comunista e bolivariano, mas organização de empresário é arranjo do setor produtivo.

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
Participação social no governo é atentado à representatividade do Congresso Nacional, mas pedir a ditadura e a volta dos militares é democracia.

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
Regular a mídia economicamente é censura, mas produzir notícia segundo o interesse das empresas de comunicação é liberdade de imprensa.

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
Indicar os ministros do STF, conforme prevê a Constituição, é aparelhar outro poder, mas condenar sem provas – ou provas tênues – é justiça.

O Brasil atual exala desinformação e preconceito!
Mas será que não foi sempre assim?

domingo, 9 de novembro de 2014

O cidadão infrator e a agente de trânsito


Imagine um cidadão sem carteira de habilitação, dirigindo um caro sem documentos e sem placas.
Multa. Aliás, várias multas por dirigir sem habilitação, um carro sem placas e sem documento.
Mas... o motorista infrator está no Brasil.
Ao ser parado numa blitz, ele usa o cargo – o de juiz de primeira instância –para escapar das infrações.
Uma agente de trânsito diz que “juiz não é Deus” e vai cumprindo a sua função.
Sentindo-se desrespeitado em seu ego infrator, o motorista – ou melhor, o juiz – dá voz de prisão à agente.

Não se trata de ficção, o juiz que cometeu várias infrações chama-se João Carlos de Souza Correa.
A agente de trânsito é Luciana Silva Tamburini.
O episódio ocorreu durante uma blitz da Lei Seca, em 2011, no Rio de Janeiro. 
E nesta semana, saiu a decisão de uma ação por danos morais do juiz-cidadão-infrator contra a agente de trânsito.
Luciana Tamburini foi condenada pelo desembargador José Carlos Paes, da 14ª Câmara Cívil do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio. 
O valor da indenização é de R$ 5 mil.
Com a solidariedade da internet, a agente já conseguiu o valor para pagar a indenização, mas ávida que vai recorrer da decisão. 

O episódio do juiz-cidadão-infrator e da agente de trânsito revela muito sobre as autoridades brasileiras e sobre o próprio país. Arrisco algumas considerações.

1) O juiz-cidadão-infrator não representa o judiciário como um todo, mas a sua postura revela a arrogância típica de quem usa o poder em benefício próprio. Fosse honrado pela função que desempenha – fazer justiça – ao cometer uma infração, o juiz daria o exemplo e não usaria o cargo – pago com dinheiro público – para se safar das irregularidades que cometeu – fora do cargo.

2) Você-sabe-com-quem-está-falando?. O famoso carteiraço é típico de uma sociedade acostumada a privilégios de classe. O cidadão de posses usa o poder que tem ou o poder dos amigos que tem para conquistar coisas ou apagar situações irregulares do seu currículo. Isso é uma herança da colonização do país, que revela uma elite mesquinha e egoísta. Nem todo mundo é igual perante a lei.

3) A decisão do desembargador José Carlos Paes de obrigar a agente a indenizar o juiz-cidadão-infrator é de um corporativismo deslavado e vergonhoso. Deslavado porque o juiz - parado em blitz - não estava na condição de juiz, mas como cidadão infrator. Vergonhoso porque mostra que a dama da justiça enxerga de forma seletiva. Se é para beneficiar os iguais, passemos por cima da lei, do decoro, da vergonha na cara.

4) E por ser uma decisão deslavadamente corporativa, mostra-se urgente a necessidade de uma reforma do Judiciário, um poder fechado hermeticamente. É muito pouco apenas uma instância - o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – para julgar o crime de magistrados, principalmente, porque quando o CNJ condena algum juiz, a pena – invariavelmente – é a aposentadoria compulsória. Isso significa dizer que se o juiz foi condenado – provou-se a culpa – e mesmo culpado – vai para casa com o salário pago pelos contribuintes, em vencimentos integrais.  

5) O Judiciário goza de muitos benefícios com baixo retorno dos serviços públicos à população. O acesso à justiça é caro e moroso. E não há garantia de que justiça vai ser feita. Recentemente, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, decidiu pelo pagamento de R$ 4.300,00 de auxílio-moradia para juízes federais. Juízes do Rio de Janeiro, o mesmo estado do juiz-cidadão-infrator, querem auxílio-educação de R$ 7,2 mil. 

6) A sociedade brasileira, de modo geral, não se levanta contra os privilégios do funcionalismo público das três esferas – cujos serviços são de baixa qualidade e quantidade. Basta ver a indústria de cursos preparatórios para cargos públicos. Além disso, falta comprometimento social de grande parte do funcionalismo. O trabalhador desse setor deve sim ser bem remunerado e ter benefícios reais, mas o mecanismo de controle da qualidade do serviço prestado deve também ser aprimorado. Afinal é muito alto o investimento de recursos públicos no funcionalismo, pelo baixo retorno que dá á população.

7) O Brasil está acostumado a uma sociedade de privilégios, que ataca –impiedosamente – os direitos básicos do outro. Muitos que defendem auxílio-isso, auxílio-aquilo para si mesmo berra contra o bolsa-isso e o bolsa-aquilo. 
Auxílio-isso é direito. Bolsa-isso é esmola.
Auxílio-aquilo é prêmio para desempenho pessoal. Bolsa-aquilo é estímulo à acomodação.
Como se vê, persistem os dois pesos e as duas medidas, dependendo dos interesses e dos envolvidos. Enquanto o brasileiro achar que tem mais direito que o outro, os privilégios e as regalias nunca deixarão de existir. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Entre a irresponsabilidade e a maldade


“Não tenho bola de cristal. É importante que [o STF] não se converta numa corte bolivariana.” A declaração é do ministro Gilmar Mendes, em entrevista - hoje - ao jornal Folha de S.Paulo. Mendes refere-se à possibilidade de, em 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) ter 10 de 11 ministros indicados pelos governos Lula e Dilma. Ele seria o único a não ter sido indicado, já que é indicação de Fernando Henrique Cardoso.

A Folha de S.Paulo explica que “a expressão bolivarianismo serve para designar as políticas intervencionistas em todas as esferas públicas preconizadas por Hugo Chavez (1954-2013) na Venezuela e por aliados seus, como Cristina Kirchner, na Argentina”.

A declaração do ministro Gilmar Mendes flerta com a irresponsabilidade e a maldade, além de ser um insulto grave aos seus colegas de toga.  A irresponsabilidade de Mendes se caracteriza ao associar o bolivarianismo ao PT, democraticamente eleito nas últimas quatro eleições presidenciais, sem considerar os mecanismos para indicação dos ministros.

Conforme parágrafo único, do artigo 101 da Constituição Federal, “os ministros do Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal.” O ministro, conforme o mesmo artigo, deve ter “notável saber jurídico e reputação ilibada.”

Isso significa que cabe somente ao presidente da República a nomeação dos ministros depois de serem sabatinados no Senado.  As regras de indicação para o STF seguem o Estado Democrático de Direito e passam longe do intervencionismo sugerido por Gilmar Mendes. Se essas regras não são suficientes que sejam pensadas as mudanças necessárias para o aprimoramento do sistema.

O próprio Gilmar Mendes, quando foi indicado pelo presidente FHC, passou por uma sabatina no Senado, que durou cerca de seis horas.  Mendes era advogado geral da União, ou seja, vinculado ao presidente que o indicou. Ministro, o senhor acha que a sua indicação foi bolivariana?

Antes mesmo da possibilidade de Mendes vir a ser ministro do STF, o jurista Dalmo Dallari escreveu, também na Folha de S.Paulo, que Mendes “especializou-se em “inventar” soluções jurídicas no interesse do governo”. Precisa dizer mais sobre o personagem em questão?

Então, com a palavra, novamente, Dalmo Dallari. “A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão(...) É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.”
  
A maldade das afirmações do ministro Gilmar Mendes se configura pelo momento que vive o Brasil. Uma parcela da população, inconformada com a vitória de Dilma Rousseff, vai às ruas pedir o impeachment da presidente, acusando a reeleição de ter sido fraudada, sem sustentar como teria ocorrido a fraude.

No último final de semana, em São Paulo, manifestantes pediram a volta da ditadura militar.  São os mesmos que criticam a ditadura de Cuba, mas se sentem saudosos do pau-de-arara brasileiro. São os mesmos que atacam o decreto presidencial que instituiu a Política Nacional de Participação Social. Sãos os mesmos que rotulam os movimentos sociais do país de bolivarianos.

Portanto, as declarações do ministro Gilmar Mendes consistem em jogar combustível numa fogueira alimentada pelo ódio, pela desinformação, pelo preconceito, podendo gerar violência. Se o Brasil está mesmo dividido, Mendes contribui para aumentar essa cisão, o que não é compatível com uma “reputação ilibada”, exigida pelo cargo que ocupa.

domingo, 2 de novembro de 2014

Inquietudes (232) do Rei

Quem não tem voto, caça com militares?

Inquietudes (231) do Rei

Defender a justiça com as próprias mãos é atestado de falência da crença na justiça, por um lado; e a execução do discurso do ódio, por outro. Enfim, a humanidade precisa se repensar urgentemente.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Inquietudes (230) do Rei

Pensar não é uma tarefa fácil. Pensar e manifestar o pensamento com respeito e responsabilidade é ainda mais difícil. Você está preparado para isso?

Aprendizado Brasil



As eleições de 2014 ensinam muitas coisas para o Brasil.
Se o brasileiro quer aprender com elas é outra história.

O Brasil não sai das urnas dividido porque não se divide o que está dividido.
A divisão não é geográfica; é social.
Essa divisão não é homogênea.

Muitos eleitores pobres e de classe média baixa votaram em Aécio.
Muitos eleitores de classe média alta e alta votaram em Dilma.
Muitos eleitores pobres e de classe média anularam seus votos.
Muitos eleitores de classe média alta e alta anularam seus votos.

O senso comum que aflora durante as eleições não é novidade.
Assim como não é novidade o ódio despejado contra o candidato vencedor.
A desqualificação do eleitor do vencedor mostra a intolerância para aceitar a derrota.
Não foi meu candidato bom que perdeu.
Foi o candidato ruim que venceu.
Já repararam que é sempre o outro que vota errado?

O preconceito é irmão da discriminação.
Todo nordestino não é vagabundo.
Todo paulistano não é trabalhador.
Separar o Brasil?
Construir um muro do Acre ao Espírito Santo?
Deixar o país?
Se propostas segregacionistas fossem a solução, o mundo viveria em paz.

Respeitar o outro é um processo de aprendizagem.
Acatar a vontade da maioria é um processo de aprendizagem.
Viver a democracia é um processo de aprendizagem.
E a gente só aprende tudo isso se estiver disponível para isso.

As eleições de 2014 ensinam muitas coisas para o Brasil.
Se o brasileiro quer aprender com elas é outra história.

Imagem: autor desconhecido.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Sem debate

Dois projetos de Brasil: um neoliberal, voltado para o mercado e a preocupação excessiva com os investidores; outro, desenvolvimentista, preocupado com o social sem jogar a conta para o trabalhador e os mais pobres. O que significa o estado mínimo e o estado intervencionista? 

Infelizmente o discurso contra os corruptos - DO OUTRO - escondeu esse debate, tão necessário. Escândalos? PT e PSDB colecionam casos. Pena que não há equilíbrio nas instituições para aprofundar o tema. O MP e a Justiça andam partidarizados. Combater a corrupção é uma tarefa mais difícil do que combater apenas os corruptos dos quais não gostamos.

A imprensa, que poderia jogar luz sore esse tema, toma partido cada vez mais de candidatos, sem o mínimo de honestidade editorial, muitas vezes, buscando até interferir no resultado das urnas. O debate público vira palco para rótulos, transformando as redes sociais em ringue: preconceito, discriminação e violência.

O Brasil sai das urnas dividido. Não foi Aécio nem Dilma que dividiram. O país é dividido porque não se conciliam interesses inconciliáveis. Por exemplo: fortalecimento dos direitos do trabalhador X flexibilização da CLT. E, por isso, a chefe da nação tem de estar disponível ao diálogo, à negociação, quando preciso; ao recrudescimento, quando necessário. 

Torço para que Dilma consiga cumprir esse papel. Se não conseguir governar para todos, que siga a preferência explicitada na sua campanha: a maioria que precisa mais do Estado. 

sábado, 25 de outubro de 2014

Inquietudes (228) do Rei

Consumir informação contaminada pode causar infecção. Será por isso que há tanta gente doente nas redes sociais?

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Projeto de Brasil


Como classe média, pago impostos e, geralmente, uso pouco os serviços públicos.

Tenho filho em colégio (particular) de ensino fundamental e médio, por isso não uso a escola pública. 

Tenho plano de saúde, por isso uso o SUS em alguns serviços de baixa e de alta complexidade. Os planos só cobrem majoritariamente os serviços de média complexidade (consulta e exame de especialidade) e ainda com participação do usuário.  

Tenho carro financiado com juros extorsivos de instituição financeira privada, por isso uso muito pouco o transporte coletivo. Somente quando o carro - financiado com juros extorsivos de instituição financeira privada - está na oficina.

Tenho casa própria financiada diretamente com a construtora, sem subsídio do governo federal, mas tenho empréstimos pessoais em banco público cuja taxa de juro é menos da metade da praticada pelos bancos privados das necas da vida.

No próximo dia 26, escolheremos o nome que vai ocupar a Presidência da República para o período 2015/2018.

Aécio Neves defende um projeto neoliberal, conservador e já acenou que vai governar, preferencialmente, para o mercado. 

Os rentistas e especuladores excitam-se na Bolsa de Valores quando o tucano sobe nas pesquisas, numa clara demonstração de que é o preferido do mercado financeiro.

Suas propostas de estado mínimo com corte dos gastos (para o mercado, pobre é gasto e não investimento), redução da participação dos bancos públicos (BNDES, Caixa e BB) e cumprimento do tripé econômico mobilizam os agentes financeiros. 

As medidas tucanas colidem diretamente com as propostas da petista Dilma Rousseff, que defende o estado como agente do desenvolvimento fortalecendo as políticas sociais, ou seja, o investimento em quem mais precisa; a expansão da atuação pública dos bancos estatais e política econômica com valorização do salário mínimo e manutenção dos direitos do trabalhador. 

Portanto, são dois projetos políticos claros – para citar alguns exemplos – cujas propostas ora convergem, mas que na maioria das medidas se distanciam.

Por isso, no próximo domingo votarei no projeto de desenvolvimento que prevê a garantia das conquistas dos últimos 12 anos, conquistas que puseram milhões de pessoas no mapa do Brasil.

Como classe média, não uso a escola pública fundamental e média, mas me representa um projeto que prioriza o investimento na escola pública e no acesso ao ensino técnico e superior, que precisa melhorar muito ainda. 

Como classe média, uso pouco o SUS, mas me representa um projeto que prioriza a saúde pública, que precisa melhorar muito ainda.

Como classe média, uso muito pouco o transporte coletivo, mas me representa um projeto que prioriza a mobilidade urbana, que precisa melhorar muito ainda.

Como classe média, uso muito pouco os juros subsidiados para a casa própria, mas me representa um projeto que prioriza a habitação popular, que precisa melhorar muito ainda.

Como classe média, meu voto não é para mim nem para os iguais a mim. Meu voto é para os diferentes que precisam do governo para disputar – comigo e com os iguais a mim – em condições de igualdade.

sábado, 18 de outubro de 2014

Desvio de caráter


O debate das ruas, referente às eleições de 2014, são as eleições de 2010. 
Ainda pior.
O aborto foi substituído pela corrupção.
A discussão eleitoralmente cínica e moralmente hipócrita.

O PT é o partido mais corrupto da história.
O PSDB é o partido mais corrupto da história.
Se o tema é corrupção, ambos ostentam escândalos e escândalos.
Que tal transformarmos a pauta negativa em positiva?
Podemos verificar qual partido – no poder – criou mais mecanismos de combate à corrupção.
E não esqueçamos que se existe um político corrupto, há um empresário corruptor.
Simples assim.

Aviso aos navegantes. 
Não sou filiado ao PT, sou simpatizante e voto em Dilma
E este texto é opinativo e opinião não é isenta. 
A opinião é parcial, mas pode ser honesta.
Por isso, os links para conferir as informações aqui publicadas.

As eleições deste ano também consolidam o discurso de ódio contra o PT e os petistas que vem sendo semeado, regado há algum tempo.
Lembram-se de quando ACM Neto (PFL, hoje DEM) e Arthur Virgílio (PSDB) ameaçaram - da tribuna do Congresso Nacional - dar uma surra em Lula, presidente da República?
Dar uma surra não era mera figura de linguagem, era uma vontade, um desejo que, agora, colhe frutos em formato de intimidação e violência.

Muitos militantes e simpatizantes têm sido agredidos verbalmente nas redes sociais e até fisicamente.
A agressão do ator Dado Dolabella ao ator Gregório Duvivier, que declarou apoio a Dilma, não é apenas efeito colateral, é consequência também de uma cobertura desiquilibrada da imprensa brasileira, que potencializa os crimes do PT e ameniza ou esconde os crimes do PSDB.
Duvivier  ainda foi agredido em um restaurante no Rio de Janeiro.

Os mesmos que destilam ódio aos “petralhas corruptos”, geralmente, declaram apoio a Aécio e fingem não ver os escândalos de corrupção que envolvem o político mineiro.
A “tucanalha” varre para debaixo do tapete vários casos de corrupção tucana, nepotismo e desvio de recursos da saúde e da educação.
O discurso da moralização do governo federal é hipócrita porque não se combate a corrupção, mas os corruptos do outro, para – simplesmente – voltar ao poder.

O ódio plantado e regado é colhido em forma de mais violência.
Um cadeirante, em São Paulo, foi agredido por um grupo que se acha acima do bem e do mal.

O PT no governo cometeu muitos erros – sem dúvida – e a Justiça está aí para julgar, condenar e prender: mensalão, Petrobrás e outros. 
O PT no governo abandonou muitas causas – bandeiras históricas – em nome da tal governabilidade.
O PT no governo fez muitas concessões a grupos conservadores históricos.
Mas no governo, o PT também tirou milhões da miséria, em que pesem os que comem bem agredirem o Brasil que passa fome.
Mas no governo, o PT também promoveu uma inclusão social significativa – a partir da educação – nos últimos anos, com a criação de programas como Fies, Prouni e Pronatec.
Isso é informação e não opinião.
Mas no governo, o PT colocou o Brasil em posição de destaque no cenário internacional com os Brics e o Mercosul.

Votar em Aécio Neves - para quem acredita e defende o seu projeto neoliberal, de direita e conservador - é legítimo.
Votar em Aécio Neves porque ele vai combater a corrupção do PT é – antes de tudo – desinformação ou má fé.
Não se combate a corrupção, atacando apenas os corruptos dos outros. 
E o pior: concordar – e estimular a violência contra petistas e simpatizantes (verifiquem quantos militantes tucanos foram agredidos ou mortos) é – em primeira e última análise – desvio de caráter. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Aí, a igualdade

Aí... o meu conhecido diz que no Brasil não existem diferenças de classes, que todo brasileiro é igual. Eu pergunto.

__O que você achou do resultado do primeiro turno para presidente?
__Um absurdo. Quem botou a Dilma em primeiro lugar foram os pobres - esses mortos de fome - porque vivem de esmola do governo. 
__Estão dizendo que a diferença veio do Nordeste.
__Não foi não. São os pobres mal informados que votam no PT e pobre tem tudo que é lugar. Depois vivem na miséria e não sabem o motivo.

Isso porque o conhecido diz que não existe luta de classes no Brasil. Já pensou como seria se existisse?

sábado, 11 de outubro de 2014

Aí, a alternância

Aí... o meu conhecido argumenta que quer alternância no poder. Diz que 12 anos para o PT são suficientes. Eu pergunto.

__Em quem você votou para senador?
__Álvaro Dias. Voto nele desde 1998.


Então, alternância no poder dos outros é refresco.

Inquietudes (227) do Rei

Por que todo racista e homofóbico começa seus textos justificando não serem racistas e homofóbicos, para - em seguida - praticar o racismo e a homofobia?

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Inquietudes (226) do Rei

Já que um dos temas deste segundo turno das eleições presidenciais é corrupção, em vez de discutir quem é mais corrupto - PT ou PSDB - até porque ambos contam com muitos escândalos, poderíamos ter um debate mais propositivo sobre o tema. Sugiro três perguntas básicas para nortear o debate.

- Qual partido, no poder, criou quais mecanismos de combate à corrupção? 
- Que mecanismos são esses e quando foram criados?
- Qual o resultado prático dos mecanismos criados para combater a corrupção?

domingo, 5 de outubro de 2014

Confissão

Ao final deste primeiro turno das eleições 2014, eu confesso.
Confesso que estou sem ânimo para entrar em debate estéril.
Confesso que estou sem vontade para contra-argumentar a argumento estúpido.
Confesso que estou sem desejo para rebater avaliação cretina.
Confesso que estou sem tesão para estabelecer o contraditório.
Confesso que estou sem disposição para revidar ao senso comum.
Isso é sinal de amadurecimento? Ou depressão? 

Brasil nas urnas


O Brasil vai às urnas hoje escolher deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da república. Nas últimas semanas, os candidatos se engalfinharam nos palanques das ruas e nos palanques dos debates eleitorais. Arrisco algumas considerações acerca do processo eleitoral para presidente.

1) Os candidatos sustentam-se mais na imagem que ajudaram a construir do que necessariamente pelas propostas que defendem.

2) As pesquisas eleitorais dominaram mais uma vez a cena eleitoral. Pela discrepância dos resultados, as pesquisas mostram-se com pouca credibilidade. A Justiça Eleitoral tem de rever a atuação dos institutos de pesquisa. Não basta apenas o registro, conforme prevê a Lei Eleitoral. 

3) A Bolsa de Valores sobe com o bom desempenho – nas pesquisas – de Marina e Aécio e cai com o bom desempenho de Dilma. Alguém ganha dinheiro especulando com a dobradinha Bolsa de Valores e institutos de pesquisas. O Brasil não pode ser refém do mercado que quer decidir o nome que vai ocupar a Presidência da República.

4) Os debates eleitorais da TV parecem interferir muito pouco na intenção de votos e servem mais para captar imagens para os programas de TV e alimentar o eterno embate dos eleitores, agora potencializado pelas redes sociais. Cada militante enxerga o que e como quer no desempenho de seus eleitos.

5) Os candidatos nos debates perdem mais tempo atacando uns aos outros do que apresentando propostas e aprofundando a discussão sobre temas importantes. Isso também se deve, no caso televisão, pela organização que prioriza mais os sopapos entre os postulantes à presidência que o debate propriamente dito.

6) As eleições para deputado e senador ficam em segundo plano porque os candidatos a presidente e governador roubam a cena. A coadjuvância do debate para esses cargos acaba refletindo nas próprias instituições. Quem costuma acompanhar a atuação de seus deputados e senadores?

7) Temas espinhosos como aborto, legalização da maconha, casamento gay causam calafrios nos candidatos com maior chance de se eleger. O medo de perder votos faz com que não declarem suas posições ficando sujeitos a acordos que impedem o avanço nessas áreas.

8) O Brasil está polarizado em dois projetos: PT e PSDB. Marina tentou ser a terceira via, mas se perdeu por assumir posições da direita logo depois da morte de Educado Campos, tanto que o representante legítimo da elite – Aécio – reconquistou muitos votos que haviam migrado para ela. 

9) Para romper a polarização PT e PSDB não basta apresentar-se como um novo nome. Marina fez campanha sob o mote da nova política, mas associou-se a velhos expedientes, como o poder econômico estampado no empresariado da Natura e do Itaú. Deu no que deu. É necessário definir um programa que seja uma alternativa aos dois partidos citados. Neste item,  Luciana Genro conseguiu emplacar propostas agradando uma parcela importante do eleitorado, principalmente, o jovem. Se vai conseguir se consolidar como alternativa é outra história.

10) Em junho de 2013 – com os protestos – era difícil imaginar que Dilma se reelegesse. Sua imagem pessoal e a avaliação do governo perderam muito com os protestos, mas ela entrou na campanha – meses atrás – como favorita; perdeu o favoritismo para Marina e recuperou agora na reta final.  Nunca é tarde para lembrar que governo é governo e campanha é campanha.

Imagem: Fonte: Blog Justiça de A a Z.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Opinião e homofobia

A declaração do candidato nanico (em potencial de votos) à Presidência da República, Levy Fidelix, sobre a homossexualidade, no debate da Record, no domingo (dia 28), mistura liberdade de expressão e homofobia.

A parte do “aparelho excretor não reproduz” e “dois iguais não fazem filhos” é opinião. Condenável e desprezível, mas é opinião. A liberdade de expressão é um direito sagrado, mas a prática humana aplaude a opinião quando gosta e ataca quando não gosta, flertando até com a censura.

Agora, o trecho “nós somos maioria, vamos enfrentar essa minoria” e a comparação dos homossexuais à pedofilia são declarações homofóbicas. O que significa para o candidato enfrentar os gays?

Não contratar e despedir alguém por causa da orientação sexual? Negar direitos civis como casamento e adoção? Ser cúmplice da violência que mata homossexuais? Isso não é opinião. É homofobia.

Infelizmente, a liberdade de expressão, sobre esse tema, anda de mãos dadas com a homofobia, principalmente, se considerarmos a intolerância que se avoluma no Brasil por causa da radicalidade em não aceitar o outro que ele é. 


Atualizado às 22h01:

A crescente intolerância aos homossexuais tem causado a morte de muita gente por causa da orientação sexual. Levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) mostra que 218 homossexuais foram assassinados, de janeiro até hoje. 


"Só no último mês foram registradas 16 ocorrências. De janeiro até hoje, foram 218 mortes de LGBT no País, dos quais 71 por tiros, 70 a facadas, 21 espancados, 20 por asfixia, 11 a pauladas e seis apedrejados, entre outros", afirma reportagem do portal Terra.

sábado, 27 de setembro de 2014

Os rótulos de todos os dias

A mãe no supermercado.
__Filho, pega um refrigerante. Está ali perto daquele aleijado.

O menino fala para o pai.
__ Pai, olha... ele é zarolho.
__Menino, que coisa feia! Não pode apontar o defeito dos outros.

O caixa chama.
__Próximo! Essa gordona mesmo.

No jogo, o professor exclui do time o garoto.
__Òh metro e meio, vc não pode jogar.

O cobrador pede o assento.
__Menino, tenha vergonha! Deixa essa velha sentar no banco.

A eleitora diz estarrecida.
__Daqui a pouco esses pobres, mortos de fome, vão querer mandar no mundo.

O marombado comenta com o amigo marombado.
__Essa daí deve ser uma crente do cu quente. Olha isso!

E você achava que o politicamente correto era uma linguagem para homossexuais e negros! Afinal somente viado, sapatão e negão são termos pejorativos, certo?

Você vai discordar da chatice do politicamente correto até ser alvo do politicamente incorreto.

Ué, mas não se trata de liberdade de expressão?

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Lição aos corruptores

Rodrigo Janot, procurador-geral da República, reuniu-se ontem com parlamentares e disse que o Ministério Público não aceitou um acordo de leniência coletivo, proposto por empresários (grandes empreiteiras e fornecedores) envolvidos na Operação Lava Jato, que investiga desvio de recursos na estatal.

Para o procurador, aceitar o acordo seria o mesmo que aceitar um "cartel de leniência". A proposta dos empresários, com o acordo, é reduzir (ou até mesmo extinguir) as punições pela participação em esquemas de fraude e corrupção, ou seja, o empresariado corruptor ajuda a roubar e, quando é flagrado com o dinheiro no bolso, transfere toda a responsabilidade para o agente público corrupto.

A recusa do Ministério Público é uma bofetada - bem dada - na cara dos corruptores - a outra face da corrupção. Geralmente, o empresário que paga propina para ver seus interesses atendidos fazem pose ou são pintados como vítimas de políticos ou agentes públicos corruptos. 

Empresário honesto extorquido, se denuncia a extorsão, é beneficiado pela legislação. Esse sim é vítima de corruptos, mas ao aceitar pagar a propina, ele simplesmente torna-se parte do problema usufruindo os produtos do esquema que ajudou a montar.

Anticorrupção 

Entrou em vigor neste ano a lei federal 12.486, a Lei Anticorrupção. Empresários que pagarem propina ou fraudarem licitações podem ser multados em até 20% do faturamento anual. A lei é federal e, apesar de ser um importante instrumento de combate à corrupção, nem todos os estados aprovaram legislação semelhante. 

É preciso e urgente que sejam punidos os dois lados da corrupção - esse mal que atinge os recursos públicos. Só existe quem recebe propina porque há quem pague. Só há quem pague propina porque existe quem receba. Se corrupto e corruptor mantêm uma íntima relação que esse relacionamento continue na cadeia.