sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A cara feia do Brasil

__Essa negrada do rolezinho que apanhou da polícia, eu achei pouco foi pouco.
__Coisa de pobre favelado [...]
__Chega de rolezinho moçada, vamos trabalhar negrada!
__Vai fazer rolezinho na cadeia [...]
__Veio me chamar pra participar de um Rolezinho. Ahh vai te catar.  Eu tenho cara de favelado [?]
__Rolezinho de cu é rola.

O assunto ainda é o rolezinho dos jovens pobres da periferia de São Paulo que tanto incomoda, denuncia e se alastra pelo país.

As falas acima ilustram a imagem deste texto, que foi copiada do Blog da Cidadania, mantido por Eduardo Guimarães.

No twitter, a mensagem do grupo é representativa de um segmento que cada vez mostra mais a sua verdadeira face.

É a cara do individualismo, como se esses jovens brancos de roles nos shoppings de todos os dias fossem alguma coisa sem a conta bancária dos pais.

É a cara do preconceito que se releva em três frentes: contra o pobre, contra o negro e contra o morador da periferia.

É a cara da discriminação contra o pobre, o negro e o morador da periferia, que não aceita integrar esses como um igual.

É a cara do conservadorismo retrógrado que não permite o avanço das políticas sociais como instrumento de combate à desigualdade.

É a cara da meritocracia que adota o princípio da igualdade para tratar os desiguais e, assim, perpetuar a desigualdade. 

É a cara da calúnia, da injúria e da difamação disfarçadas em suposta liberdade de expressão e direito à manifestação do pensamento.

Essa cara também se manifesta em várias ocasiões por conta de programas como as cotas públicas, o Bolsa Família e a lei que ampliou os direitos dos empregados domésticos.

Essa cara é mantida por partidos políticos de direita, parte da classe média e média alta, e reverberada por veículos de comunicação sem compromisso com a maioria.

Raves, boates e avenidas centrais sempre foram pontos de rolezinhos do jovem branco da classe média, que não perdoa o jovem negro e pobre ter ousado deixar a periferia.

Um comentário:

christina iuppen disse...

Há muito que denunciamos essa permeabilidade crescente à expressão de uma barbárie que existiu sempre, porém meio acobertada com algum pudor. Vimos isto, por exemplo, nas postagens sobre a remoção de Pinheirinhos, nas eleições em SP - quando se propôs exterminar os nordestinos -, na vinda dos médicos cubanos... Agora, aqui no Rio, trabalhadores passaram mais de 24 sem comer, desabrigados, porque a administração do shopping onde iam fazer exame médico admissional não permite o acesso de 'gente feia,a mal-cheirosa'. A responsabilização por práticas e verbalizações de preconceitos inadmissíveis é ainda muito tíbia, ou inexiste.
983689998