quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A máscara e o dedo do meio

A fotografia do jornal odiario.com, que ilustra este texto, feita ontem (dia 22), em Londrina, durante o terceiro protesto contra o aumento da tarifa do transporte coletivo é bastante significativa. A imagem integra um álbum na reportagem de Juliana Leite sobre a manifestação que fechou algumas vias centrais da cidade. Arrisco algumas considerações sobre o tema.

1) O mascarado que esvazia o pneu do ônibus, ao mostrar o dedo do meio ao fotógrafo de odiario.com, não desrespeita apenas o profissional que fez a imagem.

2)  O mascarado, ao mostrar o dedo do meio, desrespeita também os manifestantes que não escondem a cara e que defendem uma causa justa.

3) O mascarado que depreda o patrimônio de uso público, ao mostrar o dedo do meio, desrespeita também quem usa o transporte coletivo, a quem o mascarado supostamente defende.

4) O mascarado que protesta vandalizando a cidade, desrespeita também a direção do movimento que tem poder de mobilização já que ele pega carona na manifestação.

5) O mascarado que protesta mascarado, ao mostrar o dedo do meio, mascara suas reais intenções, que não podem ser confundidas com o objetivo do movimento.

6) O mascarado que radicaliza nos protestos, em nome da sua máscara, coloca em xeque a credibilidade das manifestações.

Todo protesto é legítimo e o cidadão tem a garantia legal de poder manifestar-se. No entanto, a máscara não pode ser instrumento para cobrir a própria identidade e muito menos para camuflar a coragem de lutar pelo que é necessário.

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