quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Inquietudes (198) do Rei

É impressionante o conteúdo de muitos comentários sobre os rolezinhos do jovem da periferia nos shoppings. Existem aqueles que os mandam carpir um terreno ao meio-dia. Outros afirmam que se tratam de adolescentes (negros) sem futuro que tumultuam a diversão da classe média (branca). Alguns ainda dizem que os rolezeiros não trabalham e não querem dar um rolezinho numa agência de emprego. Por isso, há quem classifique esses jovens de vagabundos. 

Qual a diferença de um jovem da periferia que não trabalha para um jovem de classe média que também não trabalha, quando ambos fazem nada em um shopping? A diferença é o tratamento social - e o preconceito que emerge da eterna luta de classes - dado aos dois. Filho de pobre que não trabalha é vagabundo. Filho de rico que não trabalha é um bom partido. Ah! então tá!

2 comentários:

Maurício Venancio disse...

o que me incomoda não são os rolezinhos, nem mesmo os comentários, pois expressar a opinião é sempre válido, mesmo quando a opinião é uma asneira... o que me incomoda é a atitude dos rolezeiros, que ao invés de expressar os anseios dos jovens sem oportunidades, deixa claro a falta de base e educação... e isso não há desculpa. Não sei porque levantar a bandeira da periferia e pobreza, discutir classe média e tudo mais, pois no meio dos rolezeiros existem muitos de classe média. Quanto a diferenciação entre o filho de pobre que não trabalha, esse deve se esforçar mais que o filho de rico sim, já que cabe a ele e seu esforço mudar seu futuro e de seus filhos. Daqui a pouco vão defender quem pratica latrocínio,pois não teve oportunidades.Sociedade hipócrita.

Reinaldo César Zanardi disse...

Concordo, Maurício. Nossa sociedade é hipócrita demais. Ela acha, por exemplo, que os jovens pobres da periferia têm a mesma oportunidade que os jovens ricos e da classe média.

Aliás, é o segmento da meritocracia que aposta somente no esforço pessoal. Confunde oportunidade com capacidade. São os contrários ao Bolsa Família, as Cotas e outros programas de redução da desigualdade social.

Ninguém defende latrocínio, mas os filhos dos ricos que botaram fogo no mendigo em Brasília, tempos atrás, tiveram tratamento diferente exatamente por serem ricos. Realmente, nossa sociedade é hipócrita.