segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Bomba-relógio


Junte, no espaço público, a noção de que a política não presta, que todo político é corrupto e que o governo faz nada; adicione uma pitada de preconceito contra as políticas afirmativas e os pobres; junte um pouco de intolerância contra tudo e todos; coloque um punhado de insatisfação e bata com muita violência. 

Leve ao horário nobre da televisão a ação do grupo pequeno de vândalos numa manifestação de maioria pacífica, mas cancele o episódio da novela e mostre os detalhes do quebra-quebra; asse na capa impressa a intenção (qual mesmo?) dos mascarados que querem mudar o Brasil. 

Desenforne em uma bancada de telejornal com especialistas reafirmando a espontaneidade dos protestos; passe uma camada de apartidarismo político; passe outra camada de legitimação da violência em manifestações e contra suspeitos de assaltos e furtos. 

Sirva ao país. 

A morte do cinegrafista em decorrência de um rojão aceso por um Black Bloc; o adolescente negro amarrado nu em poste; o paciente mental amarrado em outro poste; o surgimento de grupos justiceiros; a justiça pelas próprias não são efeitos colaterais.

Tudo isso é sintoma de uma sociedade doente, que constrói seu futuro sobre uma bomba-relógio. Essa bomba pode explodir a qualquer hora e em qualquer lugar. 

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