terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O beijo da hipocrisia

Muita gente tem feito comentários raivosos condenando o beijo gay em Amor à Vida. Aliás, um beijo que está mais para um selinho demorado. 

O interessante é que dos que afirmam que a Globo passou dos limites, muitos devem se excitar no sofá da sala de casa ao acompanhar o edificante edredom do BBB.

No afã de detonar a cena, desqualificando os homossexuais, principalmente com argumentos religiosos, muitos pais se perguntam.

__O que vou dizer para meu filho, se virmos dois homens ou duas mulheres se beijando?  

Educar não é fácil mesmo. É uma tarefa maior que apenas ensinar alguma coisa. Educar exige informação, reflexão, diálogo e, principalmente, modelo.

Os pais que invocam tal questionamento revelam não ter disposição para a conversa com seus filhos.  E isso não é o pior.

O pior é não ter o que falar, é não saber o que transmitir, é se incomodar com o barulho do silêncio de uma resposta não dada.

As sugestões para os pais que não sabem o que responder, quando o filho ou a filha perguntar sobre dois homens ou duas mulheres se beijando, são muitas.

__Filho, isso é errado. Deus criou o homem e a mulher. Isso é uma pouca vergonha.

__Filho, as pessoas são livres para fazer o que quiserem. Se é certo ou errado, não estamos aqui para julgar.

__Filho, a Globo passou dos limites. A TV não pode mostrar essa indecência.

__Filho, os homossexuais têm os mesmos direitos de todos os cidadãos. Nós temos que respeitá-los.

__Filho, a Bíblia, em Levítico, condena a homossexualidade. Por isso, eles não vão para o céu.

__Filho, a Bíblia - em João, Hebreus, Romanos - fala do amor ao próximo. É muito fácil amarmos quem é igual à gente. O desafio é amar o diferente.

As possíveis respostas dadas ao questionamento “o que vou falar para o meu filho?” seguem duas direções distintas.

Como pais ou cidadãos ou telespectadores escolhemos um desses caminhos todos os dias.

A tolerância ou a intolerância e o respeito ou o desrespeito são, portanto, construídos no processo da educação.

Ninguém nasce preconceituoso nem homofóbico e, por isso, mesmo tem sempre alguém que educa, que ensina esse comportamento.

E aí como estamos educando nossos filhos mesmo?

Nenhum comentário: