segunda-feira, 31 de março de 2014

Aniversário é tudo de bom

Fazer aniversário é ficar mais velho.
E ficar mais velho é ter dores que não se tinha.
É fazer as coisas de forma menos rápida do que se fazia.
Tudo bem! 

Aprendemos fácil.
A capacidade de adaptação do ser humano é grande.

Há muitas coisas boas em fazer aniversário.
Ganhar presentes.
Ser felicitado por amigos próximos.
Receber parabéns de colegas cotidianos.
Curtir post de gente virtual.
O dia tem sabor de comemoração.

Fazer 43 anos também não deixa de ser uma contagem regressiva.
É ter vivido a metade ou mais da metade da vida.
Mas é fazer com que a experiência jogue a nosso favor.
E ter mais paciência para as coisas boas
E menos para as coisas chatas, que são muitas.

Enfim... fazer aniversário é tudo de bom.

domingo, 30 de março de 2014

Inquietudes (203) do Rei

Não é de se espantar que a maioria dos brasileiros culpa as mulheres pelo estupro, amenizando a responsabilidade do criminoso agressor, quando até o poder público patrocina anúncio que diz ser bom metrô lotado para "xavecar a mulherada". A campanha publicitária do governo de São Paulo não é efeito colateral. É sintoma de uma sociedade que culpa suas vítimas pelo crime que sofreram. Esse sintoma revela uma sociedade doente (a humanidade sempre foi assim?), incapaz de proteger quem precisa mais.

sábado, 29 de março de 2014

Dedo em riste internético

Eu gosto de fazer críticas, mas não gosto de ser criticado. Por isso, desqualifico quem ousa me criticar.

Eu gosto de dar minha opinião, mas não me interesso pela opinião dos outros. Por isso, ataco quem de mim discorda.

Eu gosto de raciocinar, mas não gosto do raciocínio do outro. Por isso, parto para a ignorância.

Eu gosto da minha ideologia, mas não gosto da ideologia alheia. Por isso, ofendo quem age ideologicamente.

Gosto de apresentar minhas ideias, mas não gosto de ouvir as dos outros. Por isso, parto para a ofensa pessoal.

A internet é um exercício de liberdade de expressão e de tolerância. Mas o que posso fazer se minha liberdade é melhor que a outro?

Na internet, muito internauta vive com o dedo em riste apontado para a cara dos outros.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Percepção das cavernas

O trabalho "Tolerância social à violência contra as mulheres", do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), comprova o que os movimentos de mulheres e as feministas dizem há muito tempo. A vítima de estupro é culpada pelo crime que sofreu. 

O levantamento foi realizado em maio e junho de 2013 e foram ouvidas 3.810 pessoas, sendo 66,5% mulheres e 33,5% homens. Os dados integram o Sistema de Indicadores de Percepção Social, do Ipea. Alguns dados da tal percepção são estarrecedores.

- 42,7% dos entrevistados concordam totalmente com a frase: "mulheres que usam roupas que mostram parte do corpo merecem ser atacadas." Esse número sobe para 65,1% se forem somados os que concordam parcialmente.

- 35,3% concordam que "se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupro". Se somado o índice de quem concorda parcialmente, o percentual também sobe, desta vez para 58,5%.

A pesquisa não se resume a esses indicadores, mas esses números mostram uma percepção assustadora sobre a violência contra a mulher, uma percepção das cavernas. 
A questão é ainda mais complexa porque envolve aspectos culturais, de identidade sexual e de gênero. A percepção revelada pela pesquisa reforço os estereótipos da cultura do estupro. 

Ao concordar com a frase, os entrevistados (inclusive mulheres) e outros milhões legitimam o estupro e buscam culpar a vítima por causa do seu comportamento e de suas roupas. Para esses, mulheres que usam minissaia e blusinhas podem, devem e merecem ser estupradas; mulheres que se comportam mal, podem, devem e merecem ser estupradas.

Roupa curta, sensual e provocante não é cartão de visitas para agressores sexuais. Roupa curta, sensual e provocante não é aviso de disponibilidades para estupros. __Mas e o comportamento vulgar? __E o que é isso? 

Comportamento vulgar é se vestir como bem entender? É falar alto e rir demais? É beber com as amigas? É vomitar no boteco? É dar em cima de vários? Certamente, esse comportamento não é bonito, mas é um direito, uma liberdade individual, faz parte das escolhas de cada mulher. A vulgaridade das ruas é condenada, mas a vulgaridade das celebridades e das sub-celebridades é glamurizada. A mídia faz isso rotineiramente.

Se a garota de minissaia enche a cara e vomita na balada é sinal de que ela quer ser estuprada? O homem que estupra uma mulher alcoolizada é duplamente covarde porque se aproveita de um momento de vulnerabilidade. O desejo não está acima dos direitos e do respeito à mulher.

A pesquisa do Ipea diz muito sobre a percepção brasileira em relação à tolerância com a violência contra a mulher, mas diz muito mais sobre a índole dos homens e das mulheres deste país.

Imagem: Cena do filme O Albergue.

PS. O Ipea divulgou em 04/04/2014, uma errata na qual corrige dados da pesquisa. Não são 65,1% dos entrevistados que concordam (parcial ou integralmente) com a frase "mulheres que usam roupas que mostram parte do corpo merecem ser atacadas." O índice é de 26%. em abaixo dos 65,1%. No entanto, ainda é um índice alto e continua sendo uma percepção das cavernas. O machismo mata!

Orquídea bambu


quinta-feira, 27 de março de 2014

De vítima a cúmplice

A mulher machista é tão ruim quanto o homem machista porque ajuda a legitimar o preconceito, a discriminação e até a violência contra a mulher. E se  virar vítima do machismo que ajudou a disseminar?

O negro racista é tão ruim quando o branco racista  porque ajuda a legitimar o preconceito, a discriminação e até a violência contra o negro. E se virar vítima do racismo que ajudou a disseminar?

O gay homofóbico é tão ruim quando o hétero homofóbico porque ajuda a legitimar o preconceito, a discriminação e até a violência contra os gays. E se virar vítima da homofobia que ajudou a disseminar? 

O pobre 'pobrefóbico' é tão ruim quanto o rico 'pobrefóbico' porque ajuda a legitimar o preconceito, a discriminação e até a violência contra os pobres. E se virar vítima da 'pobrefobia' que ajudou a disseminar? 

Sim! Há mulher machista. Há negro racista. Há gay homofóbico. Há pobre com horror a pobre. Muitas vezes, são cúmplices de uma violência que deveriam apontar, acusar, denunciar. Quem já foi agredido não obrigatoriamente passa a ser protetor da vítima. Pode virar agressor tão violento quanto.

As experiências traumatizantes não necessariamente tornam a pessoa melhor. Ela pode repetir gestos piores do que aqueles que sofreu. A sensibilidade não é, portanto, uma marca registrada das vítimas.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Entre o cinismo e o grotesco

O Governo do Estado de São Paulo fez publicidade sugerindo que vagão lotado do metrô é bom para "xavecar a mulherada". O anúncio polêmico foi veiculado na Rádio Transamérica. O áudio pode ser ouvido na reportagem da Folha no link acima.

O Dicionário Informal da Língua Portuguesa define xavecar como "o mesmo que dar uma cantada, ato de assediar uma pessoa sexualmente". Xavecar faz parte da cultura machista cujos adeptos da prática subjugam as mulheres ao seu prazer.

Xavecar pode ser considerado sinônimo de outra expressão igualmente machista: encoxar. O mesmo Dicionário Informal conceitua encoxar como "esfregar o pênis contra as coxas ou o bumbum de alguém". Definição forte não? 

Mais forte é um governo estadual incentivar essa prática no transporte coletivo. Ainda mais um governo que não deu respostas à altura sobre o escândalo de pagamento de propina a integrantes do mesmo governo no mesmo metrô. 

Segundo a Folha, "a Rádio Transamérica declarou em nota, que o personagem "Gavião" [locutor do áudio] é caricato e humorístico e que a peça publicitária narrada por ele tem o intuito de entreter e divertir o público ao passar informações úteis do transporte coletivo." 

Esse é o tipo de justificativa que piora ainda mais a situação. Xavecar e encoxar são uma forma de diversão? Certamente para os xavecadores e encoxadores do transporte público. As mulheres acham graça nisso?

A peça publicitária é cínica, imoral e grotesca. Cínica porque tenta justificar o injustificável. Imoral porque atinge a dignidade das mulheres. Grotesca porque é patrocinada com dinheiro do contribuinte que deveria ser protegido da superlotação do metrô.

Cara de lixo

Inquietudes (202) do Rei

A cultura da meritocracia adota o princípio da igualdade para tratar os desiguais e, assim, perpetua a desigualdade.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Inquietudes (201) do Rei

A maioria dos debates nas redes sociais e em espaços de comentários de publicações on-line virou (ou sempre foram?) diálogo de monólogo, ou seja, cada um fala o que quer sem levar em consideração o que o outro disse ou perguntou. Já reparou que existe um monte de gente falando sozinha ao mesmo tempo? 

terça-feira, 11 de março de 2014

Desinformado. Conivente. Cúmplice.


O general da Brigada Paulo Chagas escreveu artigo, na revista Sociedade Militar, no qual afirma que os "militares da reserva diferem entre si na forma, na intensidade e na oportunidade de uma eventual intervenção militar que venha a dissuadir as pretensões mais ousadas dos dissimulados adeptos da versão “bolivariana” do comunismo de sempre (...)" 

Na prática, o general afirma que o Brasil pode sofrer um novo golpe e que os militares da reserva diferem sobre como e quando. Intervenção, neste caso, é um mero eufemismo. Aliás, os golpistas de 1964 gostam de rotular aquilo de revolução. O artigo de Paulo Chagas invoca muitas reflexões. Arrisco algumas.

1) É da natureza militar ser beligerante e pouco afeto às regras democráticas. Por exemplo, a truculência da PM nas abordagens de rua é uma herança da militarização da segurança pública. Então onde está a novidade do artigo que prega um novo golpe? No apoio de muitos setores da sociedade, incluindo, gente que se diz esclarecida.

2) O cidadão comum que acredita numa intervenção militar como resultado para restabelecer a ordem social é desinformado, conivente ou cúmplice. Desinformado porque não conhece a história do país. Conivente porque, se conhece a história, concorda com a violência praticada nos porões da ditadura. Cúmplice se participou ativamente da repressão nos chamados anos de chumbo.

3) Se alguém duvida do item 2, passeie pelos comentários ao final do artigo do general e verifique o nível da reflexão:
"__Peço fervorosamente que haja uma intervenção militar já, agora, se possível pra ontem!"
"__Fechem esse Congresso Nacional! Reforma nas leis de partidos! Convoquem novas eleições!"
"__Corruptos era arrancado do poder e se resmungasse levava um calaboca."
__“Estou aguardando a minha passagem para a reserva. Devemos usar força para expulsar esses comunista do Brasil. Preciso de contato, pois necessito de armamento, pois teremos que usar tática de guerrilha, pegar as cabeças (...)”
"__Eu não tenho estrutura para luta corpo a corpo, mas fé é o que não me falta. São Miguel Arcanjo, o Príncipe da Milícia Celeste, com certeza comandará a batalha, justa."

Isso é ou não é sinônimo de desinformação, conivência ou cumplicidade?

4) A argumentação sobre uma intervenção militar passa pela desordem do país, pela corrupção generalizada, pelo ataque aos valores morais que degradam a sociedade brasileira e pelo avanço do comunismo. Jesus! tem gente que acredita que o governo petista de Lula e Dilma é comunista. Quem acredita nisso, acredita também que não houve corrupção na Ditadura Militar e que o país estava em ordem.

5) A Comissão Nacional da Verdade mantém um site, no qual os interessados (tomara que os desinformados, coniventes e cúmplices acessem o conteúdo) podem saber mais sobre a violação dos direitos humanos na Ditadura Militar Brasileira. A comissão disponiliza o link "Mortos e desparecidos políticos", no qual se pode pesquisar o nome de muitas vítimas do regime. Nomes como os de Rubens Paiva, João Lucas Alves, Manoel Fiel Filho e Padre Antônio Henrique.

6) "O regime militar conviveu tanto com os corruptos, e com sua disposição de fazer parte do governo, quanto com a face mais exibida da corrupção, que compôs a lista dos grandes escândalos de ladroagem da ditadura. Entre muitos outros estão a operação Capemi (Caixa de Pecúlio dos Militares), que ganhou concorrência suspeita para a exploração de madeira no Pará, e os desvios de verba na construção da ponte Rio–Niterói e da Rodovia Transamazônica." Quem quiser saber um pouco mais sobre a corrupção nos governos militares pode acessar o artigo "Moralismo Capenga", de Heloisa Maria Murgel Starling, professora de História da Universidade Federal de Minas Gerais e co-autora de "Corrupção: ensaios e críticas" (Editora da UFMG, 2008).

7) Ainda sobre a complacência dos militares com a corrupção, Juremir Machado da Silva direciona em seu blog para uma reportagem do jornal O Globo "que mostra o que nós, historiadores, já sabíamos e já denunciávamos: o elo entre tortura e contravenção." O Globo é o mesmo jornal que publicou texto reconhecendo como erro o apoio editorial à ditadura. O reconhecimento foi em agosto de 2013, ou seja, quase 50 anos depois.

8) A democracia brasileira é recente. A reabertura data de 1985. Naturalmente muitos problemas ainda precisam ser enfrentados como a própria corrupção. Mas esta precisa ser atacada em todas as frentes, incluindo o famoso jeitinho brasileiro que abre as portas para corruptos e corruptores de toda sorte. Um governo corrupto nada mais é que um sintoma da sua própria sociedade.

9) Convocada para o próximo dia 22/03, a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade relembra o apoio ao Golpe de 1964. Portanto, em sintonia com o general da Brigada, que prega um novo golpe. A atitude de quem apoia a marcha é clara. É pela família, aquela tradicional, cujo formato não cabem os núcleos familiares formados por quem não se encaixa no figurino de pai, mãe e filho. É por Deus. Aquele ser que pune quem não segue a moral e os bons costumes. É pela liberdade. Liberdade dos cidadãos de bem, aqueles que gostam de amarrar o marginalzinho no poste.

10) Nas últimas cinco eleições foram eleitos três presidentes. Fernando Henrique Cardoso foi eleito em 1994 e 1998, democraticamente pelas urnas. Luis Inácio Lula da Silva governou a partir de 2002 e 2006, eleito pelas mesmas urnas. Dilma Rousseff se elegeu em 2010, também pelo poder do voto direto. Ela é candidata à reeleição. Tirar um presidente eleito pelo voto direito, que não seja pelas urnas ou por processo legítimo de impeachment, é golpe. Simples assim.

11) Aliás, golpe é uma tradição da direita latino-americana. Não precisamos ir muito longe na linha do tempo para comprovar o asco que muitos têm por governos eleitos democraticamente. Os exemplos recentes vêm do Paraguai (2012) e de Honduras (2009).

12) Quando a sociedade democrática pede a volta do Regime Militar, ela chancela a violência praticada pela ditadura. Quando essa mesma sociedade dá carta branca à violência militar institucionalizada, qualquer um pode ser a vítima. Inclusive quem apoiou o golpe para ter mais ordem no país.


Foto: O jornalista Vladimir Herzog foi torturado e morto no Doi Codi de São Paulo. A foto que ilustra esse texto expõe a farsa para tratar do caso como suicídio. 

domingo, 9 de março de 2014

Hoje é domingo

Na sapateira, o tênis pede para correr.
Depois.

No canto da varanda, a esteira implora para caminhar.
Mais tarde.

Na garagem, a bicicleta suplica para rodar.
Outra hora.

Hoje é domingo.
Pede cachimbo.
Que faz faz mal para a saúde.

Calço o tênis.

Correr?
Andar de esteira?
Rodar de bicicleta?

Hoje é domingo.
Pede cachimbo.
Não importa que faça mal para a saúde.

sábado, 8 de março de 2014

Ser mulher

é viver o moderno, assumindo novas funções.
é manter a tradição, sendo o elo da família.
é dar conta da dupla ou tripla jornada.

A mulher conquistou muita coisa.
E quer ainda mais.
Nada além do que tem direito.

Elas sabem o que desejam.
Têm certeza do que rejeitam.
São donas de si.
Metem medo em muito homem.

Elas são frágeis e fortes.
Por isso, podemos aprender muito com elas.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Eu não tenho preconceito

__O glamour dos aeroportos acabou e hoje parece até rodoviária, mas eu não tenho preconceito contra os pobres.

__Homem com homem é nojento, mas eu não tenho preconceito contra os gays.

__O Bolsa Família estimula a vagabundagem, mas eu não tenho preconceito contra as políticas públicas.

__A população tem o direito coletivo à legítima defesa e de contra-atacar os bandidos, mas eu não tenho preconceitos contra os direitos humanos.

__As cotas públicas para negros são uma afronta à igualdade entre as pessoas, mas eu não tenho preconceito contra as ações afirmativas.

__As cotas na universidade para estudantes de escola pública até passam, mas para negros.... é um absurdo, mas eu não tenho preconceito racial. 

.
..
...

__Imagine, então, o que você diria se tivesse preconceito!

Ilustração: Carlos Latuff. Para conhecer mais sobre o trabalho de Latuff, acesse: http://latuffcartoons.wordpress.com

sábado, 1 de março de 2014

Inquietudes (200) do Rei


Quando você passa por um episódio que faz grande diferença na sua vida, você começa a se questionar sobre as coisas que não têm a menor importância. Ao se dar conta disso, a sua percepção muda e, portanto, a sua atitude. 

Uma amiga jornalista chama isso de guinada. Patrícia Zanin, da Rádio UEL FM, prepara uma série sobre o tema na coluna “Audioretratos”.  Depois de uma cirurgia do coração, dei uma guinada. Não foi externa. Foi uma guinada interna.

Recuperei minha fé. Reaproximei-me de Deus. Ele é bondoso demais. Ele é tão generoso que não cabe nas caixinhas dogmáticas. Ele é melhor do que a interpretação que fazem Dele. Ele é maior do que aquilo que muitos atribuem a Ele.

Mas junto com a válvula mitral original foi-se a minha paciência. Não tenho mais tempo para ideias que não se permitem renovar. Debates estéreis não merecem argumentos. Discussões improdutivas geram apenas improdutividade.

E não abri mão do que penso e defendo. As “Letras Crônicas” são a prova, mas aderi à teoria da paz inquieta, cantada por padre Zezinho. Apenas abri mão de investir tempo e paciência com o quê não vale a pena. Afinal, toda guinada é, também, um recomeço.