quinta-feira, 27 de março de 2014

De vítima a cúmplice

A mulher machista é tão ruim quanto o homem machista porque ajuda a legitimar o preconceito, a discriminação e até a violência contra a mulher. E se  virar vítima do machismo que ajudou a disseminar?

O negro racista é tão ruim quando o branco racista  porque ajuda a legitimar o preconceito, a discriminação e até a violência contra o negro. E se virar vítima do racismo que ajudou a disseminar?

O gay homofóbico é tão ruim quando o hétero homofóbico porque ajuda a legitimar o preconceito, a discriminação e até a violência contra os gays. E se virar vítima da homofobia que ajudou a disseminar? 

O pobre 'pobrefóbico' é tão ruim quanto o rico 'pobrefóbico' porque ajuda a legitimar o preconceito, a discriminação e até a violência contra os pobres. E se virar vítima da 'pobrefobia' que ajudou a disseminar? 

Sim! Há mulher machista. Há negro racista. Há gay homofóbico. Há pobre com horror a pobre. Muitas vezes, são cúmplices de uma violência que deveriam apontar, acusar, denunciar. Quem já foi agredido não obrigatoriamente passa a ser protetor da vítima. Pode virar agressor tão violento quanto.

As experiências traumatizantes não necessariamente tornam a pessoa melhor. Ela pode repetir gestos piores do que aqueles que sofreu. A sensibilidade não é, portanto, uma marca registrada das vítimas.

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