quarta-feira, 26 de março de 2014

Entre o cinismo e o grotesco

O Governo do Estado de São Paulo fez publicidade sugerindo que vagão lotado do metrô é bom para "xavecar a mulherada". O anúncio polêmico foi veiculado na Rádio Transamérica. O áudio pode ser ouvido na reportagem da Folha no link acima.

O Dicionário Informal da Língua Portuguesa define xavecar como "o mesmo que dar uma cantada, ato de assediar uma pessoa sexualmente". Xavecar faz parte da cultura machista cujos adeptos da prática subjugam as mulheres ao seu prazer.

Xavecar pode ser considerado sinônimo de outra expressão igualmente machista: encoxar. O mesmo Dicionário Informal conceitua encoxar como "esfregar o pênis contra as coxas ou o bumbum de alguém". Definição forte não? 

Mais forte é um governo estadual incentivar essa prática no transporte coletivo. Ainda mais um governo que não deu respostas à altura sobre o escândalo de pagamento de propina a integrantes do mesmo governo no mesmo metrô. 

Segundo a Folha, "a Rádio Transamérica declarou em nota, que o personagem "Gavião" [locutor do áudio] é caricato e humorístico e que a peça publicitária narrada por ele tem o intuito de entreter e divertir o público ao passar informações úteis do transporte coletivo." 

Esse é o tipo de justificativa que piora ainda mais a situação. Xavecar e encoxar são uma forma de diversão? Certamente para os xavecadores e encoxadores do transporte público. As mulheres acham graça nisso?

A peça publicitária é cínica, imoral e grotesca. Cínica porque tenta justificar o injustificável. Imoral porque atinge a dignidade das mulheres. Grotesca porque é patrocinada com dinheiro do contribuinte que deveria ser protegido da superlotação do metrô.

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