quinta-feira, 6 de março de 2014

Eu não tenho preconceito

__O glamour dos aeroportos acabou e hoje parece até rodoviária, mas eu não tenho preconceito contra os pobres.

__Homem com homem é nojento, mas eu não tenho preconceito contra os gays.

__O Bolsa Família estimula a vagabundagem, mas eu não tenho preconceito contra as políticas públicas.

__A população tem o direito coletivo à legítima defesa e de contra-atacar os bandidos, mas eu não tenho preconceitos contra os direitos humanos.

__As cotas públicas para negros são uma afronta à igualdade entre as pessoas, mas eu não tenho preconceito contra as ações afirmativas.

__As cotas na universidade para estudantes de escola pública até passam, mas para negros.... é um absurdo, mas eu não tenho preconceito racial. 

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__Imagine, então, o que você diria se tivesse preconceito!

Ilustração: Carlos Latuff. Para conhecer mais sobre o trabalho de Latuff, acesse: http://latuffcartoons.wordpress.com

2 comentários:

Murilo Gouveia disse...

Então, no caso das cotas raciais, por exemplo, você acha que as pessoas se dividem entre "apoiadoras das cotas" e "preconceituosas"? Não existe ninguém que fique no meio termo, ou seja, conhece sobre o assunto, não é preconceituoso, mas simplesmente discorda?

Nos outros tópicos (aeroportos, gays e etc) eu até concordo, já que a argumentação normalmente utilizada é preconceituosa. Mas no caso das cotas, não. Eu, pessoalmente, sou a favor das cotas raciais, mas isso não me faz pensar que todos que discordem de mim sejam preconceituosos, racistas ou algo do tipo.

Nesse ponto, achei o texto um pouco apelativo.

Reinaldo César Zanardi disse...

Murilo Gouveia, o seu questionamento para as cotas raciais serve para os outros itens do texto, ou seja, pode haver um meio termo para todas as outras situações. Não se tratam de verdades absolutas. Tratam-se de provocações.

Muitas vezes quando escrevo, parto do senso comum (o ser humano tem a tendência de justificar suas atitudes) para que sirva de reflexão.

E esse é o objetivo: provocar o debate para refletir sobre nossas práticas, sobre o que pensamos e o que falamos. Seja bem-vindo. Sempre.