segunda-feira, 21 de abril de 2014

Jardim de vó

No jardim de vó, em casa simples, há de tudo um pouco de flor.
Rosas brancas em cachos competem com a esguia rosa vermelha, que sobe solene em busca do sol.
Rosas cor de rosa mancham os cachos da branca.
Casa de vó que se preza tem beijinhos.
Brancos, vermelhos, rosas, amarelos.

Há flores que a vó nem sabe o nome.
Planta porque são coloridas e as mudas foram partilhadas.
Galho pedido da vizinha, da comadre, da cunhada, da amiga.
Tirado da planta mãe, que generosa faz a filha vingar em novas flores.

Assim, o jardim cresce e floresce.
As flores juntadas enfeitam a frente, a lateral e os fundos da casa.

As plantam se entrelaçam.
Desordenadas, umas florescem no caule das outras.
Na varanda, uma lata vira vaso.
O improviso não incomoda as flores.

Casa de vó que se preza tem dálias.
Vermelhas como o sangue.
Imponentes.
Orgulhosas.

Mas no canteiro, há uma nova estrela.
Ladra de ocasião.
A dália branca.
Tímida.
Alva.
Reluzente.
Rouba a cena.

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