sábado, 3 de maio de 2014

Candidato tem lado

As eleições presidenciais deste ano serão marcadas pela baixaria. O ódio que emergiu nas eleições de 2010 voltará à cena neste pleito. Ódio contra os pobres, contra os nordestinos, contra os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.

A escalada conservadora dos últimos anos não é efeito colateral. É sintoma de parte de uma sociedade que acha normal e estimula amarrar marginalzinho no poste, numa "legítima defesa coletiva". Para isso, essa parte conta com a voz de comunicadores em horário de grande audiência.  

Temas como aborto e casamento gay não serão palco de debates saudáveis de presidenciáveis e eleitores sensatos. Dedos em riste não hesitarão em julgar e condenar. Direito de gays ao casamento e de mulheres ao aborto? 

O dogma religioso e o preconceito impedirão a reflexão. Os argumentos darão espaço às acusações. As estatísticas serão substituídas pela desqualificação pura e simples. Intolerância é pedir demais para certos segmentos. 

Por que discutir ideias e propostas? Por que discutir quem faz melhor para quem precisa mais? Por que discutir o Brasil? Porque o que está em jogo - para muitos - não é o futuro do país nem o do brasileiro. 

Está em jogo o poder e o que ele pode render. Você pode dizer __mas todo político é igual, não faz diferença. Se você realmente acredita nisso, seu senso é mais comum do que pode imaginar.

Tudo bem! você pode afirmar que não existe mais direita nem esquerda. Então compare os governos que se dizem de direita e de esquerda. Verifique as medidas implementadas. Medidas impopulares ferram os de sempre. __E as medidas populistas?

Quer dizer que investir nos pobres é populismo, mas manter os privilégios do mercado financeiro, mantendo a alta rentabilidade do capital especulativo e dos investidores sem pátria é choque de gestão? Não !isso é elitismo para manter os benefícios dos privilegiados de sempre. 

Nas próximas eleições presidenciais ou para governador, você vai ver relato de obras, de realizações; vai acompanhar promessas novas e de sempre. Os programas de TV vão coalhar de acusações contra o outro adversário. 

E não se engane! Todo candidato, seja a qual cargo for, tem lado. Basta você verificar se esse lado é o mesmo que o seu. Trabalhador é trabalhador, mesmo bem remunerado. E elite é elite. O resto é interpretação e sonho de ascensão social.

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