quarta-feira, 14 de maio de 2014

Esse senso comum...

Em se tratando de política, é corriqueiro – num debate ou discussão ou bate-boca – alguém encerrar o assunto alegando que o Brasil é um país sem leis e que todo político é corrupto. O senso comum é comum demais para avançar além do que se propõe. Por isso, muita conversa é encurtada, muito debate murcha e muito bate-boca perde animação. Arrisco algumas reflexões.

1) O Brasil é um país sem leis. Mentira. O Brasil é um país com um conjunto de leis invejável. A legislacão garante proteção a tudo e a todos. O problema é que o desrespeito à legislação é endêmico. As instituições que deveriam proteger e guardar as leis, muitas vezes, são as que passam por cima. 

Veja o exemplo que vem do Supremo Tribunal Federal. Muitos mensaleiros foram condenados a regime semiaberto, mas o presidente Joaquim Barbosa abusa do seu poder para mantê-los em regime fechado. Barbosa revogou o direito ao trabalho de José Dirceu e outros, dando nova interpretação à legislação.  

A medida barbosiana, se tiver efeito cascata, vai atingir outros 100 mil condenados que deverão voltar à prisão. Se até o supremo desrespeita a legislação por que o cidadão comum vai, por exemplo, parar antes da faixa, respeitar o pedestre e não oferecer propina para o guarda de trânsito? Todo infrator sabe que comete infração e alega ser essa uma terra sem leis para continuar infringindo.

2) Todo político é corrupto. Mentira. Existem muitos políticos honestos que lutam pelo direito da maioria e pelo interesse público. Muitos políticos lutam pelo interesse coletivo e da nação. Candidato tem lado: do empregado ou do empregador; do fazendeiro ou do sem terra; do dirigente ou do dirigido. Muitos fazem isso com honestidade e muitos não.

No entanto, a sensação que fica é que todo político é igual, nenhum partido presta. Essa responsabilidade também é dos meios de comunicação que criam a realidade simbólica. Ao bater seletivamente na causa da corrupção, é criado um clima de que um grupo é mais corrupto que o outro. E, convenhamos, corrupção é corrupção. O que muda é a pena a ser cumprida em caso de condenação.

O senso comum cumpre seu papel de ser comum ao vender verdades relativas como verdades absolutas. Aliás, muita mentira é consumida como verdade, sem a devida digestão cerebral. Pesquisar dá trabalho. Pensar dá trabalho. Sair do comodismo dá trabalho. E quem disse que formar opinião era uma tarefa fácil?

2 comentários:

Norberto Filho disse...

As pessoas têm preguiça de pensar e de mudar, tanto a si mesmos quanto o mundo ao seu redor;
A mídia mostra só o que lhe interessa e bate só em quem quer;
A esquerda nega seus crimes e acusa a Direita; A Direita posa de inocente e acusa a esquerda;

Como já dizia Raul: "pare o mundo que eu quero descer".

Norberto Filho disse...

As pessoas têm preguiça de pensar e de mudar, tanto a si mesmos quanto o mundo ao seu redor;
A mídia mostra só o que lhe interessa e bate só em quem quer;
A esquerda nega seus crimes e acusa a Direita; A Direita posa de inocente e acusa a esquerda;

Como já dizia Raul: "pare o mundo que eu quero descer".