sábado, 10 de maio de 2014

Medidas populares e elitistas

Para políticos da direita, medidas de governos de esquerda que combatem a pobreza e transferem renda aos pobres são medidas populistas.

Chamar o atendimento ao segmento popular de populista é desqualificar o papel do estado na atuação dos grupos que mais precisam. 

Por isso, esses mesmos grupos prometem medidas impopulares, caso sejam eleitos; e implantam-nas depois de eleitos.

Essa fórmula se repete em 2014, nesta pré-campanha em que Dilma é candidata de si mesma; Aécio Neves, pela oposição, e Eduardo Campos também pela oposição, depois de ter se fartado no governo até semanas atrás.  

Você já reparou que medida impopular para os grupos conservadores é uma conta a ser paga pelo pobre e pelo trabalhador? 

O ex-presidente do Banco Central do governo de Fernando Henrique (PSDB), Armínio Fraga, disse ao Estadão, recentemente, que o salário mínimo "cresceu muito" nos últimos anos.

Para o atual consultor da campanha de Aécio Neves, o salário mínimo e os salários de modo geral devem "guardar alguma proporção com a produtividade, sob pena de, em algum momento, engessar o mercado de trabalho".

Portanto, pode-se interpretar - superficialmente - pela fala de Fraga que trabalhador valorizado tira outros postos de trabalho e, por isso, para que a maioria tenha emprego é preciso pagar baixos salários.

No entanto, quem defende essas medidas não toca num ponto nevrálgico do tema: a lucratividade exacerbada das empresas, baseada na exploração da mão de obra do trabalhador.

Você já percebeu que quem defende medidas impopulares mantêm intocadas as vantagens de sempre da elite do país?

Trabalhador não pode ter salário alto, mas empresário pode ter lucros altos também às custas do empregado?

O empresariado brasileiro costuma ser liberal e exigir estado mínimo quando ganha, mas quando perde quer que o governo pague a conta.

Geralmente, os empresários que reclamam da política assistencial e dos benefícios aos pobres são os mesmos que se beneficiam com doação de terrenos públicos, isenção de impostos como IPTU, ISS, ICMS, juros baixos do BNDES, entre outros.

Por isso, as medidas defendidas por Armínio Fraga não deveriam se chamar medidas impopulares, mas elitistas, exatamente porque corta do trabalhador para manter os ganhos de sempre da elite brasileira.

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