quarta-feira, 11 de junho de 2014

Promessas de polarização


As eleições para a Presidência da República em outubro prometem muita coisa. Muita mentira. Muita manipulação. Muita desinformação. O pleito promete também repetir a polarização entre o PT e o PSDB, a exemplo do que ocorre desde 1994.


O PT e o PSDB são parecidos quando o assunto é mercado. Não se mexe no lucro dos grandes, não se taxa as grandes fortunas. Mesmo assim, em relação ao mercado, há uma diferença entre ambos: a inclusão dos pobres - no governo petista - na fatia de consumo, tradicionalmente direcionada para quem tem dinheiro. 

Para o PT, pobre come, pobre compra carro, pobre anda de avião, pobre estuda. E isso também se deve à melhoria real do salário mínimo, ao acesso facilitado ao crédito, às políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, chamado de bolsa esmola pelos políticos tucanos.

E aí está a diferença essencial para o PSDB, cujos governos investem no estado mínimo - para a maioria é claro! Estado mínimo, na cartilha liberal, significa menos investimento social, menos transferência de renda e mais investimento no mercado. 

Grande parte do recurso público, no modelo neoliberal, é destinado ao empresariado, mas claro que esse não é classificado como bolsa esmola. É chamado de investimento no setor produtivo. Sei... E o setor produtivo é aquele que ganha terreno público, isenção de ICMS, ISS, IPTU, baixos juros das agências públicas de fomento, sem exigência de contrapartida para a população.

O governo petista aposta no modelo de partilha, o tucano no modelo de privatização. O governo petista aposta no modelo de concessão, o tucano no modelo de privatização. Inicialmente, tudo parece a mesma coisa, mas não é. 

Portanto, na polarização dos projetos do PT e do PSDB - apesar de muitos segmentos afirmar serem iguais - são essencialmente diferentes. Dê-se ao trabalho e pesquise os conceitos.

Sobre as eleições em si, valem outras considerações.


1) Uma disputa eleitoral no Brasil não é racional. É emocional. E a emoção não acredita necessariamente no que vê, mas no que acredita ver.

2) Os eleitores, em geral, não buscam informações. Muitos acreditam no que leem, veem ou ouvem. Por exemplo, ninguém precisa acreditar no que escrevi acima sobre PT e PSDB. Vá pesquisar e verifique se faz sentido.

3) Há sempre uma tentativa de desqualificar o voto dos mais pobres. A elite e parte da classe média argumentam que pobre vota com o estômago. E por acaso, a elite e parte da classe média votam diferente? 

4) Existe um discurso que pede a alternância do poder no Palácio do Planalto, mas o mesmo não vale, por exemplo, para o Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, onde tucanos estão no poder há duas décadas.

5) Pelo sistema político brasileiro, a governabilidade é essencial. Quem ganha o Planalto não governa sem o Congresso Nacional. Esse não é o problema em si. O problema é fazer acordos às escuras. Se o sistema permite isso, que os candidatos o façam com honestidade e transparência.

6) Por isso, as coligações são tão importantes. Muitos criticam a coligação de petistas com as oligarquias do PMDB, menos por ideologia e mais porque não conseguiram fazer a aliança antes.

7) As coligações têm um efeito imediatista: conseguir aumentar o tempo de TV para expor ideias, projetos, realizações e também os defeitos do outro. Por isso, as alianças eleitorais são tão cortejadas.

8) Se você realmente acredita que político é tudo igual, então você pode votar em qualquer candidato. "__Nunca, eu não voto em petista." "__De jeito nenhum. Não voto em tucano." Viu como você difere os candidatos conforme o partido?

9) As eleições são um momento importante para mudanças. Quais mudanças e para quem? Lembre-se de que todo candidato tem lado. Basta verificar se o seu candidato está do seu lado.

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