quarta-feira, 16 de julho de 2014

A dor embrutece


Sempre imaginei que quem fosse vítima de preconceito, discriminação e violência estaria mais sensível à violência, de qualquer tipo, sofrida por outras pessoas e segmentos e, com isso, lutasse pela paz. Engano! A dor não necessariamente torna as pessoas melhores, podendo inclusive torná-las piores que seus próprios agressores.


O exemplo mais atual da dor que embrutece chama-se Israel, que promove - a pretexto de atacar o Hamas - um genocídio entre os palestinos da Faixa de Gaza. Os judeus vítimas das tropas de Hitler na Segunda Guerra Mundial não devem ter orgulho do que os atuais israelenses sionistas promovem naquela região.

Os ataques à Gaza feitos por Israel, nas últimas semanas deixaram um rastro de mortes entre os civis palestinos. Conforme o Portal Fórum "a contagem está em 156 mortos, 1.060 feridos e centenas de milhares de refugiados palestinos". As crianças palestinas são as mais afetadas, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU).

E o Ocidente assiste a escalada de violência entre a anestesia e a cumplicidade. Anestesia porque são poucas as iniciativas para conter a sanha de Israel. Cumplicidade porque muitas nações, principalmente o aliado tradicional no norte da América, convalidam a ação israelense.

Que o Hamas, grupo de resistência palestina ou grupo terrorista, usa a violência, ninguém duvida. Que essa violência provoca pânico e morte do outro lado da faixa, também ninguém duvida. A ação do Hamas é condenável em todos os aspectos.

Assim como é condenável a violência praticada pelo estado de Israel que também provoca pânico e morte, do lado de cá da faixa. Então, qual a diferença entre ambas as violências? A de Israel é chamada constantemente pelos seus aliados e simpatizantes de ofensiva, enquanto que a do Hamas é pura e simplesmente terrorismo.

Não é um mero jogo de palavras. É mais que isso. É a legitimação de Israel porque se defende com suas ofensivas e a condenação do Hamas porque pratica terrorismo. Ambos praticam ofensivas. Ambos praticam terrorismo. Hamas de forma clandestina e Israel de forma institucionalizada.

Hoje na Folha de São Paulo, o estado de Israel alertou 100 mil palestinos para que deixem suas casas, ou seja, corram porque vem mais violência. Isso é terrorismo ou não? Veja bem. Casas palestinas que estão em territórios ocupados (não seria melhor invadidos?) pelos israelenses. Aqui a palavra ocupação ajuda mais uma vez a legitimar o poder do estado israelense.

A dor ensina a sermos mais compreensíveis, mais sensíveis com o sofrimento do outro ou menos compreensíveis, menos sensíveis com o sofrimento do outro. Fazer a opção pelo mais ou pelo menos indica que tipo de ser humano somos e queremos ser.

Crédito da foto: ONU-Shareef-Sarhan.

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