quinta-feira, 31 de julho de 2014

Bola murcha


O governo do Estado de São Paulo mudou os horários do metrô na capital, às quartas-feiras, para não atrapalhar a transmissão das novelas da Rede Globo, já que mudar o horário dos jogos dos campeonatos não é um bom negócio para a rede. O Sindicato dos Metroviários do Estado de São Paulo vai discutir a decisão do governo paulista.


Não se engane! O governo de São Paulo mudou o horário dos jogos não para agradar o torcedor, mas para não desagradar a Globo. Não é à toa que os irmãos Marinho são os mais ricos do Brasil. Juntos, Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto têm uma fortuna de quase 30 bilhões de dó-la-res.

A forma como são feitos os contratos de transmissão dos jogos dos campeonatos com as emissoras de TVs, que são concessões públicas, é escandalosa, pondo interesses particulares e dos clubes acima do interesse público e do público. 

O jornalista Mauro Cezar Pereira, da ESPN, não vê problema nos jogos tarde da noite e diz que a “Globo não é a vilã, ela paga aos clubes, que assinaram o contrato”. A fala de Pereira reforça ainda mais a mercantilização do esporte. Ela paga, então está tudo certo? 

Não é bem assim. Em agosto do ano passado, o jogador Alex, do Coritiba, aumentou o coro dos descontentes com o horário dos jogos. “Acho que a CBF não tem uma interferência dentro do futebol tão grande. A CBF cuida apenas da Seleção Brasileira. Quem realmente cuida do futebol brasileiro é a Globo.”

O esporte no Brasil - e o futebol é a grande vitrine - movimenta bilhões anualmente e a corrupção também está instalada no processo de gerenciamento da área, que tem no comando a Confederação Brasileira de Futebol, a CBF. O deputado federal Romário defende uma CPI da CBF.

Soma-se ao fato de o Governo do Estado de São Paulo atender à Globo e não ao cidadão paulistano, outros acontecimentos futebolísticos. Felipe Scolari, o técnico da Copa de 2014, caiu e no lugar dele assumiu Dunga, que já foi treinador da seleção, entre 2006 e 2010.

Antes do replay Dunga, a CBF apresentou como coordenador de Seleções da entidade, Gilmar Rinaldi, um agente de jogador, cujo modelo de revelação de craques é um dos males do fundo de poço do futebol no Brasil, que prioriza o envio de revelações ao exterior.

Com a participação ruim da Seleção Brasileira na Copa das Copas e o placar humilhante de 7 a 1 para a Alemanha, muito se especulou que o gerenciamento do futebol no Brasil passaria por uma revolução. 

Pelas medidas adotadas e anunciadas pela entidade máxima do futebol brasileiro, até agora, tudo indica que haverá transformação nenhuma. Em resumo, nada está tão ruim que não pode piorar ainda mais.

Ilustração: Silvio Prado. Reproduzido do site do autor.

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