sexta-feira, 25 de julho de 2014

Irrelevantes e beligerantes


"O Governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças."

A afirmação faz parte de nota divulgada pelo Itamaraty, nesta semana, condenando os ataques israelenses que somam cerca de 800 mortes de palestinos, principalmente civis, incluindo crianças, mulheres e idosos. Do lado de Israel, foram mortos mais de 30 soldados. Há uso de forma desproporcional ou não?

Em reposta ao governo brasileiro, o porta-voz israelense do Ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, afirmou que o Brasil é “parceiro irrelevante”, um “anão diplomático” e acusou irresponsavelmente o Brasil de fornecer “suporte ao terrorismo”

O Brasil, ao condenar as ações de Israel, usa as regras da diplomacia internacional, já o porta-voz israelense simplesmente agride o Brasil, preferindo a desqualificação em vez de debater medidas para a paz. Se o Brasil é tão irrelevante quanto afirmou Palmor, por que perder tempo respondendo ao Itamaraty?

O problema é que o Brasil não é irrelevante, tanto que a posição brasileira foi seguida por outros 28 países na Organização das Nações Unidas, cuja votação para investigar possíveis crimes de guerra de Israel foi aprovada ontem (dia 24). A votação teve ainda 17 abstenções, com Inglaterra, Itália e França optando por ficar em cima do muro; e um voto contrário, o tradicional parceiro, os Estados Unidos.

"Israel está apagando a Palestina do mapa." Essa é a conclusão a que chega o  jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano. Basta uma rápida visualização no traçado palestino de 1946 e 2013 para verificar a veracidade da informação. Isso não é interpretação. É fato. O artigo de Galeano pode ser lido em espanhol no site Sin Permiso ou em português, em publicação no Vi o Mundo

“Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem sequer respirar sem autorização. Têm perdido a sua pátria, as suas terras, a sua água, a sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger os seus governantes”, escreveu o jornalista, em tradução de Mariana Carneiro.

E esse conflito não tem data para acabar. Se depender do Exército israelense muito mais vítimas serão feitas em Gaza. Israel rejeitou hoje uma proposta de cessar-fogo, feito pelo irmão Estados Unidos. E essa disposição é expressa pelo porta-voz de Israel quando agride os países quem ousam a não concordar com a sua posição. 

Senhor porta-voz, entre o irrelevante e o beligerante quem é que mata mulheres, crianças e idosos na Palestina?

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